quinta-feira, março 30, 2006

Imagina

O IBGE publicou hoje: o PIB de 2005 foi de R$ 1,9 trilhão, o que representa um PIB per capita de R$ 10,5 mil. Ah, se isso correspondesse a realidade! Que beleza, hein? Ninguém pagaria Imposto de Renda!

terça-feira, março 28, 2006

Desatentos

Quem diria que a queda de Palocci seria provocada por um presidente de banco?
* * *
Ninguém aí acredita que o foi o caseiro quem derrubou o ministro, né? Ah, bom! Era só para ter certeza.
* * *
"Nildo, como é chamado na intimidade, foi outra surpresa de março. Que do bem seja. Por enquanto, como o presidente espanhol diante das promessas do ETA, me reservo o direito da cautela. Achei um pouco demais ele se referir a si próprio na terceira pessoa, como se fosse uma entidade ou Pelé, e soltar bordões e slogans mais adequados ao palanque do PSDB.
Felizmente, Nildo é do sexo masculino. Ao menos de um ensaio fotográfico na Playboy já nos livramos."
(Sérgio Augusto, em artigo do Aliás, domingo passado)
* * *
Quando acusavam o governo de incompetência e despreparo, nossa falta de atenção pensava que se tratava de preconceito e dor-de-cotovelo. Não era. Era know-how.

sexta-feira, março 24, 2006

De que jeito?

Não consegui me indignar com as fotos da capa do Estadão de hoje que mostram a deputada Angela Guadagnin (PT-SP) dançando alegremente no plenário da Câmara após a absolvição do colega deputado João Magno (PT-MG). Pelo contrário, morri de rir. Não agüentei, desculpem.
Sei que não deveria, afinal de contas, que coisa, né, gente? Nào há nada de engraçado. Desfaçatez, certo. Como cidadão brasileiro, eleitor e contribuinte, deveria espumar de raiva. Mas não resisto ao carisma de uma vovó faceira.

quinta-feira, março 16, 2006

Anauê

"O primeiro dia de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa da família, da religião e da tradição e passou por ataques ao MST e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva." (sinopse de capa da FSP publicada pela Radiobras)
PS: Ontem, na abertura do 10 º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores realizado nesta Província)



Papelão

Se continuar negando que esteve na mansão da 'República de Ribeirão', Palocci pode passar pelo constrangimento de uma acareação com o caseiro que informou em entrevista ao Estadão (terça-feira, 14.03, o primeiro 'furo' deles desde o início da crise toda) ter visto o ministro algumas vezes por lá. Se admitir agora que já esteve na mansão, significa que mentiu no seu depoimento à CPI e sua saída do ministério seria uma questão de horas.
Alguns amigos sugerem que Palocci admita visitas à mansão, não para repartir dinheiro, mas como convidado das famosas festas organizadas ali, para transformar o caso em deslize moral e preservar a figura de Lula. Depois disso, em contrapartida, o governo deveria oferecer ajuda ao ministro e impedir a aplicação dos bons cascudos que ele vai tomar em casa.

quarta-feira, março 15, 2006

Apelando

Se a garrafal manchete do Estadão de hoje (Alckmin enfrentará Lula) está correta, ontem foram decididas duas candidaturas à presidência da República, e não apenas a candidatura do PSDB como registrou a Folha (Alckmin será o candidato do PSDB). Claro, seremos todos mico-de-circo se o presidente não sair candidato à reeleição, mas Lula não anunciou sua candidatura ainda.
A cobertura do anúncio também funcionou como ensaio geral de uma eventual cerimônia de posse de Alckmin. Entendo que queiram comemorar a indicação e o final da novela, afinal também sabemos qual candidato será apoiado pelo jornal na eleição, mas trazer biografia, trajetória política, histórico escolar e fotos da infância de Alckmin por causa do anúncio de sua candidatura à presidência é um pouquinho demais, não? Se Anthony Garotinho vencer as prévias do PMDB neste final de semana, vão fazer a mesma coisa?
O jornal está muito preocupado em desde já polarizar a eleição e criar um clima plebiscitário, mas haverá tempo suficiente para amolar as facas e erguer as barricadas. Calma, pessoal! Olha o coração!

