quarta-feira, junho 07, 2006

Irrelevância

Vira e mexe a turma interessada em enterrar de vez as universidades públicas do país cita o eficiente modelo chileno de financiamento do ensino. O que os estudantes chilenos pensavam a respeito era irrelevante. Hoje nós já sabemos a resposta.
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Outra questão irrelevante no Brasil, a social, continua sendo tratada como caso de polícia. É o mantra. Ao comparar o PCC ao MLST, Artur Virgílio está apenas recitando o rare-rama nacional.
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O funcionário da Câmara que tomou uma pedrada e foi internado em estado grave com traumatismo craniano tem pai, irmão e esposa grávida do segundo filho. Dos manifestantes ninguém sabe qualquer coisa. Ou não se lembrou de perguntar. Por irrelevância.
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Depois da declaração do ACM exigindo uma reação das Forças Armadas para impedir que o país se transforme numa "ditadura sindical" liderada pelo "homem mais corrupto que já chegou à Presidência da República", é bom averiguar se ele também não tomou alguma pedrada na cabeça também.

domingo, junho 04, 2006

Anrã

Entre os dias 13 e 20 de maio foram registrados nas delegacias 28 casos de resistência seguida de morte (mortes em confronto com policiais). Das 28 pessoas mortas nesses confrontos, 20 foram atingidas por disparos efetuados de cima para baixo e o ângulo dos disparos indica que as vítimas poderiam estar ajoelhadas ou deitadas no chão.
Os defensores públicos que analisaram os laudos afirmaram que não se pode fazer um julgamento apressado a respeito da ação da polícia e a conclusão (se ocorreram ou não execuções) depende de outros fatores.
A Defensoria Pública está fazendo o seu trabalho com responsabilidade e numa atitude serena e louvável preferiu não dar declarações que soariam levianas nesses momento tão delicado. Mas se não ficar comprovado que os homens da corporação são muito mais altos que a média nacional, haja física para explicar o que aconteceu nesses casos.

sexta-feira, maio 19, 2006

Vices


Não é fácil ser vice no Brasil. No esporte isso é quase compreensível, uma vez que de acordo com Nelson Piquet, o vice é o primeiro dos perdedores. É um truísmo que funciona perfeitamente para o simplificado mundo competitivo do perde-ganha.
Em política, o vice é o segundo dos ganhadores. Talvez aí resida a sua miséria.
O Brasil é cruel com seus vices porque o propósito de sua existência é cruel. O vice entra em cena nos momentos de morte, renúncia, oportunismo político ou qualquer outra desgraça institucional. Desconfiou-se do vice desde o início. O artigo 42 da Constituição de 1891 afirmava que o vice-presidente assumiria o cargo apenas se já houvesse transcorrido metade do mandato do presidente. Caso contrário, o vice assumiria e convocaria eleições imediatamente. Pois não deu outra: Deodoro renunciou com quase nove meses de mandato, Floriano assumiu e ao invés de convocar eleições, levou o mandato até o fim de maneira muito truculenta. Vices não são confiáveis!
Dali em diante, nenhum dos vices que assumiram o governo tiveram sossego. Café Filho ficou doente e foi impedido; João Goulart quase não tomou posse, assumiu o governo e sofreu um golpe; Pedro Aleixo sofreu um golpe dentro do golpe. Até hoje os teóricos da conspiração acreditam na participação de José Sarney na morte de Tancredo. O caso de Itamar Franco foi pior. Na impossibilidade de concederem um impedimento para ele também, resolveram ridicularizá-lo durante o resto do mandato. Marco Maciel foi discreto o tempo todo sabendo da aversão nacional ao cargo que ele ocupava. Os eleitores de Lula têm sérias restrições ao José Alencar. Aquele jeito bonachão não engana ninguém.
Aqui na Província, como não poderia deixar de ser, temos seguido a tradição. Alckmin era vice-governador e muitas das pessoas que torciam pela recuperação de Mário Covas não gostavam tanto assim dele. Gilberto Kassab é tão discreto que muitos paulistanos crêem não haver mais prefeito e vivem um parlamentarismo municipal. Claúdio Lembo entraria facilmente para a longa lista de vices discretos que apareceram na recente história política brasileira. Nove meses de mandato, talvez ninguém o notasse. Mas o caldo entornou justamente quando ele estava tomando conta da panela.
Nas duas entrevistas relacionadas abaixo, Lembo aborda uma série de questões do episódio(negociou ou não?) e outras estruturais (desigualdade social) de um ponto de vista surpreendente para alguém em sua posição e de seu partido. Tanto é que algumas pessoas acreditam que ele ficou louco. Pode ser. Mas talvez ele esteja tentando redimir uma categoria historicamente acuada e partiu para a ofensiva.

