quinta-feira, maio 18, 2006

Engenhoso

A chapa Geraldo Alckmin e José Jorge deve fazer parte de um plano para confundir os eleitores que pretendem anular o voto.

segunda-feira, maio 15, 2006

Resultados

Jean-François Revel, filósofo francês falecido mês passado, admirava os EUA porque via ali uma sociedade-laboratório da globalização liberal. Para ele, se quiséssemos saber para onde esse modelo político-econômico estava nos levando, bastaria observarmos a sociedade americana. Era uma análise otimista, pró-americana e equivocada. Não apenas porque as medidas tomadas pelo governo norte-americano fariam John Locke revirar na tumba, mas também porque existem outros países que apresentam melhores laboratórios. Como o nosso, por exemplo.
O sonho neoliberal tornou-se realidade aqui na Província: o Estado mínimo e tudo nas mãos da iniciativa privada. Ou como já disse o Verissimo, a substituição de uma cleptocracia para poucos por uma dinâmica cleptocracia de resultados. Falta de investimentos, ausência de uma política de segurança séria, policiais despreparados e grupos criminosos cada vez mais organizados. Não podia dar em outra coisa. A gente segue a receita, o bolo não cresce e ainda por cima queima.
Como tudo piora, as soluções "cadeia ou IML"continuam ganhando adeptos. O autoritarismo do discurso 'direitos humanos para humanos direitos' - facilmente substituível por 'direitos humanos para humanos da direita' - está na ordem do dia. Mas ninguém admite ser essa a 'tentação totalitária'.

A semanal

  • A matéria/entrevista da semana: justo quem, para quem, sobre quem e onde.
  • Conta-se que se a família Civita tivesse pedido um parecer ao ministro Roberto Campos a respeito da viabilidade da publicação de uma revista semanal de informação no Brasil, teriam ouvido que fariam melhor negócio se publicassem uma versão traduzida da revista Time. Mas naquela época quem fazia o papel de entreguista era o Bob Fields. Ou talvez fosse mais um visionário querendo nos poupar.
  • Do jeito que vai, a revista poderia assumir o alcoolismo de vez e mudar seu nome para 'Breja'.
  • sexta-feira, maio 12, 2006

    Jogo duro

    Agora passou da medida! Chega de convenções internacionais e bons modos. Devemos negociar à brasileira e dar duro neles. Estão pensando o quê? A proposta é a seguinte: trocamos o Acre pelo gás, eles levam o Hildebrando Pascoal e devolvem o cavalo. Dos bons, nada de lhamas!

    quarta-feira, maio 03, 2006

    Maus meninos

    O raciocínio brasileiro a respeito da nacionalização das operações de petróleo e gás boliviano foi sintetizado pelo mais ilustre comunista arrependido do país, deputado Roberto Freire (PPS-PE). Com originalidade, o deputado atribuiu ao governo Lula a culpa pela crise com a Bolívia. Mas ressaltou que o decreto do presidente boliviano foi um legítimo ato de soberania e que deve ser respeitado, uma vez que Evo Morales foi eleito pelo povo.
    Ou seja, se segui o raciocínio, Lula e o Itamaraty falharam porque não conseguiram impedir que Evo Morales tomasse uma decisão soberana no país onde foi eleito presidente pelo voto popular. Em suma, Lula e o Itamaraty erraram porque não foram suficientemente imperialistas.
    Os ranhetas que até outro dia defendiam a privatização da Petrobrás estrebucham indignados com essa afronta ao brios nacionais. Numa mistura de satisfação e horror, acusam o governo de incompetência e Morales de populista. Não me espantaria se até domingo descobrissem armas de destruição em massa na Bolívia. Nos próximos quarenta dias, serão os bolivianos os nossos vizinhos detestáveis da vez.

