domingo, outubro 29, 2006

Passamento de Inês

Marco Aurélio foi o nome da eleição. O Mello pela bobagens ditas; o Garcia pelas evitadas.
* * *
Existem canalhas em qualquer lugar. Na família, entre os vizinhos, entre os amigos, no trabalho, na rua, no restaurante, no governo, no espelho – ninguém está totalmente livre do convívio com um canalha. Os canalhas mais preparados têm desculpas na ponta da língua para justificar suas canalhices. E há sempre gente honesta defendendo canalhas, talvez apenas porque faz parte da mesma família, mora no mesmo prédio ou tem a mesma profissão que o canalha e teme ser confundido com ele. Compreensivelmente quer evitar generalizações.
Mas não exagera, Dines. Não exagera.
* * *
Magalhães, Sarney... 2006 não foi um bom ano para as dinastias políticas do país. Com exceção de São Paulo, claro, que mantem a sua firme e forte.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Pois é

Surya, parece que Alckmin não vai ganhar a eleição e portanto nunca vamos saber se ele está, em bom tucanês, faltando com a verdade. Suas promessas de acabar com a reeleição e não privatizar as estatais restantes seriam difíceis de engolir ainda que as registrasse em cartório, dada a relação esquizofrênica que o tucanato mantêm com o que eles mesmos escrevem.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Assim é se lhe parece

Os tucanos comemoram o desempenho de Alckmin no debate como se ele houvesse derrotado Lula e não precisasse mais haver eleição. Seria o ideal, claro, mas temos que ir devagar e respeitar o mínimo de protocolo, gente. Como por exemplo no caso de abertura de um processo de impeachment, que misteriosamente desapareceu do bico tucano-pefelista desde que Alckmin assegurou a realização de segundo turno.
As comparações entre o debate e uma luta de boxe também são injustas. Em primeiro lugar, porque o boxe é a "nobre arte" e depois da anunciada aposentadoria de Popó o esporte já sofreu baixas demais nessa semana e por isso merecia mais respeito dos analistas. Entretanto, se querem mesmo enveredar pelo tortuoso caminho, não custa lembrar que Alckmin já havia sido chamado de Desafiante pela prestidigitadora Veja, revista que se comporta como o Don King do candidato. E se realizado semanas atrás, poderíamos ter confundido o debate da Band com o The Contender transmitido pela Rede TV. Não pelo boxe, mas pela dublagem ruim do tal desafiante.
Por fim, aqueles que se surpreenderam com o comportamento agressivo de Alckimin nunca prestaram muita atenção nele. Alckmin sabe que aquele discurso de padre de paróquia adotado no primeiro turno não vai tirar a diferença de votos contra Lula. Mas se engana quem pensa que ele se esforça para fazer o papel de brucutu. Quem teve Tiranossaulo como secretário de segurança pública dispensa apresentações.

domingo, outubro 08, 2006

Debate

Faltam 10 minutos para começar o debate. Mas já dá para imaginar como será.

terça-feira, outubro 03, 2006

Delegado fotógrafo

... e os jornalistas amestrados:

Silêncio absoluto sobre as circunstâncias do vazamento das fotos do dinheiro. Exceções: matéria da Carta Capital (Duas trincheiras) e um artigo do Luiz Weis no Observatório.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Faltou falar

Plano B: como se lê nos textos da Surya e da Anna, Bahia (Jaques Maravilha!) e Buenos Aires também são opções viáveis.
* * *
Frase do dia, ainda pensando na contribuição que SP deu à Câmara neste ano:
"Democracia é aquela forma de governo em que todos têm o que a maioria merece"
James Dale Davidson

Outubro sem fim

Respire fundo! Fale um palavrão! Isso! Melhorou? Não? Fale outro! Mais alto! E agora? Ótimo! Então relaxe, sente-se, aproveita que a Lei Seca já terminou e peça uma para o garçom. Tem fósforo?
* * *
Tarso Genro diz que a "refundação" do PT é uma necessidade. Comecemos pelo bordão do João Ferrador: "Hoje eu não tô bom!"
* * *
Como disse o Renato Janine na Folha de ontem, eleição não é a luta do bem contra o mal. Não se deixe abater. Desânimo, não! Ainda estamos melhores que as crianças, que por causa do segundo turno vão continuar sem televisão mais um mês.
* * *
O Chico de Oliveira deu uma entrevista há cerca de dois meses na TV Cultura (que hoje mais parece um puleiro de tucanos), quando Heloísa Helena havia alcançado seu maior índice nas pesquisas, e disse que com ressentimento não se faz nada em política. Claro que se referia principalmente ao PSOL, mas também à boa parte dos petistas que insistiam em algumas críticas um tanto desonestas contra a mulher - e concordei com ele. Conversando com meu irmão nesta tarde, cheguei a conclusão de que essa eleição será decidida pelos ressentidos, o que não é um prognóstico animador.
Para ganhar a eleição, Lula, o PT e seus militantes precisam conquistar os votos dos eleitores do PSOL e de Cristovam Buarque que se ressentiram com o governo pelos motivos corretos. O governo deve buscar acordo e assumir determinados compromissos se quiser continuar governo. Falta de humildade e auto-sabotagem já custou o primeiro turno. Quanto aos que se ressentiram com o governo pelos motivos menos louváveis, pode esquecer. Já estão contabilizados para o adversário.
Vai ser uma tarefa difícil.
* * *
Texto para o eleitor de outro Estado que inadvertidamente passar por aqui:
Piedade! Aqui na província já temos o PFL na prefeitura, o PSDB no governo do Estado... Não permita que Alckmin seja o próximo presidente, por favor! Sei que nós não estamos em condições de exigir nada. Fomos maus e agora o país inteiro terá que conviver com Maluf, Clodovil, Celso Russomano e Enéas na Câmara dos Deputados. Confio em seu discernimento; o nosso já perdemos. Impeça a "locomotiva do Brasil" de nos levar e imploda os trilhos, eleitor brasileiro! Perdão! Seja magnânimo!
Muito bem, todos de pé.

domingo, outubro 01, 2006

Leituras no domingo de eleição

Mais importante do que a apuração e o resultado das eleições amanhã, quando saberemos se haverá segundo turno na disputa presidencial, será a entrevista coletiva do delegado Edmilson Bruno.
* * *
Independente do que ocorrer, Lula consolida seu papel de figura política mais importante desde a chamada redemocratização. De 1989 até aqui, as campanhas presidenciais foram o embate entre Lula e o anti-Lula, com ampla vantagem para esse último. A Era Lula representa um período muito maior do que seu mandato. Nem que seja pelo negativo.
* * *
Hoje, os jornalões da província tentam o desfibrilador na campanha pelo segundo turno. Resta saber se funciona.
* * *
Na faculdade, tive a oportunidade de ouvir o professor Leonel Itaussu algumas vezes. Além de observador extremamente lúcido, suas colocações costumavam ser muito bem humoradas. O professor concedeu entrevista ao Terra Magazine hoje:
Como as denúncias de corrupção durante o mandato de Lula afetaram a imagem do presidente?
As denúncias de corrupção atingiram setores expressivos do PT, mas não respingaram na imagem que a opinião pública faz do presidente. Em nenhum momento se registrou queda da popularidade dele. O PT, como filho do Lula - o presidente ajudou a fundar o partido - acabou assumindo uma outra cara, a do filho mal-educado que vive fazendo traquinagem, batendo o carro do pai, chegando em casa depois da meia noite, bebendo mais do que deve e cantando a mulher do vizinho.
A entrevista completa aqui.
* * *

Minha escolha para melhor leitura sobre eleições é O dia de um escrutinador, de Italo Calvino.

quarta-feira, setembro 27, 2006

O que falta

Para o caso do dossiê se transformar no Watergate:
1) Um presidente impopular;
2) Um país onde o presidente seja considerado e respeitado como um super-herói;
3) Uma imprensa livre. Nem precisa ser progressista. Qualquer coisa como o Washington Post já serve;
4) Trabalho incansável de jornalistas como Bob Woodward e Carl Bernstein;
5) Um filme pornô famoso para servir de codinome para a fonte;
Ou seja, quase nada.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Fora de hora

O post abaixo estava pronto faz um tempo, mas sabem como é.
"Li um artigo recente do Luis Fernando Verissimo em que ele dizia que iria votar no Lula porque estava acostumado. Ele nem sabe mais por que é que vai votar no Lula, não tem argumentos para isso a não ser a rotina. Ora, o intelectual não pode se conformar com a rotina, de abrir mão da capacidade de refletir. Pode ser com relação ao PT, ao Lula ou a mim, mas você tem que refletir. Eu continuo votando porque sempre votei? Não é um intelectual, não está à altura de sera a expressão mais sofisticada de um sentimento."
(FHC em entrevista ao JT, publicada em 11/09
e republicada pelo Estado, dia 14/09)
A curta resposta do Verissimo (15/09) é a nova epígrafe do TFV.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Do sábado para domingo

Art Brut, top of the pops
Franz Ferdinand, top of the pops
Radio 4, top of the pops
Art Brut, top of the pops
Franz Ferdinand, top of the pops
Radio 4, top of the pops
Etc, etc

segunda-feira, setembro 11, 2006

É isso

De acordo com o Coringa em A Piada Mortal, todos somos loucos de alguma maneira e "apenas um dia ruim" separa um homem são de um completo lunático. Na história ele sequestra Gordon e submete o comissário às mais terríveis torturas psicológicas para comprovar sua tese. No momento em que é libertado pelo Batman, Gordon pede ao herói que vá atrás do Coringa para prendê-lo, mas pela lei. - Temos de mostrar que o nosso jeito funciona!
O exemplo é bobo, bobo, mas lembrei dele nesta manhã enquanto lia a notícia do assassinato do coronel Ubiratan. Esperar tiro na barriga ou a manifestação divina para que haja a condenação dos responsáveis pela barbárie não faz parte dos meus ideais de justiça. Preferia ele preso. Agora ele está morto, é só.
E tivemos o dia mais quente do inverno nesta província do país onde tudo está tão miseravelmente fora de lugar.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Campanhas

  • Alguns slogans da atual campanha política primam pela imbecilidade completa. E não estou falando dos pequenos candidatos cretinos que utilizam o espaço que têm para fazer uma graça e conquistar simpatizantes desatentos. Estou me referindo aos grandes candidatos que por vezes, talvez contagiados pelo baixo nível da campanha, queiram competir também em termos de estupidez.
  • Já recebi uma série de santinhos de candidatos citando salmos, se Deus é por nós, quem será contra?, entre outras mensagens de esperança e fé. Mas se Deus é por eles, por que precisam do meu voto?
  • O programa do Lula pode ter sido gravado ainda em 2002. O candidato já contava com a vitória naquele ano e provavelmente decidiu usar a equipe e o dinheiro para adiantar a gravação da campanha para a reeleição. CPI nele.
  • Cristovam Buarque parece estar fazendo campanha para o PT. A cenografia continua a mesma da campanha do Lula em 2002. O céu azul claro, as nuvens, a graminha verde. Só faltou a estrelinha.
  • Heloísa Helena fala sorrindo o tempo todo. Incomoda um pouco, principalmente quando ela se refere aos banqueiros, aos políticos corruptos, aos mensaleiros e aos sanguessugas. Parece sadismo. Além disso, para quem estava acostumado com a senadora sempre algumas oitavas acima, dá a impressão que ela está blefando.
  • O estilo "bate, doutor" de Alckmin é de um amadorismo abissal simplesmente porque consolida os votos já consolidados. Não é medida totalmente inócua porque contagiou o Eymael. Mas o Eymael também não vai votar no Alckmin.
  • Alguém também ouviu Luciano Bivar falando "hetacombe social" ou eu já estava delirando?
  • segunda-feira, setembro 04, 2006

    Falta de assunto

    Sem desmerecer a opinião de ninguém, o que o Paulo Betti, o Wagner Tiso ou a Regina Duarte têm a dizer sobre a política nacional não me interessa. Alguém pergunta para o Lula o que ele acha de Páginas da Vida? Claro que não. Porque não interessa. Pergunta para o Alckmin? Não. Pergunta para a Heloísa Helena? Não. Porque não interessa.
    E levando em conta as últimas declarações de lavra udenista, ninguém pergunta para FHC porque tem medo dele querer censurar a novela.