Entrevistas

Cláudio Lembo, na Folha de ontem e na Terra Magazine de hoje.
Comento outra hora.

quinta-feira, maio 18, 2006

Clica e vai

  • Terra Magazine: dirigida pelo Bob Fernandes, com Antonio Luis M. C. Costa, Jorge Furtado, Milton Hatoum entre outros. E mais: toda segunda uma nova tirinha das Cobras do Verissimo - a melhor notícia do ano até aqui!
  • Zica: bastou elencar a coluna do Franklin Martins aí ao lado e pouco tempo depois a TV Globo o dispensou. Se está relacionado ou não com a acusação do parajornalista, não sei, Dona Pureza, mas no Observatório tem toda a cobertura do caso.
  • Para não sentir que estou fazendo a mesma coisa e simplesmente tirar o link da página (que ainda é muito boa apesar de não ser mais atualizada), resolvi relacionar a página da CBN. E antes que digam "ih, ó o cara", me deixem explicar: além do Franklin Martins, também se pode ouvir os comentários de Juca Kfouri, Armando Nogueira, Xexéo e Cony, Arnaldo Jabor, Lucia Hippolito e Carlos Sardenberg, bastando para isso clicar no lugar certo. Lugar certo aí no sentido de "por sua conta e risco".
  • Dá até vergonha de falar, mas só descobri nesta semana que o Ivan Lessa publica textos na página da BBC Brasil. A vantagem é que podemos ler suas colunas desde 2002!
  • Mais ainda do que uma vergonha, esse sim um crime: descobri que a expressão "Clica e vai" é um plágio grosseiro e descarado da página do Millôr, outra que já deveria estar aqui ao lado. Como homenagem e para nos lembrar de que sou apenas um farsante, a expressão "Clica e vai" continuará ali onde nunca deveria ter entrado.
  • Engenhoso

    A chapa Geraldo Alckmin e José Jorge deve fazer parte de um plano para confundir os eleitores que pretendem anular o voto.

    segunda-feira, maio 15, 2006

    Resultados

    Jean-François Revel, filósofo francês falecido mês passado, admirava os EUA porque via ali uma sociedade-laboratório da globalização liberal. Para ele, se quiséssemos saber para onde esse modelo político-econômico estava nos levando, bastaria observarmos a sociedade americana. Era uma análise otimista, pró-americana e equivocada. Não apenas porque as medidas tomadas pelo governo norte-americano fariam John Locke revirar na tumba, mas também porque existem outros países que apresentam melhores laboratórios. Como o nosso, por exemplo.
    O sonho neoliberal tornou-se realidade aqui na Província: o Estado mínimo e tudo nas mãos da iniciativa privada. Ou como já disse o Verissimo, a substituição de uma cleptocracia para poucos por uma dinâmica cleptocracia de resultados. Falta de investimentos, ausência de uma política de segurança séria, policiais despreparados e grupos criminosos cada vez mais organizados. Não podia dar em outra coisa. A gente segue a receita, o bolo não cresce e ainda por cima queima.
    Como tudo piora, as soluções "cadeia ou IML"continuam ganhando adeptos. O autoritarismo do discurso 'direitos humanos para humanos direitos' - facilmente substituível por 'direitos humanos para humanos da direita' - está na ordem do dia. Mas ninguém admite ser essa a 'tentação totalitária'.