    segunda-feira, abril 24, 2006

    De esquerda


    A cena é antológica. No filme Aprile, Nanni Moretti acompanha o debate entre Massimo D'Alema e Sílvio Berlusconi pela televisão, caminha de um lado para outro na sala inconformado com o desempenho de D'Alema diante dos disparates de Berlusconi e, num misto de raiva e vergonha, grita: "Reage, D'Alema! Responda alguma coisa, reage! Diz alguma coisa de esquerda!".
    Estamos esperando "alguma coisa de esquerda". Qualquer coisa.
    * * *
    Vários comentaristas associam o comportamento da imprensa em relação ao governo atual com a atuação da imprensa na década de 50 e 60. Mas naquela época as coisas se resolviam de maneira diferente. Um amigo lembrou uma história nada exemplar e sintomática.
    David Nasser, repórter de O Cruzeiro e um dos símbolos da pior imprensa que se fazia por aqui, vivia escrevendo artigos criticando Leonel Brizola de forma bem deselegante. Certa vez, Brizola encontrou Nasser no saguão de um aeroporto e não teve dúvidas: nocauteou o repórter com dois socos.
    Tratando-se do Brizola, não sei se os socos foram de esquerda, mas combinar posicionamento político e os punhos favorece sempre a reação. Atitudes intempestivas como a de Brizola tiveram sua época e, vá lá, o seu charme. Hoje em dia, não têm mais lugar. Porém, uma vez que estamos voltando para os Anos Dourados, uns parajornalistas por aí bem que mereciam uns sopapos. Ou pelo menos uma escarrada na cara.

    sábado, abril 22, 2006

    Clica e vai

    Sai Markun (gente que não atualiza o blog é fogo!), entra Franklin Martins.

    quinta-feira, abril 06, 2006

    Olha aí

    Quando digo que São Paulo é provinciana de dar dó, algumas pessoas acham que estou exagerando. Mas em que lugar do país alguém faria isso?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Imagina

    O IBGE publicou hoje: o PIB de 2005 foi de R$ 1,9 trilhão, o que representa um PIB per capita de R$ 10,5 mil. Ah, se isso correspondesse a realidade! Que beleza, hein? Ninguém pagaria Imposto de Renda!

    terça-feira, março 28, 2006

    Desatentos

    Quem diria que a queda de Palocci seria provocada por um presidente de banco?
    * * *
    Ninguém aí acredita que o foi o caseiro quem derrubou o ministro, né? Ah, bom! Era só para ter certeza.
    * * *
    "Nildo, como é chamado na intimidade, foi outra surpresa de março. Que do bem seja. Por enquanto, como o presidente espanhol diante das promessas do ETA, me reservo o direito da cautela. Achei um pouco demais ele se referir a si próprio na terceira pessoa, como se fosse uma entidade ou Pelé, e soltar bordões e slogans mais adequados ao palanque do PSDB.
    Felizmente, Nildo é do sexo masculino. Ao menos de um ensaio fotográfico na Playboy já nos livramos."
    (Sérgio Augusto, em artigo do Aliás, domingo passado)
    * * *
    Quando acusavam o governo de incompetência e despreparo, nossa falta de atenção pensava que se tratava de preconceito e dor-de-cotovelo. Não era. Era know-how.

    sexta-feira, março 24, 2006

    De que jeito?

    Não consegui me indignar com as fotos da capa do Estadão de hoje que mostram a deputada Angela Guadagnin (PT-SP) dançando alegremente no plenário da Câmara após a absolvição do colega deputado João Magno (PT-MG). Pelo contrário, morri de rir. Não agüentei, desculpem.
    Sei que não deveria, afinal de contas, que coisa, né, gente? Nào há nada de engraçado. Desfaçatez, certo. Como cidadão brasileiro, eleitor e contribuinte, deveria espumar de raiva. Mas não resisto ao carisma de uma vovó faceira.

    quinta-feira, março 16, 2006

    Anauê

    "O primeiro dia de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa da família, da religião e da tradição e passou por ataques ao MST e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva." (sinopse de capa da FSP publicada pela Radiobras)
    PS: Ontem, na abertura do 10 º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores realizado nesta Província)



    Papelão

    Se continuar negando que esteve na mansão da 'República de Ribeirão', Palocci pode passar pelo constrangimento de uma acareação com o caseiro que informou em entrevista ao Estadão (terça-feira, 14.03, o primeiro 'furo' deles desde o início da crise toda) ter visto o ministro algumas vezes por lá. Se admitir agora que já esteve na mansão, significa que mentiu no seu depoimento à CPI e sua saída do ministério seria uma questão de horas.
    Alguns amigos sugerem que Palocci admita visitas à mansão, não para repartir dinheiro, mas como convidado das famosas festas organizadas ali, para transformar o caso em deslize moral e preservar a figura de Lula. Depois disso, em contrapartida, o governo deveria oferecer ajuda ao ministro e impedir a aplicação dos bons cascudos que ele vai tomar em casa.