    Gunter Grass

    Gunter Grass não esperou pela posteridade e optou por admitir em vida sua participação na SS nazista. Como a hipocrisia também tem suas formalidades, a confissão veio acompanhada das sutilezas de praxe (muito jovem, apenas 17 anos, etc.).
    Ninguém pretende ou quer julgar o jovem Grass, mas criticar a decisão de um adulto que convenientemente esperou tanto para reconhecer um erro.
    PS: Gianni Carta escreveu um artigo preciso sobre o assunto na Carta Capital da última semana.

    Atualização

    Leia, leia
    Like David Bowie
    Meio-Bossa-Nova
    Terapia Zero

    Clica e vai
    Franklin Martins tem página nova.
    Mino Carta agora também tem blog!

    segunda-feira, agosto 21, 2006

    Atos falhos

    O presidente apresenta uma série de dados a respeito do crescimento econômico, do aumento da oferta de empregos, e do volume das exportações. O sindicalista observa que “a única coisa que cai é o salário”. O presidente se defende e diz que o que caí são os juros e a inflação, mas acabou de ser desmentido em cadeia nacional por um sindicalista inconformado com o discurso macroeconômico. O problema para ambos é que são a mesma pessoa.
    * * *

    O candidato aponta as migrações como a causa da má qualidade do ensino no Estado. Nenhuma seqüela grave. A brigada de incêndio é muito eficiente.

    quinta-feira, agosto 17, 2006



    Verissimo, jazz, arte do Baptistão, futebol...
    Quanta alegria!

    terça-feira, agosto 15, 2006

    Reunião de condomínio

    Não fossem algumas perguntas mais incisivas dos jornalistas no penúltimo bloco do debate presidencial de ontem e poderíamos tê-lo confundido com uma cordial reunião de condomínio. Todos foram elegantes no trato, poucas acusações, muitos elogios, eventuais reminiscências, nenhum inconveniente ou pergunta constrangedora e naturalmente críticas duras ao condômino ausente. Até Eymael arriscou um gracejo bem sacado e arrancou algumas risadas. Tudo muito descontraído.
    Como Lula provavelmente não aparecerá para nenhum dos encontros programados, não se espante se nos próximos os candidatos combinarem de levar alguns refrigerantes e sanduíches de metro que serão servidos pelos mediadores durante o debate.
    PS: A Surya gentilmente me lembrou que eu não disse que o Renato Janine Ribeiro é o autor do texto sobre Cuba listado abaixo. Mas espero que tenham sido tão corajosos quanto ela e enfrentado o desconhecido.

    segunda-feira, agosto 14, 2006

    Tá esperando o quê?

    Cláudio Lembo ainda não colocou Saulo Abreu no olho da rua por motivos estratégicos ou por dó. Os motivos estratégicos - uma vez que a demissão do secretário eliminaria um boquirroto polêmico que convenientemente desvia o foco das críticas ao modelo de segurança adotado no Estado e até aqui conseguiu apenas conquistar corações boquirrotos e polêmicos, ou seja, nada - são compreensíveis.
    Mas se Lembo não o demitiu por temer que o secretário amargue uma difícil recolocação no mercado de trabalho nesses tempos bicudos, embora reconheça a louvável preocupação com um companheiro de administração, gostaria de garantir ao governador que não há porquê se preocupar. Temos uma revista semanal que adora colunistas boquirrotos e polêmicos.

    domingo, agosto 13, 2006

    Truque sujo

    Uma semana sem publicar nada e vir aqui colocar um link para texto alheio não é muito bonito, mas é uma forma de mostrar que as leituras também estão atrasadas. Esse artigo sobre Cuba, por exemplo, saiu dia 04/08 no Valor.

    quarta-feira, agosto 02, 2006

    Notas

    "Sob a democracia, um partido devota suas principais energias à tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar - e ambos conseguem e ambos estão certos".
    H.L. Mencken
    * * *
    Sou contra o voto nulo. Questão de princípios, para não dizer que acho bobagem mesmo. É um voto tão democrático quanto qualquer outro, mas tenho medo das pessoas que anulam. Elas não tem senso de humor.
    * * *
    Lançaram ontem a política do "café-com-leite do século XXI". Como se precisasse.
    * * *
    TFV Serviço: tem texto do Verissimo na Carta Maior.

    segunda-feira, julho 31, 2006

    Mulheres são da Terra, Super-Homens são de Krypton

    Esqueça Lex Luthor. O coitado quer apenas dominar o mundo. O verdadeiro duelo do novo filme do Super-Homem ocorre entre Lois Lane e o kryptoniano. O filme todo é uma grande DR.
    Já no início ficamos sabendo que o Super-Homem esteve fora cinco anos, tentando descobrir o que houve com Krypton. Foi embora e não se despediu de ninguém, nem da Lois. Mas ela não deixa barato. Quando ele volta para a Terra, descobre que ela ganhou um Pulitzer por um artigo intitulado ‘Por que não precisamos do Super-Homem’, que está casada com o sobrinho do chefe e tem um filho.
    Ele salva a vida dela, ela não dá a mínima. O mundo celebra a volta do herói, ela não se interessa. Ela pergunta pelos motivos do desaparecimento. Ele responde que buscava suas origens e outros sobreviventes de seu planeta tristemente destruído para aplacar um sentimento de solidão num Universo em constante expansão, mas ela não quer nem saber. Ela pergunta porque ele voltou, ele explica que estender a mão para as pessoas desesperadas que necessitam de ajuda nesse mundo cada dia mais cruel e intolerante é o verdadeiro papel do herói, mas ela diz que está muito bem sem ele, obrigada.
    Ele salva a vida dela novamente. Ele salva o mundo. Ela também salva a vida dele. Mas gostaria de salvar mais uma para não ficar devendo nada.

    quinta-feira, julho 20, 2006

    Outra vez

    Justificando as investidas contra o Líbano e criticando as acusações de que os ataques de Israel são desproporcionais, Shimon Peres disse em entrevista ao Global Viewpoint (publicada pelo Estado) que "existem quatro organizações imunes a qualquer consideração diplomática ou política: Irã, Síria, Hamas e Hezzbollah - dois países e duas organizações terroristas". Nas contas deveria ter incluido também Israel e os EUA, sem esquecer o próprio Líbano, já que o apreço diplomático pelo país é nenhum.
    Israel tem um salvo-conduto concedido pelo Texas de mais uma semana para arrebentar todo o Líbano à procura dos foguetes e membros do Hezzbolah. Resultado até agora: quatro membros do Hezzbolah mortos e 500 mil libaneses refugiados segundo a UNESCO. Talvez não seja a forma mais apropriada de "devolver a esperança aos libaneses" ou impedir a escalada de violência no Oriente Médio.

    quinta-feira, julho 13, 2006

    Onda

    Quem diz que os ataques do PCC servem para desestabilizar a campanha tucana é débil mental ou cínico.

    domingo, junho 11, 2006

    Informe

    Para ninguém dizer que sou um alienado, estou postando textos sobre a Copa lá no Q2I.

    quarta-feira, junho 07, 2006

    Irrelevância

    Vira e mexe a turma interessada em enterrar de vez as universidades públicas do país cita o eficiente modelo chileno de financiamento do ensino. O que os estudantes chilenos pensavam a respeito era irrelevante. Hoje nós já sabemos a resposta.
    * * *
    Outra questão irrelevante no Brasil, a social, continua sendo tratada como caso de polícia. É o mantra. Ao comparar o PCC ao MLST, Artur Virgílio está apenas recitando o rare-rama nacional.
    * * *
    O funcionário da Câmara que tomou uma pedrada e foi internado em estado grave com traumatismo craniano tem pai, irmão e esposa grávida do segundo filho. Dos manifestantes ninguém sabe qualquer coisa. Ou não se lembrou de perguntar. Por irrelevância.
    * * *
    Depois da declaração do ACM exigindo uma reação das Forças Armadas para impedir que o país se transforme numa "ditadura sindical" liderada pelo "homem mais corrupto que já chegou à Presidência da República", é bom averiguar se ele também não tomou alguma pedrada na cabeça também.

    domingo, junho 04, 2006

    Anrã

    Entre os dias 13 e 20 de maio foram registrados nas delegacias 28 casos de resistência seguida de morte (mortes em confronto com policiais). Das 28 pessoas mortas nesses confrontos, 20 foram atingidas por disparos efetuados de cima para baixo e o ângulo dos disparos indica que as vítimas poderiam estar ajoelhadas ou deitadas no chão.
    Os defensores públicos que analisaram os laudos afirmaram que não se pode fazer um julgamento apressado a respeito da ação da polícia e a conclusão (se ocorreram ou não execuções) depende de outros fatores.
    A Defensoria Pública está fazendo o seu trabalho com responsabilidade e numa atitude serena e louvável preferiu não dar declarações que soariam levianas nesses momento tão delicado. Mas se não ficar comprovado que os homens da corporação são muito mais altos que a média nacional, haja física para explicar o que aconteceu nesses casos.

