segunda-feira, julho 18, 2005

No alvo

“Há um certo mantra quando o governo não faz o que deveria fazer, que seria, em suma, quitar a divida social e o comentário geral da população, seja o governo federal, estadual, municipal é: existe corrupção. O comentário não é “estamos pagando uma fortuna em juros”, que talvez seja o maior dispêndio do país. Ou se responsabiliza o gasto com funcionário público ou se responsabiliza a suposta corrupção. A explicação para todos os casos, para todo o déficit social do Brasil, se volta para a corrupção, fator absolutamente insuficiente para dar conta disso. Outras questões, como a inserção subalterna do país na economia mundial, são deixadas de lado. Com isso, passamos a ver uma discussão que se move no plano das aparências, mas que não afeta o cerne das questões.”
(Renato Janine Ribeiro, em entrevista concedida à Revista Fórum deste mês)

Olho vivo

Novos elementos subversivos no Brasil. (Fórum dos leitores do Estadão, hoje)

Lígia Márcia Alves de Godoy: “Finalmente, com a invasão feita pela Polícia Federal na Daslu, acaba de ser fundada a República Bolivariana no Brasil!”

João Santos: “Causa revolta e desânimo a forma arbitrária e truculenta como a Polícia Federal, a Receita e a Procuradoria Federal vêm agindo, passando por cima da Constituição, invertendo a ordem, isto é, primeiro prendem e depois produzem a prova, quando o correto é provar a culpa para depois prender. Isso implica em inibir o fomento, novos investimentos que poderiam gerar milhares de empregos e progresso. Mas, como no Brasil do PT-Lula é proibido prosperar, só resta uma opção: virar sem-terra e ingressar no MST, que estes a polícia não ousa enfrentar”.

Últimas

Depois da pesquisa

“Na melhor das hipóteses é um idiota, na pior, um corrupto”.
(Artur Virgílio, o Antonio Roque Citadini do PSDB, atacando o presidente)
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Responda rápido

O que irrita mais: Delúbio Soares afirmando que fazia caixa 2 no PT ou os deputados com cara de nunca ouvi falar disso antes, que horror?
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Pedigree

O deputado da CPI dos Correios mais entrevistado é ninguém menos que ACM Neto.

Do jeito deles

Segundo os idealizadores da teoria do dominó, o Vietnã seria o primeiro de uma série de países independentes que ao se aliar à China provocaria uma onda comunista por toda a Ásia. Para evitar a catástrofe, decidiram envolver os EUA na guerra. Entretanto, se conhecessem a história do Vietnã, saberiam que os vietnamitas lutaram muitos séculos contra a dominação chinesa e não nutriam simpatia pelos vizinhos. Esse e outros aspectos da Guerra do Vietnã podem ser vistos em Corações e Mentes (1974), documentário de Peter Davis, em cópia restaurada por aqui.
Os depoimentos dos veteranos, os argumentos dos think tanks, a situação dos civis, o oba-oba das tropas com as prostitutas, as execuções a sangue-frio são exibidas de uma forma muito crua e aos poucos o documentário mostra como a paranóia anticomunista e o big business contribuíam para encobrir o atoleiro onde tinham se enfiado. E sem apelar para os comentários em off que comprometem Fahrenheit 11/9, de Michael Moore.
Davis também aproxima o discurso nacionalista do Vietnã e a ideologia da independência dos EUA, mostrando as contradições que justificavam a guerra e de quebra nos dá uma chave para entender a maneira estadunidense de compreender a História. A sua e a dos outros. Filmaço.

quinta-feira, julho 14, 2005

Frase da semana

‘Eliana Tranchesi abre sua cela para Caras’

(Daniel Gonçalves, professor, sugerindo capa para a famosa revista semanal)

Filósofos do Dasluminismo

(via Estadão - edição de hoje)

Sidnei Glibas, no Fórum dos Leitores: “Será que é só na Daslu que se sonega, ou melhor, se suspeita que sonega? Lógico que não. Quem não sonega não sobrevive no Brasil. Ninguém quer trabalhar e pagar imposto para ver o dinheiro na cueca ou na mala de alguém.”
(afinal, sonega ou não?)