Indocências

(A seção Indocências ganha espaço permanente no TFV a partir de
hoje e infelizmente não tem data para terminar)

Pesquisa

Nesta quarta-feira e pela primeira vez desde o início do ano letivo, a discussão sobre o eliminado do BBB perdeu a liderança na pauta de assuntos no colégio. O tema hoje era naturalmente o anúncio da candidatura de Geraldo Alckmin. O que talvez possa ser explicado pelo clima e cobertura digna de reality show.

Democracia madura
- Tomara que o Lula não ganhe a eleição. Pelo amor de Deus, Lula não! Sem querer parecer preconceituoso, mas como um cara que teve a capacidade de perder um dedo numa máquina pode ser presidente? Como uma pessoa que não consegue tomar conta do próprio dedo pode tomar conta do Brasil?

terça-feira, março 14, 2006

Um ano


Ontem o blog fez aniversário. A culpa é toda sua! Parabéns!

Notícia

Enquanto isso, em qualquer outro lugar do Brasil.
- Você viu? O candidato do PSDB vai ser o Geraldo Alckmin.
- Quem?
- Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.
- Hum...
- Aquele que era vice do Covas.
- Ah!

Fim de novela

Em janeiro, Geraldo Alckmin afirmou que não gostaria de ser candidato por W.O.. Mas foi quase.
Sabendo que seu nome não seria ungido pela cúpula tucana e teria que disputar (e provavelmente perder) as prévias, José Serra desistiu da candidatura.
Ganhou quem bateu primeiro. Alckmin mostrou mais habilidade do que Serra e maior conhecimento a respeito do partido do que o próprio triunvirato. Alguns serristas acusaram, com razão, os métodos "malufo-quercistas" de Alckmin para obter a indicação do partido. Mas num partido cada dia mais parecido com o PMDB, Alckmin usou estratégia conhecida e se embrenhou na burocracia do partido.
Com isso, inviabilizou o tradicional método de escolhas entre os tucanos. O PSDB também não resistiria às prévias. A candidatura Alckmin custaria menos ao PSDB, por isso acabou vencendo.

Ciência hoje

O Partido dos Ranfastídeos anunciou hoje a candidatura do Sr. Cucurbitáceo à presidência da República das Musáceas. Sr. Cucurbitáceo deverá enfrentar o Sr. Cefalópode que atualmente ocupa o cargo.

É cada uma

Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.
Mania 01 - Quando alguém me pede informação na rua, paro e respondo com toda a paciência. No caso de ruas ou linhas de ônibus, procuro ser o mais claro possível e repito sempre que necessário todas as coordenadas. Sábado, ajudei um argentino a chegar no Instituto Butantã e ainda anotei para ele o número da linha que ele deveria tomar para voltar até a rodoviária. Algumas pessoas chamam de educação, mas acho que é mania.
Mania 02 - Falar sozinho em inglês. Estupidez promovida a mania.
Mania 03 - Faço minhas refeições rápido demais, independente do volume de comida e do tempo disponível. Os amigos reclamam, então deve ser mania.
Mania 04 - Não consigo olhar muito tempo para a mesma pessoa quando estamos conversando. Presto atenção em tudo o que ela diz, mas preciso desviar o olhar de vez em quando. Como isso já me rendeu inúmeros problemas, acredito que seja mania.
Mania 05 - Leio críticas de cinema antes e depois de ver um filme. Exercício saudável, como toda mania.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Suplicysmos

O senador Eduardo Suplicy(PT-SP) teve um dia agitado ontem. Participou de uma manifestação contra a absolvição do coronel Ubiratan Guimarães, inocentado da acusação de matar 102 dos 111 presos (não pode ser responsabilizado pelos nove mortos à golpes de faca) no massacre do Carandiru. Com outros manifestantes, o senador desempenhou papel de um dos mortos no massacre, na frente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
À noite, o senador compareceu ao show do U2: "Vim ao show especialmente para ver Bono Vox, pelo engajamento dele na luta pela erradicação da pobreza em todo o mundo".
Nota 7,5.