    sexta-feira, maio 19, 2006

    Vices


    Não é fácil ser vice no Brasil. No esporte isso é quase compreensível, uma vez que de acordo com Nelson Piquet, o vice é o primeiro dos perdedores. É um truísmo que funciona perfeitamente para o simplificado mundo competitivo do perde-ganha.
    Em política, o vice é o segundo dos ganhadores. Talvez aí resida a sua miséria.
    O Brasil é cruel com seus vices porque o propósito de sua existência é cruel. O vice entra em cena nos momentos de morte, renúncia, oportunismo político ou qualquer outra desgraça institucional. Desconfiou-se do vice desde o início. O artigo 42 da Constituição de 1891 afirmava que o vice-presidente assumiria o cargo apenas se já houvesse transcorrido metade do mandato do presidente. Caso contrário, o vice assumiria e convocaria eleições imediatamente. Pois não deu outra: Deodoro renunciou com quase nove meses de mandato, Floriano assumiu e ao invés de convocar eleições, levou o mandato até o fim de maneira muito truculenta. Vices não são confiáveis!
    Dali em diante, nenhum dos vices que assumiram o governo tiveram sossego. Café Filho ficou doente e foi impedido; João Goulart quase não tomou posse, assumiu o governo e sofreu um golpe; Pedro Aleixo sofreu um golpe dentro do golpe. Até hoje os teóricos da conspiração acreditam na participação de José Sarney na morte de Tancredo. O caso de Itamar Franco foi pior. Na impossibilidade de concederem um impedimento para ele também, resolveram ridicularizá-lo durante o resto do mandato. Marco Maciel foi discreto o tempo todo sabendo da aversão nacional ao cargo que ele ocupava. Os eleitores de Lula têm sérias restrições ao José Alencar. Aquele jeito bonachão não engana ninguém.
    Aqui na Província, como não poderia deixar de ser, temos seguido a tradição. Alckmin era vice-governador e muitas das pessoas que torciam pela recuperação de Mário Covas não gostavam tanto assim dele. Gilberto Kassab é tão discreto que muitos paulistanos crêem não haver mais prefeito e vivem um parlamentarismo municipal. Claúdio Lembo entraria facilmente para a longa lista de vices discretos que apareceram na recente história política brasileira. Nove meses de mandato, talvez ninguém o notasse. Mas o caldo entornou justamente quando ele estava tomando conta da panela.
    Nas duas entrevistas relacionadas abaixo, Lembo aborda uma série de questões do episódio(negociou ou não?) e outras estruturais (desigualdade social) de um ponto de vista surpreendente para alguém em sua posição e de seu partido. Tanto é que algumas pessoas acreditam que ele ficou louco. Pode ser. Mas talvez ele esteja tentando redimir uma categoria historicamente acuada e partiu para a ofensiva.

    Entrevistas

    Cláudio Lembo, na Folha de ontem e na Terra Magazine de hoje.
    Comento outra hora.

    quinta-feira, maio 18, 2006

    Clica e vai

  • Terra Magazine: dirigida pelo Bob Fernandes, com Antonio Luis M. C. Costa, Jorge Furtado, Milton Hatoum entre outros. E mais: toda segunda uma nova tirinha das Cobras do Verissimo - a melhor notícia do ano até aqui!
  • Zica: bastou elencar a coluna do Franklin Martins aí ao lado e pouco tempo depois a TV Globo o dispensou. Se está relacionado ou não com a acusação do parajornalista, não sei, Dona Pureza, mas no Observatório tem toda a cobertura do caso.
  • Para não sentir que estou fazendo a mesma coisa e simplesmente tirar o link da página (que ainda é muito boa apesar de não ser mais atualizada), resolvi relacionar a página da CBN. E antes que digam "ih, ó o cara", me deixem explicar: além do Franklin Martins, também se pode ouvir os comentários de Juca Kfouri, Armando Nogueira, Xexéo e Cony, Arnaldo Jabor, Lucia Hippolito e Carlos Sardenberg, bastando para isso clicar no lugar certo. Lugar certo aí no sentido de "por sua conta e risco".
  • Dá até vergonha de falar, mas só descobri nesta semana que o Ivan Lessa publica textos na página da BBC Brasil. A vantagem é que podemos ler suas colunas desde 2002!
  • Mais ainda do que uma vergonha, esse sim um crime: descobri que a expressão "Clica e vai" é um plágio grosseiro e descarado da página do Millôr, outra que já deveria estar aqui ao lado. Como homenagem e para nos lembrar de que sou apenas um farsante, a expressão "Clica e vai" continuará ali onde nunca deveria ter entrado.
  • Engenhoso

    A chapa Geraldo Alckmin e José Jorge deve fazer parte de um plano para confundir os eleitores que pretendem anular o voto.

    segunda-feira, maio 15, 2006

    Resultados

    Jean-François Revel, filósofo francês falecido mês passado, admirava os EUA porque via ali uma sociedade-laboratório da globalização liberal. Para ele, se quiséssemos saber para onde esse modelo político-econômico estava nos levando, bastaria observarmos a sociedade americana. Era uma análise otimista, pró-americana e equivocada. Não apenas porque as medidas tomadas pelo governo norte-americano fariam John Locke revirar na tumba, mas também porque existem outros países que apresentam melhores laboratórios. Como o nosso, por exemplo.
    O sonho neoliberal tornou-se realidade aqui na Província: o Estado mínimo e tudo nas mãos da iniciativa privada. Ou como já disse o Verissimo, a substituição de uma cleptocracia para poucos por uma dinâmica cleptocracia de resultados. Falta de investimentos, ausência de uma política de segurança séria, policiais despreparados e grupos criminosos cada vez mais organizados. Não podia dar em outra coisa. A gente segue a receita, o bolo não cresce e ainda por cima queima.
    Como tudo piora, as soluções "cadeia ou IML"continuam ganhando adeptos. O autoritarismo do discurso 'direitos humanos para humanos direitos' - facilmente substituível por 'direitos humanos para humanos da direita' - está na ordem do dia. Mas ninguém admite ser essa a 'tentação totalitária'.

    A semanal

  • A matéria/entrevista da semana: justo quem, para quem, sobre quem e onde.
  • Conta-se que se a família Civita tivesse pedido um parecer ao ministro Roberto Campos a respeito da viabilidade da publicação de uma revista semanal de informação no Brasil, teriam ouvido que fariam melhor negócio se publicassem uma versão traduzida da revista Time. Mas naquela época quem fazia o papel de entreguista era o Bob Fields. Ou talvez fosse mais um visionário querendo nos poupar.
  • Do jeito que vai, a revista poderia assumir o alcoolismo de vez e mudar seu nome para 'Breja'.
  • sexta-feira, maio 12, 2006

    Jogo duro

    Agora passou da medida! Chega de convenções internacionais e bons modos. Devemos negociar à brasileira e dar duro neles. Estão pensando o quê? A proposta é a seguinte: trocamos o Acre pelo gás, eles levam o Hildebrando Pascoal e devolvem o cavalo. Dos bons, nada de lhamas!

    quarta-feira, maio 03, 2006

    Maus meninos

    O raciocínio brasileiro a respeito da nacionalização das operações de petróleo e gás boliviano foi sintetizado pelo mais ilustre comunista arrependido do país, deputado Roberto Freire (PPS-PE). Com originalidade, o deputado atribuiu ao governo Lula a culpa pela crise com a Bolívia. Mas ressaltou que o decreto do presidente boliviano foi um legítimo ato de soberania e que deve ser respeitado, uma vez que Evo Morales foi eleito pelo povo.
    Ou seja, se segui o raciocínio, Lula e o Itamaraty falharam porque não conseguiram impedir que Evo Morales tomasse uma decisão soberana no país onde foi eleito presidente pelo voto popular. Em suma, Lula e o Itamaraty erraram porque não foram suficientemente imperialistas.
    Os ranhetas que até outro dia defendiam a privatização da Petrobrás estrebucham indignados com essa afronta ao brios nacionais. Numa mistura de satisfação e horror, acusam o governo de incompetência e Morales de populista. Não me espantaria se até domingo descobrissem armas de destruição em massa na Bolívia. Nos próximos quarenta dias, serão os bolivianos os nossos vizinhos detestáveis da vez.

    segunda-feira, abril 24, 2006

    De esquerda


    A cena é antológica. No filme Aprile, Nanni Moretti acompanha o debate entre Massimo D'Alema e Sílvio Berlusconi pela televisão, caminha de um lado para outro na sala inconformado com o desempenho de D'Alema diante dos disparates de Berlusconi e, num misto de raiva e vergonha, grita: "Reage, D'Alema! Responda alguma coisa, reage! Diz alguma coisa de esquerda!".
    Estamos esperando "alguma coisa de esquerda". Qualquer coisa.
    * * *
    Vários comentaristas associam o comportamento da imprensa em relação ao governo atual com a atuação da imprensa na década de 50 e 60. Mas naquela época as coisas se resolviam de maneira diferente. Um amigo lembrou uma história nada exemplar e sintomática.
    David Nasser, repórter de O Cruzeiro e um dos símbolos da pior imprensa que se fazia por aqui, vivia escrevendo artigos criticando Leonel Brizola de forma bem deselegante. Certa vez, Brizola encontrou Nasser no saguão de um aeroporto e não teve dúvidas: nocauteou o repórter com dois socos.
    Tratando-se do Brizola, não sei se os socos foram de esquerda, mas combinar posicionamento político e os punhos favorece sempre a reação. Atitudes intempestivas como a de Brizola tiveram sua época e, vá lá, o seu charme. Hoje em dia, não têm mais lugar. Porém, uma vez que estamos voltando para os Anos Dourados, uns parajornalistas por aí bem que mereciam uns sopapos. Ou pelo menos uma escarrada na cara.

    sábado, abril 22, 2006

    Clica e vai

    Sai Markun (gente que não atualiza o blog é fogo!), entra Franklin Martins.

    quinta-feira, abril 06, 2006

    Olha aí

    Quando digo que São Paulo é provinciana de dar dó, algumas pessoas acham que estou exagerando. Mas em que lugar do país alguém faria isso?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Imagina

    O IBGE publicou hoje: o PIB de 2005 foi de R$ 1,9 trilhão, o que representa um PIB per capita de R$ 10,5 mil. Ah, se isso correspondesse a realidade! Que beleza, hein? Ninguém pagaria Imposto de Renda!

    terça-feira, março 28, 2006

    Desatentos

    Quem diria que a queda de Palocci seria provocada por um presidente de banco?
    * * *
    Ninguém aí acredita que o foi o caseiro quem derrubou o ministro, né? Ah, bom! Era só para ter certeza.
    * * *
    "Nildo, como é chamado na intimidade, foi outra surpresa de março. Que do bem seja. Por enquanto, como o presidente espanhol diante das promessas do ETA, me reservo o direito da cautela. Achei um pouco demais ele se referir a si próprio na terceira pessoa, como se fosse uma entidade ou Pelé, e soltar bordões e slogans mais adequados ao palanque do PSDB.
    Felizmente, Nildo é do sexo masculino. Ao menos de um ensaio fotográfico na Playboy já nos livramos."
    (Sérgio Augusto, em artigo do Aliás, domingo passado)
    * * *
    Quando acusavam o governo de incompetência e despreparo, nossa falta de atenção pensava que se tratava de preconceito e dor-de-cotovelo. Não era. Era know-how.

    sexta-feira, março 24, 2006

    De que jeito?

