segunda-feira, agosto 21, 2006

Atos falhos

O presidente apresenta uma série de dados a respeito do crescimento econômico, do aumento da oferta de empregos, e do volume das exportações. O sindicalista observa que “a única coisa que cai é o salário”. O presidente se defende e diz que o que caí são os juros e a inflação, mas acabou de ser desmentido em cadeia nacional por um sindicalista inconformado com o discurso macroeconômico. O problema para ambos é que são a mesma pessoa.
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O candidato aponta as migrações como a causa da má qualidade do ensino no Estado. Nenhuma seqüela grave. A brigada de incêndio é muito eficiente.

quinta-feira, agosto 17, 2006



Verissimo, jazz, arte do Baptistão, futebol...
Quanta alegria!

terça-feira, agosto 15, 2006

Reunião de condomínio

Não fossem algumas perguntas mais incisivas dos jornalistas no penúltimo bloco do debate presidencial de ontem e poderíamos tê-lo confundido com uma cordial reunião de condomínio. Todos foram elegantes no trato, poucas acusações, muitos elogios, eventuais reminiscências, nenhum inconveniente ou pergunta constrangedora e naturalmente críticas duras ao condômino ausente. Até Eymael arriscou um gracejo bem sacado e arrancou algumas risadas. Tudo muito descontraído.
Como Lula provavelmente não aparecerá para nenhum dos encontros programados, não se espante se nos próximos os candidatos combinarem de levar alguns refrigerantes e sanduíches de metro que serão servidos pelos mediadores durante o debate.
PS: A Surya gentilmente me lembrou que eu não disse que o Renato Janine Ribeiro é o autor do texto sobre Cuba listado abaixo. Mas espero que tenham sido tão corajosos quanto ela e enfrentado o desconhecido.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Tá esperando o quê?

Cláudio Lembo ainda não colocou Saulo Abreu no olho da rua por motivos estratégicos ou por dó. Os motivos estratégicos - uma vez que a demissão do secretário eliminaria um boquirroto polêmico que convenientemente desvia o foco das críticas ao modelo de segurança adotado no Estado e até aqui conseguiu apenas conquistar corações boquirrotos e polêmicos, ou seja, nada - são compreensíveis.
Mas se Lembo não o demitiu por temer que o secretário amargue uma difícil recolocação no mercado de trabalho nesses tempos bicudos, embora reconheça a louvável preocupação com um companheiro de administração, gostaria de garantir ao governador que não há porquê se preocupar. Temos uma revista semanal que adora colunistas boquirrotos e polêmicos.

domingo, agosto 13, 2006

Truque sujo

Uma semana sem publicar nada e vir aqui colocar um link para texto alheio não é muito bonito, mas é uma forma de mostrar que as leituras também estão atrasadas. Esse artigo sobre Cuba, por exemplo, saiu dia 04/08 no Valor.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Notas

"Sob a democracia, um partido devota suas principais energias à tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar - e ambos conseguem e ambos estão certos".
H.L. Mencken
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Sou contra o voto nulo. Questão de princípios, para não dizer que acho bobagem mesmo. É um voto tão democrático quanto qualquer outro, mas tenho medo das pessoas que anulam. Elas não tem senso de humor.
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Lançaram ontem a política do "café-com-leite do século XXI". Como se precisasse.
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TFV Serviço: tem texto do Verissimo na Carta Maior.