    A semanal

  • A matéria/entrevista da semana: justo quem, para quem, sobre quem e onde.
  • Conta-se que se a família Civita tivesse pedido um parecer ao ministro Roberto Campos a respeito da viabilidade da publicação de uma revista semanal de informação no Brasil, teriam ouvido que fariam melhor negócio se publicassem uma versão traduzida da revista Time. Mas naquela época quem fazia o papel de entreguista era o Bob Fields. Ou talvez fosse mais um visionário querendo nos poupar.
  • Do jeito que vai, a revista poderia assumir o alcoolismo de vez e mudar seu nome para 'Breja'.
  • sexta-feira, maio 12, 2006

    Jogo duro

    Agora passou da medida! Chega de convenções internacionais e bons modos. Devemos negociar à brasileira e dar duro neles. Estão pensando o quê? A proposta é a seguinte: trocamos o Acre pelo gás, eles levam o Hildebrando Pascoal e devolvem o cavalo. Dos bons, nada de lhamas!

    quarta-feira, maio 03, 2006

    Maus meninos

    O raciocínio brasileiro a respeito da nacionalização das operações de petróleo e gás boliviano foi sintetizado pelo mais ilustre comunista arrependido do país, deputado Roberto Freire (PPS-PE). Com originalidade, o deputado atribuiu ao governo Lula a culpa pela crise com a Bolívia. Mas ressaltou que o decreto do presidente boliviano foi um legítimo ato de soberania e que deve ser respeitado, uma vez que Evo Morales foi eleito pelo povo.
    Ou seja, se segui o raciocínio, Lula e o Itamaraty falharam porque não conseguiram impedir que Evo Morales tomasse uma decisão soberana no país onde foi eleito presidente pelo voto popular. Em suma, Lula e o Itamaraty erraram porque não foram suficientemente imperialistas.
    Os ranhetas que até outro dia defendiam a privatização da Petrobrás estrebucham indignados com essa afronta ao brios nacionais. Numa mistura de satisfação e horror, acusam o governo de incompetência e Morales de populista. Não me espantaria se até domingo descobrissem armas de destruição em massa na Bolívia. Nos próximos quarenta dias, serão os bolivianos os nossos vizinhos detestáveis da vez.

    segunda-feira, abril 24, 2006

    De esquerda


    A cena é antológica. No filme Aprile, Nanni Moretti acompanha o debate entre Massimo D'Alema e Sílvio Berlusconi pela televisão, caminha de um lado para outro na sala inconformado com o desempenho de D'Alema diante dos disparates de Berlusconi e, num misto de raiva e vergonha, grita: "Reage, D'Alema! Responda alguma coisa, reage! Diz alguma coisa de esquerda!".
    Estamos esperando "alguma coisa de esquerda". Qualquer coisa.
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    Vários comentaristas associam o comportamento da imprensa em relação ao governo atual com a atuação da imprensa na década de 50 e 60. Mas naquela época as coisas se resolviam de maneira diferente. Um amigo lembrou uma história nada exemplar e sintomática.
    David Nasser, repórter de O Cruzeiro e um dos símbolos da pior imprensa que se fazia por aqui, vivia escrevendo artigos criticando Leonel Brizola de forma bem deselegante. Certa vez, Brizola encontrou Nasser no saguão de um aeroporto e não teve dúvidas: nocauteou o repórter com dois socos.
    Tratando-se do Brizola, não sei se os socos foram de esquerda, mas combinar posicionamento político e os punhos favorece sempre a reação. Atitudes intempestivas como a de Brizola tiveram sua época e, vá lá, o seu charme. Hoje em dia, não têm mais lugar. Porém, uma vez que estamos voltando para os Anos Dourados, uns parajornalistas por aí bem que mereciam uns sopapos. Ou pelo menos uma escarrada na cara.

    sábado, abril 22, 2006

    Clica e vai

    Sai Markun (gente que não atualiza o blog é fogo!), entra Franklin Martins.

    quinta-feira, abril 06, 2006

    Olha aí

    Quando digo que São Paulo é provinciana de dar dó, algumas pessoas acham que estou exagerando. Mas em que lugar do país alguém faria isso?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Imagina

    O IBGE publicou hoje: o PIB de 2005 foi de R$ 1,9 trilhão, o que representa um PIB per capita de R$ 10,5 mil. Ah, se isso correspondesse a realidade! Que beleza, hein? Ninguém pagaria Imposto de Renda!

    terça-feira, março 28, 2006

    Desatentos

    Quem diria que a queda de Palocci seria provocada por um presidente de banco?
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    Ninguém aí acredita que o foi o caseiro quem derrubou o ministro, né? Ah, bom! Era só para ter certeza.
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    "Nildo, como é chamado na intimidade, foi outra surpresa de março. Que do bem seja. Por enquanto, como o presidente espanhol diante das promessas do ETA, me reservo o direito da cautela. Achei um pouco demais ele se referir a si próprio na terceira pessoa, como se fosse uma entidade ou Pelé, e soltar bordões e slogans mais adequados ao palanque do PSDB.
    Felizmente, Nildo é do sexo masculino. Ao menos de um ensaio fotográfico na Playboy já nos livramos."
    (Sérgio Augusto, em artigo do Aliás, domingo passado)
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    Quando acusavam o governo de incompetência e despreparo, nossa falta de atenção pensava que se tratava de preconceito e dor-de-cotovelo. Não era. Era know-how.

    sexta-feira, março 24, 2006

    De que jeito?