    Não consegui me indignar com as fotos da capa do Estadão de hoje que mostram a deputada Angela Guadagnin (PT-SP) dançando alegremente no plenário da Câmara após a absolvição do colega deputado João Magno (PT-MG). Pelo contrário, morri de rir. Não agüentei, desculpem.
    Sei que não deveria, afinal de contas, que coisa, né, gente? Nào há nada de engraçado. Desfaçatez, certo. Como cidadão brasileiro, eleitor e contribuinte, deveria espumar de raiva. Mas não resisto ao carisma de uma vovó faceira.

    quinta-feira, março 16, 2006

    Anauê

    "O primeiro dia de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa da família, da religião e da tradição e passou por ataques ao MST e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva." (sinopse de capa da FSP publicada pela Radiobras)
    PS: Ontem, na abertura do 10 º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores realizado nesta Província)



    Papelão

    Se continuar negando que esteve na mansão da 'República de Ribeirão', Palocci pode passar pelo constrangimento de uma acareação com o caseiro que informou em entrevista ao Estadão (terça-feira, 14.03, o primeiro 'furo' deles desde o início da crise toda) ter visto o ministro algumas vezes por lá. Se admitir agora que já esteve na mansão, significa que mentiu no seu depoimento à CPI e sua saída do ministério seria uma questão de horas.
    Alguns amigos sugerem que Palocci admita visitas à mansão, não para repartir dinheiro, mas como convidado das famosas festas organizadas ali, para transformar o caso em deslize moral e preservar a figura de Lula. Depois disso, em contrapartida, o governo deveria oferecer ajuda ao ministro e impedir a aplicação dos bons cascudos que ele vai tomar em casa.

    quarta-feira, março 15, 2006

    Apelando

    Se a garrafal manchete do Estadão de hoje (Alckmin enfrentará Lula) está correta, ontem foram decididas duas candidaturas à presidência da República, e não apenas a candidatura do PSDB como registrou a Folha (Alckmin será o candidato do PSDB). Claro, seremos todos mico-de-circo se o presidente não sair candidato à reeleição, mas Lula não anunciou sua candidatura ainda.
    A cobertura do anúncio também funcionou como ensaio geral de uma eventual cerimônia de posse de Alckmin. Entendo que queiram comemorar a indicação e o final da novela, afinal também sabemos qual candidato será apoiado pelo jornal na eleição, mas trazer biografia, trajetória política, histórico escolar e fotos da infância de Alckmin por causa do anúncio de sua candidatura à presidência é um pouquinho demais, não? Se Anthony Garotinho vencer as prévias do PMDB neste final de semana, vão fazer a mesma coisa?
    O jornal está muito preocupado em desde já polarizar a eleição e criar um clima plebiscitário, mas haverá tempo suficiente para amolar as facas e erguer as barricadas. Calma, pessoal! Olha o coração!

    Indocências

    (A seção Indocências ganha espaço permanente no TFV a partir de
    hoje e infelizmente não tem data para terminar)

    Pesquisa

    Nesta quarta-feira e pela primeira vez desde o início do ano letivo, a discussão sobre o eliminado do BBB perdeu a liderança na pauta de assuntos no colégio. O tema hoje era naturalmente o anúncio da candidatura de Geraldo Alckmin. O que talvez possa ser explicado pelo clima e cobertura digna de reality show.

    Democracia madura
    - Tomara que o Lula não ganhe a eleição. Pelo amor de Deus, Lula não! Sem querer parecer preconceituoso, mas como um cara que teve a capacidade de perder um dedo numa máquina pode ser presidente? Como uma pessoa que não consegue tomar conta do próprio dedo pode tomar conta do Brasil?

    terça-feira, março 14, 2006

    Um ano


    Ontem o blog fez aniversário. A culpa é toda sua! Parabéns!

    Notícia

    Enquanto isso, em qualquer outro lugar do Brasil.
    - Você viu? O candidato do PSDB vai ser o Geraldo Alckmin.
    - Quem?
    - Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.
    - Hum...
    - Aquele que era vice do Covas.
    - Ah!

    Fim de novela

    Em janeiro, Geraldo Alckmin afirmou que não gostaria de ser candidato por W.O.. Mas foi quase.
    Sabendo que seu nome não seria ungido pela cúpula tucana e teria que disputar (e provavelmente perder) as prévias, José Serra desistiu da candidatura.
    Ganhou quem bateu primeiro. Alckmin mostrou mais habilidade do que Serra e maior conhecimento a respeito do partido do que o próprio triunvirato. Alguns serristas acusaram, com razão, os métodos "malufo-quercistas" de Alckmin para obter a indicação do partido. Mas num partido cada dia mais parecido com o PMDB, Alckmin usou estratégia conhecida e se embrenhou na burocracia do partido.
    Com isso, inviabilizou o tradicional método de escolhas entre os tucanos. O PSDB também não resistiria às prévias. A candidatura Alckmin custaria menos ao PSDB, por isso acabou vencendo.

    Ciência hoje

    O Partido dos Ranfastídeos anunciou hoje a candidatura do Sr. Cucurbitáceo à presidência da República das Musáceas. Sr. Cucurbitáceo deverá enfrentar o Sr. Cefalópode que atualmente ocupa o cargo.

    É cada uma

    Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.
    Mania 01 - Quando alguém me pede informação na rua, paro e respondo com toda a paciência. No caso de ruas ou linhas de ônibus, procuro ser o mais claro possível e repito sempre que necessário todas as coordenadas. Sábado, ajudei um argentino a chegar no Instituto Butantã e ainda anotei para ele o número da linha que ele deveria tomar para voltar até a rodoviária. Algumas pessoas chamam de educação, mas acho que é mania.
    Mania 02 - Falar sozinho em inglês. Estupidez promovida a mania.
    Mania 03 - Faço minhas refeições rápido demais, independente do volume de comida e do tempo disponível. Os amigos reclamam, então deve ser mania.
    Mania 04 - Não consigo olhar muito tempo para a mesma pessoa quando estamos conversando. Presto atenção em tudo o que ela diz, mas preciso desviar o olhar de vez em quando. Como isso já me rendeu inúmeros problemas, acredito que seja mania.
    Mania 05 - Leio críticas de cinema antes e depois de ver um filme. Exercício saudável, como toda mania.

    terça-feira, fevereiro 21, 2006

    Suplicysmos

    O senador Eduardo Suplicy(PT-SP) teve um dia agitado ontem. Participou de uma manifestação contra a absolvição do coronel Ubiratan Guimarães, inocentado da acusação de matar 102 dos 111 presos (não pode ser responsabilizado pelos nove mortos à golpes de faca) no massacre do Carandiru. Com outros manifestantes, o senador desempenhou papel de um dos mortos no massacre, na frente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
    À noite, o senador compareceu ao show do U2: "Vim ao show especialmente para ver Bono Vox, pelo engajamento dele na luta pela erradicação da pobreza em todo o mundo".
    Nota 7,5.

    Guerra das Estrelas

    (sugestão e idéia original de Daniel Gonçalves)
    Ao comunicar a sua “decisão amadurecida” a integrantes do grupo político que o apóia, Alckmin disse: “Quer dizer que o Serra quer unanimidade? Para ele ser candidato eu tenho que renunciar à minha candidatura? Pois então ele não será candidato. Não abro mão de disputar”. Se quiser concorrer à presidência, diz Alckmin, Serra terá de disputar com ele a preferência do partido.
    - "Good, Alckmin, good! I can feel the anger fluing through your blood lines"

    quarta-feira, fevereiro 15, 2006

    Indocência

    Sala dos professores.
    I
    - Vocês viram que Beltrano está triste porque a Sicrana está ficando com Fulano.
    - Mas é claro. Você acha que a Sicrana depois de experimentar Fulano, voltaria para Beltrano? Fulano é um homem vivido. Já saiu até com mulher casada.
    II
    - Eu achei ótimo colocarem Fulano (outro, homônimo - provavelmente com o mesmo sex appeal do primeiro) na sala tal. Vocês viram, as piriquitas estão todas pulando por causa dele.
    III
    - Dona Diretora, prefiro não organizar a feira cultural na 8ª série porque não tenho afinidade com a sala.
    - Afinidade? Isso não existe! Você vai organizar a feira cultural lá porque estou mandando.
    IV
    - Dona Diretora, como deveríamos trabalhar o tema da terceira idade com a 5ª série?
    - Não sei, pensem em alguma coisa. Façam maquetes...

    sexta-feira, fevereiro 10, 2006

    Flanfo

    Em setembro de 2001, por ocasião de lançamento do Houaiss, o Verissimo defendeu a publicação de um Dicionário Reivindicativo da Língua Portuguesa que seria composto por palavras que não existem, mas que deveriam existir. Por exemplo, um adjetivo como rechechê (sinônimo de elaborado, prolixo, preciosista) descreveria de maneira exata os modos de nosso ex-presidente. Outra: Flanfo (definição para 'sujeirinha de umbigo') seria um ótimo título para uma auto-biografia.
    Naquele mesmo mês e ano ocorreu o ataque terrorista contra o WTC. No dia do atentado, estava dando aula numa sala de 3º ano do Ensino Médio, quando a diretora da escola entrou esbaforida pela sala, quase aos berros:
    - Professor! Leve os alunos até a sala de vídeo! Nos Estados Unidos, um acidente com um avião acabou de derrubar o Empire State!
    (lembrança inspirada por um texto da Monix, publicado hoje em Duas Fridas)

    terça-feira, fevereiro 07, 2006

    "É somente requentar, e usar"

    "A destruição do passado - ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem num presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadres, cujo ofício é lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes do que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores."
    (HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos. SP: Cia.das Letras, p.13)
    Em 14 de julho passado, o senador Arthur Virgílio afirmara da tribuna “Estou dizendo aqui, na melhor das hipóteses, senhor Lula, o senhor é um idiota; na pior, o senhor é um corrupto”. Naquela semana, dia 12 de julho, os jornais publicavam uma pesquisa apontando um crescimento da popularidade de Lula, mesmo com todas as denúncias de corrupção que assombravam o planalto.
    Na semana em que a revista Isto É publicou matéria de capa com o ex-presidente e sua frase "A ética do PT é roubar", FHC também concedeu entrevista ao programa Roda Viva de ontem, na qual afirmou a respeito do esquema de compra de parlamentares da base aliada: "Ou (Lula) é muito ingênuo, portanto não estava preparado para ser presidente, ou ele sabia, o que é pior ainda". Domingo, dia 05, o Datafolha publicou outra pesquisa mostrando um crescimento na popularidade do presidente.
    O que eu quero dizer com isso? Nada, nada. Sou um simples cronista, memorialista, um compilador... um cara chato, enfim.