segunda-feira, julho 31, 2006

Mulheres são da Terra, Super-Homens são de Krypton

Esqueça Lex Luthor. O coitado quer apenas dominar o mundo. O verdadeiro duelo do novo filme do Super-Homem ocorre entre Lois Lane e o kryptoniano. O filme todo é uma grande DR.
Já no início ficamos sabendo que o Super-Homem esteve fora cinco anos, tentando descobrir o que houve com Krypton. Foi embora e não se despediu de ninguém, nem da Lois. Mas ela não deixa barato. Quando ele volta para a Terra, descobre que ela ganhou um Pulitzer por um artigo intitulado ‘Por que não precisamos do Super-Homem’, que está casada com o sobrinho do chefe e tem um filho.
Ele salva a vida dela, ela não dá a mínima. O mundo celebra a volta do herói, ela não se interessa. Ela pergunta pelos motivos do desaparecimento. Ele responde que buscava suas origens e outros sobreviventes de seu planeta tristemente destruído para aplacar um sentimento de solidão num Universo em constante expansão, mas ela não quer nem saber. Ela pergunta porque ele voltou, ele explica que estender a mão para as pessoas desesperadas que necessitam de ajuda nesse mundo cada dia mais cruel e intolerante é o verdadeiro papel do herói, mas ela diz que está muito bem sem ele, obrigada.
Ele salva a vida dela novamente. Ele salva o mundo. Ela também salva a vida dele. Mas gostaria de salvar mais uma para não ficar devendo nada.

quinta-feira, julho 20, 2006

Outra vez

Justificando as investidas contra o Líbano e criticando as acusações de que os ataques de Israel são desproporcionais, Shimon Peres disse em entrevista ao Global Viewpoint (publicada pelo Estado) que "existem quatro organizações imunes a qualquer consideração diplomática ou política: Irã, Síria, Hamas e Hezzbollah - dois países e duas organizações terroristas". Nas contas deveria ter incluido também Israel e os EUA, sem esquecer o próprio Líbano, já que o apreço diplomático pelo país é nenhum.
Israel tem um salvo-conduto concedido pelo Texas de mais uma semana para arrebentar todo o Líbano à procura dos foguetes e membros do Hezzbolah. Resultado até agora: quatro membros do Hezzbolah mortos e 500 mil libaneses refugiados segundo a UNESCO. Talvez não seja a forma mais apropriada de "devolver a esperança aos libaneses" ou impedir a escalada de violência no Oriente Médio.

quinta-feira, julho 13, 2006

Onda

Quem diz que os ataques do PCC servem para desestabilizar a campanha tucana é débil mental ou cínico.

domingo, junho 11, 2006

Informe

Para ninguém dizer que sou um alienado, estou postando textos sobre a Copa lá no Q2I.

quarta-feira, junho 07, 2006

Irrelevância

Vira e mexe a turma interessada em enterrar de vez as universidades públicas do país cita o eficiente modelo chileno de financiamento do ensino. O que os estudantes chilenos pensavam a respeito era irrelevante. Hoje nós já sabemos a resposta.
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Outra questão irrelevante no Brasil, a social, continua sendo tratada como caso de polícia. É o mantra. Ao comparar o PCC ao MLST, Artur Virgílio está apenas recitando o rare-rama nacional.
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O funcionário da Câmara que tomou uma pedrada e foi internado em estado grave com traumatismo craniano tem pai, irmão e esposa grávida do segundo filho. Dos manifestantes ninguém sabe qualquer coisa. Ou não se lembrou de perguntar. Por irrelevância.
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Depois da declaração do ACM exigindo uma reação das Forças Armadas para impedir que o país se transforme numa "ditadura sindical" liderada pelo "homem mais corrupto que já chegou à Presidência da República", é bom averiguar se ele também não tomou alguma pedrada na cabeça também.

domingo, junho 04, 2006

Anrã

Entre os dias 13 e 20 de maio foram registrados nas delegacias 28 casos de resistência seguida de morte (mortes em confronto com policiais). Das 28 pessoas mortas nesses confrontos, 20 foram atingidas por disparos efetuados de cima para baixo e o ângulo dos disparos indica que as vítimas poderiam estar ajoelhadas ou deitadas no chão.
Os defensores públicos que analisaram os laudos afirmaram que não se pode fazer um julgamento apressado a respeito da ação da polícia e a conclusão (se ocorreram ou não execuções) depende de outros fatores.
A Defensoria Pública está fazendo o seu trabalho com responsabilidade e numa atitude serena e louvável preferiu não dar declarações que soariam levianas nesses momento tão delicado. Mas se não ficar comprovado que os homens da corporação são muito mais altos que a média nacional, haja física para explicar o que aconteceu nesses casos.