Guerra das Estrelas

(sugestão e idéia original de Daniel Gonçalves)
Ao comunicar a sua “decisão amadurecida” a integrantes do grupo político que o apóia, Alckmin disse: “Quer dizer que o Serra quer unanimidade? Para ele ser candidato eu tenho que renunciar à minha candidatura? Pois então ele não será candidato. Não abro mão de disputar”. Se quiser concorrer à presidência, diz Alckmin, Serra terá de disputar com ele a preferência do partido.
- "Good, Alckmin, good! I can feel the anger fluing through your blood lines"

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Indocência

Sala dos professores.
I
- Vocês viram que Beltrano está triste porque a Sicrana está ficando com Fulano.
- Mas é claro. Você acha que a Sicrana depois de experimentar Fulano, voltaria para Beltrano? Fulano é um homem vivido. Já saiu até com mulher casada.
II
- Eu achei ótimo colocarem Fulano (outro, homônimo - provavelmente com o mesmo sex appeal do primeiro) na sala tal. Vocês viram, as piriquitas estão todas pulando por causa dele.
III
- Dona Diretora, prefiro não organizar a feira cultural na 8ª série porque não tenho afinidade com a sala.
- Afinidade? Isso não existe! Você vai organizar a feira cultural lá porque estou mandando.
IV
- Dona Diretora, como deveríamos trabalhar o tema da terceira idade com a 5ª série?
- Não sei, pensem em alguma coisa. Façam maquetes...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Flanfo

Em setembro de 2001, por ocasião de lançamento do Houaiss, o Verissimo defendeu a publicação de um Dicionário Reivindicativo da Língua Portuguesa que seria composto por palavras que não existem, mas que deveriam existir. Por exemplo, um adjetivo como rechechê (sinônimo de elaborado, prolixo, preciosista) descreveria de maneira exata os modos de nosso ex-presidente. Outra: Flanfo (definição para 'sujeirinha de umbigo') seria um ótimo título para uma auto-biografia.
Naquele mesmo mês e ano ocorreu o ataque terrorista contra o WTC. No dia do atentado, estava dando aula numa sala de 3º ano do Ensino Médio, quando a diretora da escola entrou esbaforida pela sala, quase aos berros:
- Professor! Leve os alunos até a sala de vídeo! Nos Estados Unidos, um acidente com um avião acabou de derrubar o Empire State!
(lembrança inspirada por um texto da Monix, publicado hoje em Duas Fridas)

terça-feira, fevereiro 07, 2006

"É somente requentar, e usar"

"A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem num presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadres, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes do que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores."
(HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos. SP: Cia.das Letras, p.13)
Em 14 de julho passado, o senador Arthur Virgílio afirmara da tribuna “Estou dizendo aqui, na melhor das hipóteses, senhor Lula, o senhor é um idiota; na pior, o senhor é um corrupto”. Naquela semana, dia 12 de julho, os jornais publicavam uma pesquisa apontando um crescimento da popularidade de Lula, mesmo com todas as denúncias de corrupção que assombravam o planalto.
Na semana em que a revista Isto É publicou matéria de capa com o ex-presidente e sua frase "A ética do PT é roubar", FHC também concedeu entrevista ao programa Roda Viva de ontem, na qual afirmou a respeito do esquema de compra de parlamentares da base aliada: "Ou (Lula) é muito ingênuo, portanto não estava preparado para ser presidente, ou ele sabia, o que é pior ainda". Domingo, dia 05, o Datafolha publicou outra pesquisa mostrando um crescimento na popularidade do presidente.
O que eu quero dizer com isso? Nada, nada. Sou um simples cronista, memorialista, um compilador... um cara chato, enfim.