    domingo, fevereiro 05, 2006

    Os intolerantes

    Interessante observar os diletos defensores da ampla liberdade de expressão criticarem a reação exagerada da comunidade muçulmana contra as caricaturas do profeta Maomé, acusando-a de não compartilhar os valores da sociedade ocidental, e manifestaram apreensão com a vitória do Hamas nas eleições palestinas.
    Novidade nenhuma. A repercussão da eleição do Hamas na AP e a campanha solidária pela liberdade de imprensa movida pelos jornais europeus são apenas o exemplo mais recente de uma velha tese: ninguém gosta muito de democracia. A democracia parece aquela tia solteira que todo mundo adora e acha o máximo, mas queria mesmo era que estivesse bem casada.
    Ainda que a apreensão da comunidade internacional se justifique pelo histórico envolvimento do partido em atentados terroristas, deve-se lembrar que o Hamas venceu o pleito através de eleições livres e sem fraudes aparentes, como manda o figurino. Muito diferente do que aconteceu com a maior democracia do mundo em 2000. Chegando ao poder de maneira legítima e não pela via armada, o Hamas fez uma opção política e espera-se que a alternativa terrorista seja descartada. Justamente por isso, merecem algum crédito. E torcida, muita torcida.
    Em artigo do Aliás de hoje, o filósofo Tariq Ramadan considerou a publicação das charges "uma forma obtusa" de analisar a questão da liberdade de expressão. Para evitar a idolatria, os muçulmanos proibem a representação da figura humana e a iniciativa de fazer uma caricatura do profeta parece uma provocação gratuita. Provocação que, segundo o filósofo, não deveria levar a reações tão emocionais da comunidade. Ramadan aponta que o mais grave nesse caso não são os inexistentes limites legais para a liberdade de expressão, mas os limites cívicos. Retratar Maomé com uma bomba no turbante não é um simples exercício do direito de opinião, mas uma ofensa a todos os muçulmanos. Em poucas palavras, é crime e tem nome: racismo.
    Os muçulmanos não são menos democráticos porque não elegem os candidatos preferidos pelo Ocidente e porque não acham muita graça nas piadas que fazem sobre sua tradição, não quer dizer que lhes falta senso de humor. Estão sendo apenas coerentes. Outra coisa que as democracias ocidentais nunca entenderam muito bem.

    segunda-feira, janeiro 23, 2006

    Lá e cá

    Sérgio Augusto escreveu um artigo muito bom (redundância, redundância) chamando a atenção para o comportamento da imprensa a respeito da eleição de Evo Morales. Citou um artigo do neoconservador David Brooks e um editorial do NYT que saudavam a eleição de Morales, e um comentário de Carlos Alberto Sardenberg ("brasileiro, sem sangue índio, aparentemente mais seguro do que a CIA sobre o que sucederá na Bolívia a partir de amanhã") que prevê a aliança de Evo, Fidel e Hugo Chávez, o horror, o horror. Para quem nunca se interessou pela Bolívia, os mais realistas que o rei estão muito preocupados.
    E quem fica feliz com a posse de Evo Morales e a vitória de Michelle Bachelet descobre duas páginas depois que Cavaco Silva foi eleito presidente de Portugal no primeiro turno e que as eleições parlamentares no Canadá devem levar um simpatizante de George Bush ao cargo de primeiro-ministro. É verdade que nada de muito significativo acontece por lá, mas não poder confiar nos canadenses assusta um pouco.

    sábado, janeiro 14, 2006

    Tudo sob controle

    As afirmações do secretário de Segurança Pública de São Paulo sobre os ataques contra bases comunitárias da PM são lapidares. Saulo Abreu comentou que o destino dos autores do atentado será "cadeia ou IML" e não acredita que os ataques tenham sido provocados para desestabilizar a campanha eleitoral do governador Alckmin à Presidência da República.
    "Cadeia ou IML" sempre foram as opções da política de segurança pública em SP e a constatação do secretário não traz nenhuma novidade escandalosa. Por isso ninguém notou a falta de serenidade no comentário.
    Gostaria de lembrar que pelo menos três pessoas morreram na série de atentados(um policial e dois criminosos), a PM acuada e disposta a tudo aumenta a sensação de insegurança e os baixos investimentos no setor reforçam a solução mais violenta.
    Quanto ao mais importante, pode ficar tranqüilo secretário. A campanha eleitoral continua firme e forte.

    quinta-feira, janeiro 12, 2006

    Poucas e boas

    Para quem gosta de antologias de frases, Carta Capital nos fez o favor de publicar Frases Capitais 2005 em edição de bolso com as frases do ano que já foi tarde. Com apresentação de Nicolau Sevcenko e a promessa de tranformar o projeto em publicação anual, temos uma amostra daquilo que melhor se produziu no pensamento ocidental.
    O grande campeão é Severino Cavalcanti. Alguns pensamentos da ilustre figura são verdadeiros achados. Duas da imensa lavra: "Ah! Esse aqui é o dono do Brasil." - ao ser apresentado a Lázaro Brandão, presidente do Bradesco. "Oposição? Tá doido? Eu gosto é de governo".
    Lula também não deixou por menos e nos brindou com algumas pérolas. Uma delas de uma profundidade anti-sartreana pouco percebida então: "O problema do Brasil não são os outros, mas nós mesmos".
    A coletânea está dividida em áreas e além de política abrange economia, mundo, variedades, esportes e cultura. Nessa última, a frase de Daniel Baremboin, maestro argentino-israelense, talvez seja a mais significativa numa época tão esquisita quanto a nossa: "Judeus e árabes são iguais ante Beethoven". Bem, pelo menos é a que mais gosto.

    quarta-feira, janeiro 11, 2006

    Duas

    Moitas
    José Serra pode desocupar e deixar Gilberto Kassab em seu lugar fazendo o que um pefelista faz como ninguém. César Maia acena com a possibilidade de desocupar, mas quem acredita? Garotinho está doido de vontade de desocupar. Geraldo Alckmin deu até prazo para desocupar. Lula não sabe ainda se desocupa. E a gente aqui, esperando.
    Frases
    Se frases como "Não serei candidado por W.O." tornarem-se recorrentes numa eventual eleição de Geraldo Alckmin à presidência, seus assessores já elaboraram a justificativa política: herança maldita.

    sábado, dezembro 17, 2005

    Atualização

    Leia, Leia.
    • Torpor - overdose sem contra-indicações.

    Clica e Vai

    Profeta

    Os dois últimos textos eram aquecimento para outros dois a respeito de um artigo que o filho do Sr. Ênio Mainardi escreveu na Veja. Mas as respostas de Alberto Dines e a repercussão do artigo foram publicadas no Observatório da Imprensa e por isso não há nada a acrescentar, salvo os links (edições de 29/11 e 06/12).
    As entrevistas citadas no texto anterior não estão relacionadas à entrevista concedida por Mino Carta à Caros Amigos deste mês. Talvez meus poderes proféticos estão saindo do controle.

    segunda-feira, dezembro 12, 2005

    Do baú

    Em novembro de 2000, a extinta revista República trouxe uma entrevista com Mino Carta por ocasião do lançamento de seu livro O Castelo de Âmbar. Como sempre, Mino desfechou ataques ferinos aos barões da imprensa brasileira.

    "Como não tenho raiva do velho Frias (Octávio Frias de Oliveira, da Folha de S. Paulo), colaborei com a Folha em duas oportunidades, e ele sempre teve comigo um comportamento impecável. Tenho problema com o Otavinho (Otávio Frias Filho) porque o Otavinho é uma besta, um ser subdoloso e eventualmente mau. São tantos recalques nele que ele pode ser muito mau."

    Frias Filho se manifestou sobre a frase e, na mesma edição, o trecho da matéria que introduzia a entrevista trazia o seguinte comentário dele: "Não tenho respeito moral nem intelectual por Mino Carta, que considero uma mediocridade emplumada. A obsessão desse sujeito comigo é assunto para psiquiatras".

    Na edição de dezembro de 2000 da também extinta(mas essa infelizmente) Bundas, Mino Carta concedeu uma entrevista na qual explica que a origem de seus problemas com Frias Filho se deu em uma mesa redonda da SBPC da qual participaram, quinze anos antes. Ele afirmara que um dos problemas do jornalismo brasileiro era a presença de diretores de redação por direito divino. Segundo ele, não teve a intenção de ofender Frias Filho, mas apenas chamar a atenção para uma prática brasileira que não existia na imprensa de nenhum outro lugar do mundo.

    Tempo depois, Frias Filho publicou um artigo afirmando que Mino tinha algum "problema psiquiátrico". Mino respondeu em o Diário do Grande ABC, mas seu artigo foi censurado. Conta ele:

    "Tendo a crer que o foi por causa do senhor Otavinho. Eles devem ter ligado para ele, como fizeram agora meus entrevistadores na revista República. Quando se fala de caras da comunicação, eles ligam. Eu já vi entrevistas que tinha resposta na edição seguinte. Lógico, evidente. Mas contemporaneamente? Eu dei a resposta e eles ligaram e perguntaram: 'Otavinho, o que você tem a dizer a respeito?'

    Procuraram o Roberto Civita (*), que disse uma besteira qualquer. Agora o outro, não. Voltou à carga e disse que 'não tem respeito intelectual nem moral' por mim, que eu sou um 'intelectual emplumado'. Acho que quanto ao respeito intelectual ele tem toda a razão, eu mereço isso. Agora moral? Não dá.

    Ziraldo [provocando]: Pois é, mas você falou que ele era uma besta.

    Mino: Mas não uma besta porque ele seja um cretino. Não acho que ele seja um cretino. Falei uma besta, assim, como quando a gente diz [largado, espontâneo] 'aquele cara é uma besta!' Mas é um cara que dá nota todo mês aos repórteres, e afixa num quadro. É de uma maldade sublime. Todos os rapazes que chegam perto dele e galgam postos, e tal, ele acaba devorando. Todos, todos."

    (*) Roberto Civita também é citado na entrevista de República.