sexta-feira, maio 19, 2006

Vices


Não é fácil ser vice no Brasil. No esporte isso é quase compreensível, uma vez que de acordo com Nelson Piquet, o vice é o primeiro dos perdedores. É um truísmo que funciona perfeitamente para o simplificado mundo competitivo do perde-ganha.
Em política, o vice é o segundo dos ganhadores. Talvez aí resida a sua miséria.
O Brasil é cruel com seus vices porque o propósito de sua existência é cruel. O vice entra em cena nos momentos de morte, renúncia, oportunismo político ou qualquer outra desgraça institucional. Desconfiou-se do vice desde o início. O artigo 42 da Constituição de 1891 afirmava que o vice-presidente assumiria o cargo apenas se já houvesse transcorrido metade do mandato do presidente. Caso contrário, o vice assumiria e convocaria eleições imediatamente. Pois não deu outra: Deodoro renunciou com quase nove meses de mandato, Floriano assumiu e ao invés de convocar eleições, levou o mandato até o fim de maneira muito truculenta. Vices não são confiáveis!
Dali em diante, nenhum dos vices que assumiram o governo tiveram sossego. Café Filho ficou doente e foi impedido; João Goulart quase não tomou posse, assumiu o governo e sofreu um golpe; Pedro Aleixo sofreu um golpe dentro do golpe. Até hoje os teóricos da conspiração acreditam na participação de José Sarney na morte de Tancredo. O caso de Itamar Franco foi pior. Na impossibilidade de concederem um impedimento para ele também, resolveram ridicularizá-lo durante o resto do mandato. Marco Maciel foi discreto o tempo todo sabendo da aversão nacional ao cargo que ele ocupava. Os eleitores de Lula têm sérias restrições ao José Alencar. Aquele jeito bonachão não engana ninguém.
Aqui na Província, como não poderia deixar de ser, temos seguido a tradição. Alckmin era vice-governador e muitas das pessoas que torciam pela recuperação de Mário Covas não gostavam tanto assim dele. Gilberto Kassab é tão discreto que muitos paulistanos crêem não haver mais prefeito e vivem um parlamentarismo municipal. Claúdio Lembo entraria facilmente para a longa lista de vices discretos que apareceram na recente história política brasileira. Nove meses de mandato, talvez ninguém o notasse. Mas o caldo entornou justamente quando ele estava tomando conta da panela.
Nas duas entrevistas relacionadas abaixo, Lembo aborda uma série de questões do episódio(negociou ou não?) e outras estruturais (desigualdade social) de um ponto de vista surpreendente para alguém em sua posição e de seu partido. Tanto é que algumas pessoas acreditam que ele ficou louco. Pode ser. Mas talvez ele esteja tentando redimir uma categoria historicamente acuada e partiu para a ofensiva.

Entrevistas

Cláudio Lembo, na Folha de ontem e na Terra Magazine de hoje.
Comento outra hora.

quinta-feira, maio 18, 2006

Clica e vai

  • Terra Magazine: dirigida pelo Bob Fernandes, com Antonio Luis M. C. Costa, Jorge Furtado, Milton Hatoum entre outros. E mais: toda segunda uma nova tirinha das Cobras do Verissimo - a melhor notícia do ano até aqui!
  • Zica: bastou elencar a coluna do Franklin Martins aí ao lado e pouco tempo depois a TV Globo o dispensou. Se está relacionado ou não com a acusação do parajornalista, não sei, Dona Pureza, mas no Observatório tem toda a cobertura do caso.
  • Para não sentir que estou fazendo a mesma coisa e simplesmente tirar o link da página (que ainda é muito boa apesar de não ser mais atualizada), resolvi relacionar a página da CBN. E antes que digam "ih, ó o cara", me deixem explicar: além do Franklin Martins, também se pode ouvir os comentários de Juca Kfouri, Armando Nogueira, Xexéo e Cony, Arnaldo Jabor, Lucia Hippolito e Carlos Sardenberg, bastando para isso clicar no lugar certo. Lugar certo aí no sentido de "por sua conta e risco".
  • Dá até vergonha de falar, mas só descobri nesta semana que o Ivan Lessa publica textos na página da BBC Brasil. A vantagem é que podemos ler suas colunas desde 2002!
  • Mais ainda do que uma vergonha, esse sim um crime: descobri que a expressão "Clica e vai" é um plágio grosseiro e descarado da página do Millôr, outra que já deveria estar aqui ao lado. Como homenagem e para nos lembrar de que sou apenas um farsante, a expressão "Clica e vai" continuará ali onde nunca deveria ter entrado.
  • Engenhoso