Roberto Stavale, no mesmo Fórum: “Hoje o enlameado PT joga com a mesma tática de faer inveja a Joseph Goebbles, idealizador da propaganda nazista do 3º Reich. Para esquecermos a corrupção – como mensalões, cuecas recheadas de dólares, malas e sacos de dinheirama faturada com a venda de terrenos no céu para ser lavada nas pias batismais da Igreja Universal do ‘bispo’ Macedo – degustamos também a prisão dos diretores da Schincariol e a devassa promovida nas lojas Daslu, com a detenção de sua proprietária, símbolo das elites que tanto incomodam nossa esquerda festiva, a qual bebe cerveja à vontade e se veste com as melhores grifes.”
(qual a implicância com a cerveja?)

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Eliana Tranchesi: “A ação parece ideológica, para mostrar que os ricos também vão para a cadeia.”
(sempre achei que a 'ação ideológica no cumprimento da lei' fosse coisa de comunista)

Yara Baumgart, empresária e filósofa: “O que está acontecendo é uma grande revolução. Parece que o PT está tão enraivecido que decidiu atacar o coração da elite brasileira.”
(tomara, D. Yara. Tomara)

Bia Dória, embaixadora da grife Dior no Brasil: “Enquanto existirem tantos impostos, é impossível declarar tudo.”
(deve ser isso que chamam de presunção de inocência)

César Giobbi, colunista social: “Foi a vez da Daslu, o templo do luxo, contra o qual é represado o ódio da esquerda mais radical.(...). O afã de levantar poeira para desviar a atenção das mazelas do governo Lula e do PT são evidentes. A cada novo lance, uma resposta imediata, para jogar todo mundo numa vala comum.”
(igualzinho, igualzinho)

Com uma imprensa como a nossa é muito fácil dizer que a ação da PF na Nova Jerusalém, digo, Nova Daslu tenha a intenção de abafar a crise política. A cobertura de dois eventos de pesos tão similares divide mesmo as atenções.

Terra fértil

Não deixa de ser curioso que para salvar a legenda tenham escolhido para presidente do PT um gaúcho de São Borja.

Na frente

Parte importante da pesquisa CNT/Sensus que os jornais não publicaram. (trecho da matéria da Agência Carta Maior)

O maior desestímulo que a pesquisa traz a FHC é seu índice de rejeição, uma vez que 58,1% dos entrevistados afirmaram que não votariam no ex-presidente “de jeito nenhum”. Nesse ponto, Lula obtém importante vitória simbólica contra seu rival histórico, pois o índice de rejeição do petista, de 30,8%, é o menor entre todos os presidenciáveis. O vice-campeão da rejeição é Garotinho, com 57,9% de índice, seguido por Cesar Maia com 55,4%, Aécio com 42,5%, Serra com 42,4% e Alckmin com 39,3%.

quarta-feira, julho 13, 2005

Dois cinemas e uma fita

Batman Begins

Batman não tem um metro e vinte, nem seu uniforme tem mamilos. Gotham City não fica parecendo uma balada no Madame Satã. Não mataram os vilões. Gary Oldman faz papel de gente normal...
Pensando na quantidade de besteiras que já se fez a respeito do Batman, é um grande filme.

Nicotina

A trama e a maneira como os personagens entram na história são bem articuladas. Também tem diálogos criativos. É bem divertido. Mesmo com aquela impressão de reprise.