    Cartilha

    A matéria da Folha (gentilmente publicado por ela) é prova da ignorância que boa parte dos jornalistas têm a respeito da própria atividade. Em 2002, apenas a Carta Capital e OESP declararam abertamente a quem apoiariam na corrida presidencial (Lula e Serra, respectivamente). Vontade manifestada em editorial. Qual o problema? Delito de opinião? O leitor tem o direito de saber em quem o veículo vota por uma questão de honestidade. Isso que constitui novidade por aqui já é praxe na imprensa norte-americana, lembrada por nossos jornalistas a cada quinze minutos como modelo de bom jornalismo.
    Reportagem e cobertura devem procurar o mínimo de imparcialidade. Os editoriais e artigos assinados nunca. Deve ter isso na Caminho Suave do jornalismo.

    quinta-feira, dezembro 01, 2005

    Insone

    Todo mundo sabia que o Zé Dirceu não iria escapar da cassação, por isso acompanhar o processo e a votação na Câmara também era uma medida protocolar. Ouvir a transmissão da CBN, na verdade, era apenas uma forma infálivel de pegar no sono.
    Lucia Hippolito, porém, frustou todos os meus planos ao repetir algumas vezes a palavra qüestão durante a cobertura. Quem consegue pregar os olhos sabendo que tremas saltaram das caixas acústicas e se esconderam em algum lugar da sala?

    segunda-feira, novembro 28, 2005

    Apelo

    Dalton Trevisan

    Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
    Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
    Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

    quarta-feira, novembro 23, 2005

    Professor procura II

    O Estadão de 13/11 publicou uma entrevista em página dupla com o prefeito José Serra. Não havia comentado a entrevista até agora porque tomei conhecimento dela hoje. Perdeu um pouco da graça tecer qualquer consideração a respeito da entrevista. Via de regra, as entrevistas com políticos estão padronizadas no "levanta que eu corto". Por que não fazem auto-entrevista de uma vez?
    A diversão mesmo ficou por conta do box com uma frase "Quero a volta do ensino da taboada". Nele, lemos que o prefeito adotou uma "atitude inusitada": uma vez por semana o prefeito comparece a uma escola pública para ensinar a criançada. Segundo o prefeito, além de ser uma atividade relaxante, ele pode acompanhar melhor os dramas da educação brasileira. Trabalho de campo diletante.
    Segundo a reportagem, o prefeito ensina Matemática para crianças da terceira e quarta série do ensino fundamental. Ele distribui palitos de fósforo para cada aluno e pergunta qual o time de futebol de sua preferência, reunindo essa informação para ensinar gráficos e tabelas para a turma.
    Minha imaginação pedagógica não alçou os mesmos vôos e não entendi que papel cumpririam os fósforos naquela aula. A reportagem talvez por considerar sua função óbvia demais não explicou a razão deles estarem ali. Apesar da minha imaginação pedagógica deficiente, acho arriscado brincar com a imaginação de crianças munidas com fósforos, haja visto o que algumas delas esperam da escola. Melhor tentar com giz.

    terça-feira, novembro 22, 2005

    Professor procura

    A diferença entre desocupado e desempregado é que o segundo não é remunerado e dificilmente consegue construir patrimônio nessa profissão. Como para se tornar um desocupado deve-se primeiro arranjar uma ocupação para depois ignorá-la, final de ano é época de imprimir currículo em tiragem de jornal e sair por aí batendo porta de colégio. Somos pessoas em busca das instituições. Ao contrário dos xerifes de faroeste americano, nós colamos os cartazes nos postes com a frase Procurando.
    Ser professor é a segunda coisa que sei fazer melhor na vida (a primeira é jogar dominó). Gosto da profissão. Chatos são os professores. O número de xícaras numa sala de professores explica-se pela quantidade de pessoas com a profundidade de pires que circulam por lá. Está aí S. que não me deixa mentir.
    Por falar em S. , já que andamos estabelecendo novos contatos no orkut, meu atual hobby é visitar comunidades dedicadas aos professores e discussões sobre a docência. E descobri que não existe uma comunidade chamada Pérolas dos Professores. Uma pena.

    segunda-feira, novembro 21, 2005

    Desculpas

    A crônica do Verissimo abaixo foi publicada domingo passado. Embora ele tenha acertado alguns palpites recentemente, não tem a ver com o jogo de ontem. Ou não só.
    E esse também é meu covarde pedido de desculpas pela ausência nas últimas semanas.
    Comprados
    "O Tatu tá comprado." A frase percorreu o vestiário, dita baixinho, antes do time entrar em campo. Significava que o goleiro do time adversário tinha concordado em facilitar a entrada da bola no seu gol mediante uma compensação financeira. Ou, resumindo: o Tatu tava comprado. Bastava chutarem contra o gol do Tatu, de qualquer distância, que o Tatu aceitaria. O jogo estava ganho.
    Como o jogo estava ganho, o pessoal relaxou. Não só não chutou nenhuma bola, de qualquer distância, contra o gol do Tatu, como levou dois gols, em poucos minutos, do adversário. Aliás, gols estranhíssimos. Que provocaram uma suspeita: assim como o goleiro do outro time tinha sido subornado, o deles também poderia ter sido. O Valmor também tava comprado! Começaram a pressionar, para diminuir a diferença. Chutaram quatro bolas contra o gol do Tatu. Duas foram para fora, uma bateu na trave e a outra o Tatu defendeu sem querer. Enquanto isso, o Valmor deixava passar outra bola pelo meio das pernas. Três a zero para o adversário. O jogo estava quase perdido.
    No vestiário, no intervalo, o Valmor reagiu com violência à insinuação de que estava comprado só porque deixara passar três bolas pelo meio das pernas. Se estivesse comprado, falharia de modo tão evidente, para não deixar dúvidas? Podia ser ruim, mas não era burro, e muito menos desonesto. O argumento do Valmor foi aceito, todos se desculparam por terem desconfiado dele, e ele foi substituído pelo Nono, que tinha sido comprado e prometera 10% do que ganharia ao Valmor por provocar sua própria substituição.
    O técnico Bentinho puxou o centroavante Ramiro para um lado. Iam mudar de tática. Em vez de chutar contra o gol do Tatu de qualquer distância, o Ramiro deveria tentar entrar na área a drible. Assim daria oportunidade ao Tatu de sair do gol e derrubá-lo. Pênalti. Quatro pênaltis como aquele e o jogo estava ganho.
    A ordem era: bola para o Ramiro. Para ele entrar na área a drible e ser derrubado pelo Tatu. Mas o Ramiro recebia a bola e a devolvia. Ou pegava a bola na entrada da área e, em vez de arrancar para o gol, recuava. O Bentinho aos berros: "Entra na área! Entra na área!" O Tatu aos berros: "Entra na área! Entra na área!" E o Ramiro recuando, passando para os lados, fazendo tudo menos entrar na área para sofrer o pênalti. O Tatu ficou tão impaciente que a certa altura saiu do gol e foi derrubar o Ramiro lá na intermediária. Não era pênalti, mas funcionou. Quem bateu a falta chutou fraco mas acertou o gol, o Tatu fingiu fazer golpe de vista e a bola entrou no canto, três a um. Cinco minutos depois a defesa atrasou uma bola para o Tatu, que a deixou passar. Três a dois. Só faltava o Ramiro entrar na área e sofrer um pênalti e o jogo estava ganho.
    Desde que o Nono, comprado, não aceitasse nenhum gol do adversário. Nono aceitou, duas bolas chutadas de longe, mas nos dois casos o bandeirinha daquele lado, que também tava comprado, deu impedimento. Ramiro se surpreendeu ao ouvir o juiz lhe dizer, num cochicho "Entra na área! Entra na área!" Ele não podia entrar na área e sofrer o pênalti. Estava comprado. Mas qual era a do juiz? O juiz: "Entra na área ou eu te expulso!" Bentinho de fora do campo: "Entra na área ou eu te arrebento!" Tatu, do gol: "Entra na área ou eu vou aí te quebrar!" O Ramiro não sabia o que fazer.
    Ramiro entrou na área. Quando o Tatu saiu do gol e quis derrubá-lo, pulou por cima do Tatu e chutou para fora. Mas o juiz deu o pênalti assim mesmo! Também tava comprado. Ramiro fingiu que tinha se machucado para não precisar chutar. Quem chutou foi o Massaroca. Para fora. Também estava comprado. Mas o juiz mandou bater de novo. O Massaroca errou de novo. O juiz mandou repetir. O Massaroca caiu no chão, simulando uma síncope. Grande confusão. Massaroca retirado do campo. Chegou correndo o Nono, gritando: "Deixa que eu bato!" Chutou fraco e em cima do Tatu, que foi obrigado a pegar. Mas ao fingir que ia repor a bola em jogo, Tatu deixou-a cair dentro do gol. Três a três. Bom para todo o mundo. O bandeirinha daquele lado ainda quis insistir que havia irregularidades: no lance, invasão da área pelo time atacante, o Ramiro dando uma voadora no juiz, os padioleiros, que estavam comprados, despejando o Massaroca no chão só de raiva, etc. Mas ninguém lhe deu atenção. O empate estava bom. Era só o que faltava, um honesto querendo estragar tudo. O juiz apitou. Mesmo faltando 15 minutos, o jogo estava encerrado.

    quarta-feira, novembro 09, 2005

    Pobre Marianne

    Os distúrbios na França que já ameaçam se espalhar para outros países da Europa lembram aquela história nada edificante do marido que não sabe porque bate na Marianne, mas ela sabe porque está apanhando.
    As declarações de Nicolas Sarkozy após a morte dos dois jovens e dos primeiros incidentes agravaram o quadro dos distúrbios ocorridos na França na última semana, mas o ministro não pode ser o único responsabilizado pela sua falta de jeito. Dialogar com "a gentalha" não é o forte da "ordem republicana" francesa já há algum tempo.
    O pacote econonômico apresentado pelo governo para melhorar a vida nos bolsões de pobreza mostra a distância entre o discurso integracionista e a realidade dos jovens da periferia, imigrantes em sua maioria, que se revoltaram por serem sistematicamente ignorados pela "republicana" e constantemente maltratados pela "ordem".
    E como lembrou Gilles Lapouge em artigo no Estado, o estado de emergência decretado pelo primeiro-ministro Dominique de Villepin só foi aplicado uma vez, durante a Guerra da Argélia, o que representa uma péssima evocação. Principalmente porque pode levar ao acirramento dos ânimos entre os radicais dos dois lados. Mas os maníacos liderados por Le Pen tem chances reais de chegar ao poder.

    domingo, novembro 06, 2005

    PSN

    Senadora Heloísa Helena, senador Artur Virgílio e deputado ACM Neto,
    venho por meio desta esclarecer a Vossas Excelências que o PSN (Partido dos Sem-Noção) assim como seu presidente de honra, o personagem Joselito, são peças de ficção de autoria da dupla Hermes & Renato.
    Dessa forma, as ameaças à integridade física do Excelentíssimo Sr. Presidente da República não implicam em filiação automática de Vossas Excelências a uma agremiação política que não possui registro oficial.
    Acredito ainda que uma filiação honoris causa pode ser sugerida aos criadores da atração.
    Atenciosamente.

    sexta-feira, novembro 04, 2005

    Bem-vindo

    Felipe,
    desculpe o despreparo, mas ninguém esperava pela sua chegada ontem. Para você ter uma idéia, recebi a notícia enquanto bebia cerveja e jogava sinuca num boteco. Bom sinal.
    Por falar nisso, ontem também, o Inter perdeu o jogo e isso significa que, apesar da derrota para o Cruzeiro, o Corinthians continua com seis pontos de vantagem. Ufa! Vá se acostumando a passar apuro com esse time.
    Charles Bronson e Betinho também nasceram num dia 03 de novembro. Ou seja, o dia de seu nascimento não deve definir qualquer traço de sua personalidade. Fique tranqüilo.
    Acho que vamos nos dar muito bem. Daremos boas risadas.
    Mas está tarde, você teve um dia díficil, estamos cansados... é melhor irmos dormir.
    Boa noite, meu querido sobrinho.

    segunda-feira, outubro 31, 2005

    Passe adiante


    [charge de Maringoni para o site da Agência Carta Maior]

    domingo, outubro 30, 2005

    O momento oportuno

    Sou incapaz de elaborar uma lista de dez livros mais marcantes. Porque se não chegarem a dez, passo por ignorante e se ultrapassarem dez, parecerei um esnobe. No fundo, não quero escolher os dez e me arrepender uma semana depois quando o estrago estiver feito.