    A chapa Geraldo Alckmin e José Jorge deve fazer parte de um plano para confundir os eleitores que pretendem anular o voto.

    segunda-feira, maio 15, 2006

    Resultados

    Jean-François Revel, filósofo francês falecido mês passado, admirava os EUA porque via ali uma sociedade-laboratório da globalização liberal. Para ele, se quiséssemos saber para onde esse modelo político-econômico estava nos levando, bastaria observarmos a sociedade americana. Era uma análise otimista, pró-americana e equivocada. Não apenas porque as medidas tomadas pelo governo norte-americano fariam John Locke revirar na tumba, mas também porque existem outros países que apresentam melhores laboratórios. Como o nosso, por exemplo.
    O sonho neoliberal tornou-se realidade aqui na Província: o Estado mínimo e tudo nas mãos da iniciativa privada. Ou como já disse o Verissimo, a substituição de uma cleptocracia para poucos por uma dinâmica cleptocracia de resultados. Falta de investimentos, ausência de uma política de segurança séria, policiais despreparados e grupos criminosos cada vez mais organizados. Não podia dar em outra coisa. A gente segue a receita, o bolo não cresce e ainda por cima queima.
    Como tudo piora, as soluções "cadeia ou IML"continuam ganhando adeptos. O autoritarismo do discurso 'direitos humanos para humanos direitos' - facilmente substituível por 'direitos humanos para humanos da direita' - está na ordem do dia. Mas ninguém admite ser essa a 'tentação totalitária'.

    A semanal

  • A matéria/entrevista da semana: justo quem, para quem, sobre quem e onde.
  • Conta-se que se a família Civita tivesse pedido um parecer ao ministro Roberto Campos a respeito da viabilidade da publicação de uma revista semanal de informação no Brasil, teriam ouvido que fariam melhor negócio se publicassem uma versão traduzida da revista Time. Mas naquela época quem fazia o papel de entreguista era o Bob Fields. Ou talvez fosse mais um visionário querendo nos poupar.
  • Do jeito que vai, a revista poderia assumir o alcoolismo de vez e mudar seu nome para 'Breja'.
  • sexta-feira, maio 12, 2006

    Jogo duro

    Agora passou da medida! Chega de convenções internacionais e bons modos. Devemos negociar à brasileira e dar duro neles. Estão pensando o quê? A proposta é a seguinte: trocamos o Acre pelo gás, eles levam o Hildebrando Pascoal e devolvem o cavalo. Dos bons, nada de lhamas!

    quarta-feira, maio 03, 2006

    Maus meninos

    O raciocínio brasileiro a respeito da nacionalização das operações de petróleo e gás boliviano foi sintetizado pelo mais ilustre comunista arrependido do país, deputado Roberto Freire (PPS-PE). Com originalidade, o deputado atribuiu ao governo Lula a culpa pela crise com a Bolívia. Mas ressaltou que o decreto do presidente boliviano foi um legítimo ato de soberania e que deve ser respeitado, uma vez que Evo Morales foi eleito pelo povo.
    Ou seja, se segui o raciocínio, Lula e o Itamaraty falharam porque não conseguiram impedir que Evo Morales tomasse uma decisão soberana no país onde foi eleito presidente pelo voto popular. Em suma, Lula e o Itamaraty erraram porque não foram suficientemente imperialistas.
    Os ranhetas que até outro dia defendiam a privatização da Petrobrás estrebucham indignados com essa afronta ao brios nacionais. Numa mistura de satisfação e horror, acusam o governo de incompetência e Morales de populista. Não me espantaria se até domingo descobrissem armas de destruição em massa na Bolívia. Nos próximos quarenta dias, serão os bolivianos os nossos vizinhos detestáveis da vez.