    quarta-feira, março 15, 2006

    Apelando

    Se a garrafal manchete do Estadão de hoje (Alckmin enfrentará Lula) está correta, ontem foram decididas duas candidaturas à presidência da República, e não apenas a candidatura do PSDB como registrou a Folha (Alckmin será o candidato do PSDB). Claro, seremos todos mico-de-circo se o presidente não sair candidato à reeleição, mas Lula não anunciou sua candidatura ainda.
    A cobertura do anúncio também funcionou como ensaio geral de uma eventual cerimônia de posse de Alckmin. Entendo que queiram comemorar a indicação e o final da novela, afinal também sabemos qual candidato será apoiado pelo jornal na eleição, mas trazer biografia, trajetória política, histórico escolar e fotos da infância de Alckmin por causa do anúncio de sua candidatura à presidência é um pouquinho demais, não? Se Anthony Garotinho vencer as prévias do PMDB neste final de semana, vão fazer a mesma coisa?
    O jornal está muito preocupado em desde já polarizar a eleição e criar um clima plebiscitário, mas haverá tempo suficiente para amolar as facas e erguer as barricadas. Calma, pessoal! Olha o coração!

    Indocências

    (A seção Indocências ganha espaço permanente no TFV a partir de
    hoje e infelizmente não tem data para terminar)

    Pesquisa

    Nesta quarta-feira e pela primeira vez desde o início do ano letivo, a discussão sobre o eliminado do BBB perdeu a liderança na pauta de assuntos no colégio. O tema hoje era naturalmente o anúncio da candidatura de Geraldo Alckmin. O que talvez possa ser explicado pelo clima e cobertura digna de reality show.

    Democracia madura
    - Tomara que o Lula não ganhe a eleição. Pelo amor de Deus, Lula não! Sem querer parecer preconceituoso, mas como um cara que teve a capacidade de perder um dedo numa máquina pode ser presidente? Como uma pessoa que não consegue tomar conta do próprio dedo pode tomar conta do Brasil?

    terça-feira, março 14, 2006

    Um ano


    Ontem o blog fez aniversário. A culpa é toda sua! Parabéns!

    Notícia

    Enquanto isso, em qualquer outro lugar do Brasil.
    - Você viu? O candidato do PSDB vai ser o Geraldo Alckmin.
    - Quem?
    - Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.
    - Hum...
    - Aquele que era vice do Covas.
    - Ah!

    Fim de novela

    Em janeiro, Geraldo Alckmin afirmou que não gostaria de ser candidato por W.O.. Mas foi quase.
    Sabendo que seu nome não seria ungido pela cúpula tucana e teria que disputar (e provavelmente perder) as prévias, José Serra desistiu da candidatura.
    Ganhou quem bateu primeiro. Alckmin mostrou mais habilidade do que Serra e maior conhecimento a respeito do partido do que o próprio triunvirato. Alguns serristas acusaram, com razão, os métodos "malufo-quercistas" de Alckmin para obter a indicação do partido. Mas num partido cada dia mais parecido com o PMDB, Alckmin usou estratégia conhecida e se embrenhou na burocracia do partido.
    Com isso, inviabilizou o tradicional método de escolhas entre os tucanos. O PSDB também não resistiria às prévias. A candidatura Alckmin custaria menos ao PSDB, por isso acabou vencendo.

    Ciência hoje

    O Partido dos Ranfastídeos anunciou hoje a candidatura do Sr. Cucurbitáceo à presidência da República das Musáceas. Sr. Cucurbitáceo deverá enfrentar o Sr. Cefalópode que atualmente ocupa o cargo.

    É cada uma

    Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.
    Mania 01 - Quando alguém me pede informação na rua, paro e respondo com toda a paciência. No caso de ruas ou linhas de ônibus, procuro ser o mais claro possível e repito sempre que necessário todas as coordenadas. Sábado, ajudei um argentino a chegar no Instituto Butantã e ainda anotei para ele o número da linha que ele deveria tomar para voltar até a rodoviária. Algumas pessoas chamam de educação, mas acho que é mania.
    Mania 02 - Falar sozinho em inglês. Estupidez promovida a mania.
    Mania 03 - Faço minhas refeições rápido demais, independente do volume de comida e do tempo disponível. Os amigos reclamam, então deve ser mania.
    Mania 04 - Não consigo olhar muito tempo para a mesma pessoa quando estamos conversando. Presto atenção em tudo o que ela diz, mas preciso desviar o olhar de vez em quando. Como isso já me rendeu inúmeros problemas, acredito que seja mania.
    Mania 05 - Leio críticas de cinema antes e depois de ver um filme. Exercício saudável, como toda mania.