    - Sidney Sheldon?

    - Eu posso explicar.

    - Credo!

    * * *

    Memórias Póstumas de Brás Cubas certamente entraria para a lista. As inovações e o fino humor machadiano esculpiram capítulos antológicos como O Velho Diálogo de Adão e Eva. Ou como o capítulo seguinte intitulado O Momento Oportuno, no qual Brás Cubas se pergunta o porquê de seu caso com Virgília não ter vingado da primeira vez e anos depois estarem apaixonados. Uma vez que não aparentavam diferenças substanciais em relação ao que foram, ele deduz que aquele se tratava do momento oportuno. Afinal, a oportunidade também faz o amor.

    De forma análoga, nesse final de semana corre uma história contada por dois ex-assessores, um dos quais já havia envolvido membros do governo em outras denúncias, recheada de acusações contra um partido, um governo e um país estrangeiro pelos quais nunca se nutriu qualquer simpatia, publicada pelo semanário ícone da responsabilidade e ética jornalísticas na mesma semana em que a oposição desceu do salto e declarou guerra aberta ao governo.

    Não apenas "parece verossímil" como também muito oportuno.

    quarta-feira, outubro 26, 2005

    Desaforos

    Sabe aquele coronel reformado que morava na sua rua, na casa cujas janelas eram os alvos involuntários das bolas de futebol da criançada? O que distribuía impropérios contra os jovens audaciosos que pulavam o muro atrás da pelota e ameaçava atirar, soltar os cachorros ou chamar a polícia? Aquele que quando alcançava a bola invariavelmente dava um fim nela? Lembra que mesmo nos poucos dias em que não havia mais bola para a molecada chutar, as janelas da casa dele continuavam misteriosamente se quebrando?

    segunda-feira, outubro 24, 2005

    Inculta e só II

    Já que a desculpa era a comunicação na Internet, a prefeitura poderia ter economizado em caracteres e conquistado a simpatia dos adolescentes mudando o nome da cidade para Fox du Iguaxu. Coerência, gente!

    Manchetes

    OESP: Maioria dos brasileiros diz 'não' à proibição das armas
    FSP: Brasil não proíbe venda de armas
    DSP: País rejeita proibir comércio de armas
    JT: Maioria escolhe o 'não'
    O Globo: Por um Brasil com armas
    JB: Recado do medo e da descrença
    O Dia: Sem segurança, brasileiro aprova compra de armas
    CB: E o povo disse "NÃO"
    ZH: A vitória do 'não'
    *TFV: Fezes!

    sexta-feira, outubro 21, 2005

    Inculta e só

    Mário Lago disse certa vez que a letra x era inútil e defendia sua abolição da língua portuguesa. Segundo ele, como a letra x não tem som nenhum, as palavras grafadas com x poderiam ser substituídas por outras letras, acabando com as dúvidas e erros tão freqüentes. Levaria um tempo para nos acostumarmos com 'ezame', 'chícara', 'tóracs', 'esperiência' e 'mássimo', mas tudo pelo bem de nossas crianças.
    Maior que o bom humor e o requinte de Mário Lago no trato com a língua apenas a estupidez da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu que nessa semana aprovou a mudança do nome para Foz do Iguassu. Os autores do atentado querem facilitar a comunicação virtual da cidade e aumentar seu potencial turístico porque, como se sabe, endereços de páginas na internet não aceitam acentos e cedilhas e com a medida evitam o constrangimento de escrever a palavra 'Iguacu' em correspondências eletrônicas oficiais.
    O sociólogo José de Sousa Martins explicou para a reportagem de OESP que o sufixo tupi 'açu' significa grande, Iguaçu significa rio grande e Iguassu não quer dizer nada. 'Iguacu' também não. Mas entre o desconforto de um problema menor e o predomínio da ignorância absoluta, a segunda ganhou por 8 votos a 4.

    quinta-feira, outubro 20, 2005

    Retóricas

    Em O Grande Ditador de Chaplin, no encontro entre Hynkel e Napoloni há uma cena famosa em que os dois aparecem sentados lado a lado procurando uma posição superior em relação ao outro através das alavancas das cadeiras. Para demonstrar sua força e olhar o adversário de cima, os dois apostam uma espécie de corrida. Não lembro como a cena termina, mas certamente não era com uma discussão a respeito da legitimidade do poder.
    Saddam Hussein perdeu o poder, mas não perdeu a retórica e isso conta muito no tribunal. Entretanto, questionar a legitimidade do julgamento é uma medida inútil, principalmente porque do outro lado existe a retórica do poder atual. E o poder, como ele deveria saber, é sempre o poder.

    "Cidadão de bem"

    Ninguém agüenta mais e sei que corro o risco de tomar um pipoco (2005 é o ano do vocabulário!) insistindo nesse assunto de desarmamento. Mas o texto de Túlio Vianna no correio Caros Amigos esclarece uma dúvida antiga: o que é um cidadão-de-bem? Como ele se comporta? Etc, etc.

    quarta-feira, outubro 19, 2005

    Revistas de História 2

    Meio desmentido. A história está ficando boa. Continuaremos acompanhando.

    "O ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Pedro Corrêa do Lago, entregou ao Ministério Público Federal (MPF) documentos que, segundo ele, comprovam que a Livraria Corrêa do Lago renunciou ao pedido de registro da marca da revistaNossa História em outubro de 2002, portanto antes de assumir o cargo, no início de 2003. Assim, diferentemente do que o Estado afirmou em sua edição de ontem, sua empresa nunca editou a revista, que é publicada pela Editora Vera Cruz desde 2003.
    'Renunciei ao nome muito antes de ser convidado para o cargo', afirmou Lago. 'A revista foi feita por um conselho editorial com os mais renomados historiadores, precisávamos apenas de um parceiro comercial, que foi a Vera Cruz. Como eles também haviam entrado com o pedido, renunciei ao nome', disse. 'E o fato de registrar o nome não me dá nenhum benefício pessoal.'
    'Por causa da morosidade do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, meu pedido de cancelamento das marcas não está ainda disponível no seu site e a ação foi feita baseada nessa omissão. Já entreguei ao procurador todos os comprovantes dos pedidos de cancelamento dos nomes àquela época', informou.Ele disse que se afastou do cargo 'por razões pessoais' e a decisão já havia sido comunicada ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, fazia dois meses."

    terça-feira, outubro 18, 2005

    Revistas de História

    Para os leitores que se perguntam quais os motivos da separação entre a Fundação da Biblioteca Nacional e a Editora Vera Cruz que publicavam a revista Nossa História, segue uma pequena explicação que envolve as mudanças na própria Biblioteca Nacional, cuja presidência será ocupada pelo escritor e professor da UFRJ, Muniz Sodré:
    (nota publicada em OESP, hoje)
    Por enquanto, Muniz Sodré se recusa a comentar se vai abrir auditoria para investigar a gestão de seu antecessor, o bibliófilo e editor Pedro Corrêa do Lago.
    Corrêa do Lago pediu demissão há dez dias, depois que o Ministério Público Federal (MPF) abriu contra ele ação por improbidade administrativa. Sua editora, a Livraria Corrêa do Lago, faz a revista Nossa História, que desde 2003 usava com fins lucrativos o acervo da biblioteca sem nenhuma retribuição à FBN.
    Outro episódio que contribuiu para o pedido de demissão foi o furto de 150 fotografias raras - só 20 foram recuperadas. Segundo a Polícia Federal, os ladrões eram especialistas no assunto e tiveram acesso à biblioteca durante a greve dos servidores do Ministério da Cultura, entre 4 de abril e 12 de julho.

    segunda-feira, outubro 17, 2005

    Medo, medo

    Com todos os perigos ameaçando a vida dos brasileiros (os bandidos, o MST, o comunismo, os bovinos exaltados, os frangos que espirram, etc), se a vitória do não se confirmar no referendo de domingo, todos nós, cidadãos de bem, deveríamos correr até a loja mais próxima e adquirir nosso berro.

    domingo, outubro 16, 2005

    Dia das crianças

    Mais uma candidata a notícia do ano.

    Alguma pergunta?