domingo, fevereiro 05, 2006

Os intolerantes

Interessante observar os diletos defensores da ampla liberdade de expressão criticarem a reação exagerada da comunidade muçulmana contra as caricaturas do profeta Maomé, acusando-a de não compartilhar os valores da sociedade ocidental, e manifestaram apreensão com a vitória do Hamas nas eleições palestinas.
Novidade nenhuma. A repercussão da eleição do Hamas na AP e a campanha solidária pela liberdade de imprensa movida pelos jornais europeus são apenas o exemplo mais recente de uma velha tese: ninguém gosta muito de democracia. A democracia parece aquela tia solteira que todo mundo adora e acha o máximo, mas queria mesmo era que estivesse bem casada.
Ainda que a apreensão da comunidade internacional se justifique pelo histórico envolvimento do partido em atentados terroristas, deve-se lembrar que o Hamas venceu o pleito através de eleições livres e sem fraudes aparentes, como manda o figurino. Muito diferente do que aconteceu com a maior democracia do mundo em 2000. Chegando ao poder de maneira legítima e não pela via armada, o Hamas fez uma opção política e espera-se que a alternativa terrorista seja descartada. Justamente por isso, merecem algum crédito. E torcida, muita torcida.
Em artigo do Aliás de hoje, o filósofo Tariq Ramadan considerou a publicação das charges "uma forma obtusa" de analisar a questão da liberdade de expressão. Para evitar a idolatria, os muçulmanos proibem a representação da figura humana e a iniciativa de fazer uma caricatura do profeta parece uma provocação gratuita. Provocação que, segundo o filósofo, não deveria levar a reações tão emocionais da comunidade. Ramadan aponta que o mais grave nesse caso não são os inexistentes limites legais para a liberdade de expressão, mas os limites cívicos. Retratar Maomé com uma bomba no turbante não é um simples exercício do direito de opinião, mas uma ofensa a todos os muçulmanos. Em poucas palavras, é crime e tem nome: racismo.
Os muçulmanos não são menos democráticos porque não elegem os candidatos preferidos pelo Ocidente e porque não acham muita graça nas piadas que fazem sobre sua tradição, não quer dizer que lhes falta senso de humor. Estão sendo apenas coerentes. Outra coisa que as democracias ocidentais nunca entenderam muito bem.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Lá e cá

Sérgio Augusto escreveu um artigo muito bom (redundância, redundância) chamando a atenção para o comportamento da imprensa a respeito da eleição de Evo Morales. Citou um artigo do neoconservador David Brooks e um editorial do NYT que saudavam a eleição de Morales, e um comentário de Carlos Alberto Sardenberg ("brasileiro, sem sangue índio, aparentemente mais seguro do que a CIA sobre o que sucederá na Bolívia a partir de amanhã") que prevê a aliança de Evo, Fidel e Hugo Chávez, o horror, o horror. Para quem nunca se interessou pela Bolívia, os mais realistas que o rei estão muito preocupados.
E quem fica feliz com a posse de Evo Morales e a vitória de Michelle Bachelet descobre duas páginas depois que Cavaco Silva foi eleito presidente de Portugal no primeiro turno e que as eleições parlamentares no Canadá devem levar um simpatizante de George Bush ao cargo de primeiro-ministro. É verdade que nada de muito significativo acontece por lá, mas não poder confiar nos canadenses assusta um pouco.

sábado, janeiro 14, 2006

Tudo sob controle

As afirmações do secretário de Segurança Pública de São Paulo sobre os ataques contra bases comunitárias da PM são lapidares. Saulo Abreu comentou que o destino dos autores do atentado será "cadeia ou IML" e não acredita que os ataques tenham sido provocados para desestabilizar a campanha eleitoral do governador Alckmin à Presidência da República.
"Cadeia ou IML" sempre foram as opções da política de segurança pública em SP e a constatação do secretário não traz nenhuma novidade escandalosa. Por isso ninguém notou a falta de serenidade no comentário.
Gostaria de lembrar que pelo menos três pessoas morreram na série de atentados(um policial e dois criminosos), a PM acuada e disposta a tudo aumenta a sensação de insegurança e os baixos investimentos no setor reforçam a solução mais violenta.
Quanto ao mais importante, pode ficar tranqüilo secretário. A campanha eleitoral continua firme e forte.