    Não consegui me indignar com as fotos da capa do Estadão de hoje que mostram a deputada Angela Guadagnin (PT-SP) dançando alegremente no plenário da Câmara após a absolvição do colega deputado João Magno (PT-MG). Pelo contrário, morri de rir. Não agüentei, desculpem.
    Sei que não deveria, afinal de contas, que coisa, né, gente? Nào há nada de engraçado. Desfaçatez, certo. Como cidadão brasileiro, eleitor e contribuinte, deveria espumar de raiva. Mas não resisto ao carisma de uma vovó faceira.

    quinta-feira, março 16, 2006

    Anauê

    "O primeiro dia de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa da família, da religião e da tradição e passou por ataques ao MST e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva." (sinopse de capa da FSP publicada pela Radiobras)
    PS: Ontem, na abertura do 10 º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores realizado nesta Província)



    Papelão

    Se continuar negando que esteve na mansão da 'República de Ribeirão', Palocci pode passar pelo constrangimento de uma acareação com o caseiro que informou em entrevista ao Estadão (terça-feira, 14.03, o primeiro 'furo' deles desde o início da crise toda) ter visto o ministro algumas vezes por lá. Se admitir agora que já esteve na mansão, significa que mentiu no seu depoimento à CPI e sua saída do ministério seria uma questão de horas.
    Alguns amigos sugerem que Palocci admita visitas à mansão, não para repartir dinheiro, mas como convidado das famosas festas organizadas ali, para transformar o caso em deslize moral e preservar a figura de Lula. Depois disso, em contrapartida, o governo deveria oferecer ajuda ao ministro e impedir a aplicação dos bons cascudos que ele vai tomar em casa.

    quarta-feira, março 15, 2006

    Apelando

    Se a garrafal manchete do Estadão de hoje (Alckmin enfrentará Lula) está correta, ontem foram decididas duas candidaturas à presidência da República, e não apenas a candidatura do PSDB como registrou a Folha (Alckmin será o candidato do PSDB). Claro, seremos todos mico-de-circo se o presidente não sair candidato à reeleição, mas Lula não anunciou sua candidatura ainda.
    A cobertura do anúncio também funcionou como ensaio geral de uma eventual cerimônia de posse de Alckmin. Entendo que queiram comemorar a indicação e o final da novela, afinal também sabemos qual candidato será apoiado pelo jornal na eleição, mas trazer biografia, trajetória política, histórico escolar e fotos da infância de Alckmin por causa do anúncio de sua candidatura à presidência é um pouquinho demais, não? Se Anthony Garotinho vencer as prévias do PMDB neste final de semana, vão fazer a mesma coisa?
    O jornal está muito preocupado em desde já polarizar a eleição e criar um clima plebiscitário, mas haverá tempo suficiente para amolar as facas e erguer as barricadas. Calma, pessoal! Olha o coração!

    Indocências

    (A seção Indocências ganha espaço permanente no TFV a partir de
    hoje e infelizmente não tem data para terminar)

    Pesquisa

    Nesta quarta-feira e pela primeira vez desde o início do ano letivo, a discussão sobre o eliminado do BBB perdeu a liderança na pauta de assuntos no colégio. O tema hoje era naturalmente o anúncio da candidatura de Geraldo Alckmin. O que talvez possa ser explicado pelo clima e cobertura digna de reality show.

    Democracia madura
    - Tomara que o Lula não ganhe a eleição. Pelo amor de Deus, Lula não! Sem querer parecer preconceituoso, mas como um cara que teve a capacidade de perder um dedo numa máquina pode ser presidente? Como uma pessoa que não consegue tomar conta do próprio dedo pode tomar conta do Brasil?