    Feliz Dia dos Professores.

    terça-feira, outubro 11, 2005

    Cobradores

    Precisamos arranjar uma nova função para os cobradores de ônibus da capital. Rápido. Fazer o troco e conhecer o itinerário da linha não servem. Com o bilhete único, o primeiro eles não fazem mais. O segundo, eles nunca souberam informar, não adianta. Outras.
    Ainda na última gestão, a prefeitura sugeriu transformá-los em uma espécie de comissários de bordo, que comercializariam jornais e guloseimas durante o trajeto. A idéia, além de risível, se concretizada, acirraria os ânimos entre os vendedores ambulantes que costumam freqüentar os ônibus e fatalmente nos levaria para uma guerra civil de proporções desastrosas.
    Não foi Boccaccio que quando estava na pior foi contratado pelo governo de Florença para recitar os versos de Dante pelas ruas? Os cobradores poderiam recitar poesia, ler trechos de romances e em pouco tempo teríamos uma revolução cultural na cidade. O inconveniente estaria na escolha dos títulos e, tomando por base o tipo de leitura que domina os meios de transporte da cidade, logo teríamos uma conversão em massa. Ou outra guerra, dessa vez religiosa. Melhor não.
    Música também não é uma boa saída pelos mesmos motivos: escolha do repertório. E correríamos o risco de presenciar situações terrivelmente constrangedoras.
    – Vamos lá! Todo mundo, mãozinha pra cima. Eu perdi o meu medo, o meu medo, o meu medo da chuva...
    Uma razoável: ouvidor de ônibus. Ao invés da caixa, um balcão com canetas e formulários. Todas as reclamações sobre qualidade do serviço, o tempo de espera no ponto, a conservação do ônibus, a educação do motorista, entre outras queixas, seriam devidamente anotadas pelo ouvidor, assinadas pelo passageiro, que receberia uma cópia, e encaminhadas para a SPTrans, já que aquele telefone está sempre ocupado!

    sexta-feira, outubro 07, 2005

    Plebiscito II

    Os melhores artigos sobre o plebiscito até agora. Clica e vai.

    quinta-feira, outubro 06, 2005

    Entrevistas

    Gilberto Gil, no Estadão de ontem.
    O que o sr. achou da carta da professora Marilena Chauí aos seus alunos,na qual ela comentava achar difícil transmitir idéias e opiniões por meio da mídia?
    Gostei muito. Achei interessante. Eu já vinha acompanhando, fui ao seminário que ela abriu, O Silêncio dos Intelectuais, acompanhei depois as reações. Acho que ela faz uma advertência muito pertinente da questão da falta de espaço, na mídia, para a visão pluralista, para os pequenos fragmentos. A grande mídia é um grande negócio, como todo grande negócio. Apesar de seu compromisso em informar e abastecer a opinião pública com os fatos, ela está enredada numa grande rede de interesses. Tem dificuldades, como o governo também tem. Porque a mídia seria um setor indiscutível? É preciso discutir tudo.
    A atuação ou os critérios da mídia?
    Atuação não depende dos critérios? E os critérios não dependem da atuação? É um setor como outro. Agora, tem essa dificuldade de autocrítica. Você vê, na própria pergunta que você me faz, tem um compromisso inercial seu, de seu jornal, de explorar uma tensão que parece mais explorável. Por isso acho interessante essa coisa que a Marilena fala, de quererem obrigar o silêncio dela a falar.
    * * *
    Na matéria exibida agorinha no Jornal da Globo, Christiane Pelajo entrevistou o Verissimo em Paris. Entre as amenidades a respeito de Paris e da França, uma pergunta sobre a crise política. Enfim, uma reles conversa com um simples escritor numa cidade comum para gente normal morrer de inveja.

    segunda-feira, outubro 03, 2005

    Plebiscito

    Não

    Para os partidários do ‘não’, manter o 38 em cima do guarda-roupa é um exemplo de luta pelas liberdades civis de mesma grandeza que as passeatas da campanha Diretas-Já. Se o ‘não’ vencer, teremos o salvo-conduto de lutar pelas liberdades civis à bala.
    Os argumentos também alimentam a luta de classes ao afirmar que os artistas são favoráveis ao desarmamento porque vivem nos condomínios de luxo em segurança, enquanto o restante da população enfrenta a violência cotidiana sem proteção.
    Devemos prestar mais atenção nos argumentos do ‘não’ e em seu potencial revolucionário.

    Sim

    O programa do ‘sim’ parece o Criança-Esperança.

    Nulo

    O discurso de ambos é tão apelativo que chega a ser constrangedor. Deve ser a falta de costume. Plebiscito é coisa nova por aqui.

    quinta-feira, setembro 29, 2005

    Duas

    Respiro
    Com a eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara dos Deputados, PSDB e PFL aprenderam uma lição há muito aprendida pelo PT: quando um governo está de joelhos, já deu o primeiro passo para a realização de um milagre.
    Obrigação
    (para Frida Helena - aniversariante da semana)
    Atormentar dirigente de futebol não é chutar cachorro morto. Esse tipo de cachorro é bem vivo. Vamos chamar de civismo.

    segunda-feira, setembro 26, 2005

    Cutucando

    Para Márcio Braga presidente do Flamengo, um histórico sumário da carreira do desconhecido Carlos Tevez, 21 anos, atacante do Corinthians:

    1. 4 títulos em pouco mais de 3 anos atuando pelo Boca Juniors: torneio Abertura (campeonato argentino), Taça Libertadores da América, Copa Intercontinental (todos em 2003) e a Copa Sudamericana (2004);
    2. Integrante das seleções juvenis da Argentina desde os 15 anos; conquistou o Sulamericano Sub-20 em 2003;
    3. Na seleção principal de seu país, conquistou o Pré-Olímpico do Chile; a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) e artilheiro da competição com 8 gols;
    4. Vice-campeão da Copa América realizada no Peru;


    Esses dados são conhecidos por interessados, amantes ou especialistas em futebol. Como não é o caso de Márcio Braga, está perdoado.

    terça-feira, setembro 20, 2005

    Ingratidão

    Os depoentes e deputados têm castigado a língua portuguesa nos depoimentos, pronunciamentos e entrevistas concedidas nos últimos meses. Mas enquanto prestamos atenção na concordância nominal e verbal e outras ortodoxias mesquinhas, deixamos de reconhecer o zelo com que procuram ampliar nosso vocabulário.
    Quantas vezes você já tinha ouvido a palavra ilação na sua vida? E a conjugação do verbo repelir em primeira pessoa do singular no Presente do Indicativo? Proxenetas? E em horário nobre!
    * * *
    (do Dicionário Barsa da Língua Portuguesa)
    Inquerir: v. tr. dir. Apertar a carga dos animais; arrochar.
    Inquirir: v. 1. Tr. dir e tr. ind. Indagar, perguntar; pedir informações sobre, pesquisar. 2. Tr. dir. Interrogar judicialmente (testemunhas). 3. Intr. Tomar informações.
    Não é nada, não. É que talvez o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) não saiba a diferença.

    quinta-feira, setembro 15, 2005

    Confete

    Gostaria de agradecer a Renata por todas as sugestões, comentários e o suporte nas modificações sofridas pelo Tutti Funghi e agora também no Quase Dois Irmãos (em parceria com o ilustríssimo Zé).
    Ela é indiretamente responsável por parte das boas risadas desse interminável 2005.
    Muito obrigado!
    E palmas pra ela!

    quarta-feira, setembro 14, 2005

    Curtas

    Decisão difícil

    A Câmara pode, ao selar o destino político de Roberto Jefferson, dar impulso a uma nova carreira artística. Se perder o mandato hoje, o deputado promete virar cantor. Independente do que ocorrer, já sabemos quem perde.

    Très chic
    Novo produto da pauta de exportações brasileiras: vocabulário.

    Pour avoir trop “malufé”, les Maluf sont et prison
    (manchete do Le Monde, dia 13.09.2005)

    terça-feira, setembro 06, 2005

    Intensivão

    Acompanhar a tragédia do Katrina pela imprensa equivale a um mini-curso de história dos Estados Unidos. As diferenças sociais e raciais, o papel das autoridades, o caráter épico-religioso, a excepcionalidade e outras características da história e da sociedade estadunidense escorrem pelos dedos na leitura do jornal.
    Antes da catástrofe, obedientes cidadãos atenderam prontamente aos apelos das autoridades e saíram das cidades prestes a serem atingidas pelo furacão. Aqueles que não deixaram suas casas, pessoas pobres que não tinham dinheiro ou para onde ir, foram consideradas imprudentes. Em meio a destruição, os brancos procuravam alimentos para saciar a fome; os negros saqueavam os supermercados. Um Estado inepto decretava lei marcial para conter a barbárie enquanto oferecia alojamentos sub-humanos para os sobreviventes. Depois que o prefeito exigiu ação, o prestimoso presidente ofereceu cifras astronômicas. Agora, ao passo que os desafortunados fogem, os heróis retornam do dramático êxodo. Ou como escreveria Mino Carta, perdão, Êxodo.

    quinta-feira, setembro 01, 2005

    Sobre Chaui

    Trecho
    O artigo de Sérgio Augusto, publicado no caderno Aliás do Estadão do último domingo, merecia citação na íntegra. Mas por falta de espaço, seguem apenas os dois últimos parágrafos:

    “Nem sequer ao longo das conferências de Chaui a crise do PT foi deixada no freezer. Sutis alusões ao presente, só não percebidas pelas mentes rombudas, enriqueceram seu paralelismo entre Sartre e Merleau-Ponty. Para publicações à cata de declarações bombásticas, nada mais decepcionante do que ouvir uma intelectual falar de forma alusiva (Montesquieu não fez isso?) e reivindicar seu direito ao silêncio enquanto nada de original tem a dizer. Chaui não quer dar opiniões, tão-somente, mas oferecer uma análise à altura de uma pensadora, tarefa que requer serenidade e uma compreensão menos lacunar do que está acontecendo.
    Ela, a rigor, não fugiu da raia, não calou o bico. Questionou o 'erro de timing' do governo, a escolha de prioridades erradas e as alianças espúrias a que se submeteu. Deixou claro que, enquanto não houver reforma política, 'continuaremos gritando contra a corrupção e o mau-caratismo dos políticos, mas não resolverá nada'.Falou mais e melhor do que falaria, por exemplo, a atriz Maitê Proença, a 'filósofa' de plantão da Época.”
    Música
    Chico Buarque disse semana passada que não pretende compor um samba para o mensalão. Para ninguém acusá-lo de silenciar sobre a crise, apresento uma modesta contribuição.
    Geni e o Zepelim (versão funghi/2005).
    Joga pedra na Chaui
    Joga pedra na Chaui
    Ela quer filosofar
    Ninguém está disposto a ouvir.
    Ela vota no PT
    Maldita Chaui

    Má vontade

    Na última terça-feira, o programa Observatório de Imprensa analisou o papel dos blogs na cobertura da crise política. Elogios para a revolução que os blogs trouxeram à parte, há um certo receio de que eles possam substituir as tradicionais matérias jornalísticas. Segundo alguns debatedores, os blogs levam vantagem porque são mais ágeis na apuração dos fatos e tem um alcance maior, além de permitirem a participação imediata do leitor. Tudo que os jornais deveriam fazer.
    A falta de credibilidade da imprensa explica tal receio e a comparação entre meios qualitativamente distintos é a mais completa constatação da tragédia. Qualquer maníaco conectado à rede pode fazer um blog jornalístico, inventar notícias, dar furos e espalhar boatos; nada muito diferente do modelo jornalístico predominante no Brasil. O blogueiro ainda tem em comum com muitos jornalistas o fato de não precisar abandonar seu computador para publicar os textos. Como ninguém apura nada e o ar-condicionado das redações impede o trabalho duro, muitos jornalistas transformaram-se em blogueiros de luxo.
    Entretanto, autocrítica não é o esporte preferido da categoria. Muitos recalcados decidiram apontar os canhões para outro lado, pegando carona no ciclo de debates sobre o “silêncio dos intelectuais”. Os intelectuais continuam falando, escrevendo e atuando. Ainda têm menos espaço e são minoria pois para cada Marilena Chaui temos cinco ou seis articulistas superestimados, deslumbrados e semi-alfabetizados. Agora que culpa têm os intelectuais se os jornalistas não sabem ler?