A insustentável leveza do ser

Tomas, um canastrão; Tereza, ingênua demais; Sabina, mulher fatal. Salvo pelo elenco e pelas cenas da invasão soviética (realmente emocionantes). Leia o livro.

sexta-feira, julho 08, 2005

Contas do poder

Considerando que para a aprovação da emenda da reeleição alguns deputados tenham custado R$ 200 mil e atualmente os deputados custem R$ 30 mil/mês em votações importantes, pergunta-se: a economia resultante deve ser levada em conta no cálculo do superávit primário?

segunda-feira, julho 04, 2005

Handicap

Em entrevista à revista Exame desta quinzena, Dom Fernando aconselhou Lula a não se candidatar a reeleição. Ou seja, o medo quer vencer a esperança por W.O.

domingo, julho 03, 2005

Recomendações

Visitem o blog do Paulo Markun. Num momento como esse, um pouco de sobriedade não faz mal. Destaque para o texto de 21 de junho no qual comenta a entrevista de Roberto Jefferson no Roda Viva.
Dica: melhor não ler os comentários que as crianças deixam lá. Repito, melhor não!

Bem falado

O entendimento é um dos temas de Um filme falado do diretor português Manoel de Oliveira que está em cartaz faz algum tempo por aqui. Conta a história de uma professora de História (Leonor Silveira) que faz um cruzeiro com a filha, visitando diversas regiões importantes para a cultura ocidental (Marselha, Nápoles, Atenas, Istambul). Em todas elas, a professora ensina a curiosa menina, e ao espectador, um pouco sobre história e sobre tolerância.
Há uma cena fantástica na qual algumas personagens, uma francesa (Catherine Deneuve), uma grega (Irene Papas), uma italiana (Stefania Sandrelli) e um americano (John Malkovich), conversam cada qual em sua língua e todos se entendem maravilhosamente. A única a se expressar em uma língua diferente da sua, porque, convenhamos, português ninguém entende, é a personagem de Leonor Silveira.
Manoel de Oliveira defende um ideal internacionalista e de uma maneira extremamente criativa nos lembra que, para além de toda a diferença, estamos todos literalmente no mesmo barco.

Legenda

Trechos da entrevista de Chico Buarque concedida ao espanhol La Vanguardia e publicada esta semana por aqui:
Uma vida rodeado de mulheres.
Sim, irmãs, filhas, netas.
(...)
Sempre fugiu da fama?
Não, participei de festivais e busquei o reconhecimento para meu trabalho. Mas logo aparece a fama boba, oca, que é a sombra do reconhecimento e que fala se o artista está gordo ou com quem vai para a cama.Há 40 anos não era assim.
(...)
Por que teremos chegado a esse ponto?
Nunca vi um movimento geral de idiotice como o de agora.Mas em meu país, de 15 anos para cá, vem crescendo perigosamente. A idiotice nos rodeia, eu mesmo tenho medo de me tornar idiota...
(...)
Falemos de épocas mais intensas.
Não sou nostálgico, não penso que éramos mais bonitos, mais magros e mais felizes, embora tudo isso seja verdade. Não me agrada recordar nem os anos 60 nem os 70, dos 80 não me lembro, e nos 90 começou a idiotice. Nunca estive de acordo com o que me cercava. Me agrada estar vivo, fazer as coisas em meu ritmo, sem pressões.
(...)
Para quem escreve as letras de suas canções?
São 'cantadas' para mim mesmo: é formidável, experimente, diga-se coisas bonitas. Me lembro de Vinicius de Moraes, que quando viajava sozinho e tinha sonhos se cantava canções de ninar e passava a mão no rosto até adormecer. Eu tentei e não funcionou.
(...)
Como é a sua mãe?
Tem 95 anos e repete constantemente, 'Juízo e alegria!', e eu lhe digo: 'Mamãe, ou juízo ou alegria.' Meu pai era um sonhador e ela equilibrou seu lado boêmio, impunha a disciplina mas com muito sentido de humor, com isso: com juízo e alegria. Sete filhos!

sábado, julho 02, 2005

Sem Legenda


(Valéria Gonçalvez/ AE)

quinta-feira, junho 30, 2005

Exclusivo

Nossos correspondentes em Frankfurt acompanharam a preleção do técnico Carlos Alberto Parreira nos minutos que antecederam a decisiva partida contra a Argentina pela Copa das Confederações. Eis a íntegra:

“Bem, moçada, vou recapitular alguns pontos que me parecem essenciais nesse momento de superação. Então, vamos lá: o time deve ser perigoso do início ao fim. Você não, Roque. Aliás, decidi atender uma solicitação do Beckenbauer e inverti a dupla de ataque. Segundo ele, talvez o novo estádio não suporte eventuais choques entre o Adriano e o Collocini. Abalos na estrutura atrasariam todo o cronograma da Copa ano que vem. Portanto Robinho, você vai para o sacrifício. Enquanto no Brasil gritam “pedala, Robinho”, na Argentina gritam “atropella, Collocini”. Pense nisso. O segredo é abusar da velocidade contra ele: corra o mais que puder e nada vai te acontecer. Kaká, se apanhar não venha chorando ao banco de reservas. Você já é um homenzinho, aprenda a revidar. Ronaldinho, lembre-se que esse é um esporte coletivo e somos um time. Isso não impede que você possa driblar e mostrar seu bom futebol em campo. Você não, Roque.
Por último, quero um time de muita pegada e atenção na marcação. Émerson, como volante de contenção você tem que desarmar as jogadas argentinas e tomar a bola do Lúcio se ele passar do meio de campo. Com falta se necessário. Nos escanteios, quero todo mundo pegando o seu. Adriano, nessa hora você tem que voltar para ajudar a defesa e marcar o Roque. Gilberto... alguém acorda o Gilberto? Cicinho, eu já tenho um time na cabeça para o ano que vem, não me cause problemas, seja burocrático.
Que Deus nos ajude e ao Roque em particular!”

segunda-feira, junho 27, 2005

"Você teve um dia ruim uma vez, não é?"

Minha demissão esta manhã passaria despercebida pelo blog (não gosto de falar da minha vida pessoal) se não fosse essa notícia que li a tarde. Claro que não é um bom sinal. Pior do que isso, é achar alguma graça na coincidência (nada menos engraçado do que mortes e tal). Coisa de maluco. Definitivamente, não é bom sinal. Férias, por favor.

sábado, junho 25, 2005

Ufa!

Tomei um susto daqueles com uma nota insignificante no jornal: "Colômbia começa fase de testes com Super Tucano". Achei que a moda estava pegando por lá também, mas lendo com mais cuidado descobri que se trata do Emb-314 Super Tucano, turboélice de ataque leve fabricado pela Embraer. Ah bom!

Qual é o crime mesmo?

(ou Enquanto Seu Lobo não vem II)

Argumento do diretor-executivo do Ibef-RJ, Marcos Varejão, para desqualificar a campanha do deputado Fernando Gabeira (PV) pela descriminação da maconha:
"É bom lembrar que esse Gabeira é um seqüestrador, um usuário de maconha e, dizem as más línguas, não sou eu quem estou dizendo, é um homossexual. O que ele diz não é para ser levado em consideração."

Enquanto Seu Lobo não vem

No mesmo dia em que Roberto Jefferson fazia seu número na Conselho de Ética na Câmara, a Corte Suprema de Justiça da Argentina declarava a inconstitucionalidade das Leis do Perdão que livraram de julgamento os responsáveis pelos abomináveis crimes praticados durante a ditadura.
Enquanto lá os processos contra os militares e policiais envolvidos em crimes contra a humanidade são reabertos, por aqui o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) continua aprontando.
Ele que certa vez havia lamentado que FHC não tivesse sido fuzilado durante a ditadura, nesta semana chamou José Dirceu de terrorista, o presidente Lula de "homossexual" e Dilma Rousseff de "especialista em roubo e assalto". Não contente, ontem (24 de junho) foi o responsável por uma sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem aos militares que "desmontaram" a Guerrilha do Araguaia.
O coronel Lício Maciel, responsável pela prisão de José Genoíno em 1972, foi o grande homenageado. Ele acusou Genoíno de delatar os companheiros e se diz arrependido por não ter lhe dado umas "bolachas". Ele também contou com detalhes (sórdidos) alguns momentos da ação contra os guerrilheiros.
Todo o evento foi realizado dentro das normas democráticas e de acordo com as leis vigentes na Republiqueta. E nem sinal da abertura dos arquivos.
Caquéticos e impotentes somos nós.