segunda-feira, setembro 11, 2006

É isso

De acordo com o Coringa em A Piada Mortal, todos somos loucos de alguma maneira e "apenas um dia ruim" separa um homem são de um completo lunático. Na história ele sequestra Gordon e submete o comissário às mais terríveis torturas psicológicas para comprovar sua tese. No momento em que é libertado pelo Batman, Gordon pede ao herói que vá atrás do Coringa para prendê-lo, mas pela lei. - Temos de mostrar que o nosso jeito funciona!
O exemplo é bobo, bobo, mas lembrei dele nesta manhã enquanto lia a notícia do assassinato do coronel Ubiratan. Esperar tiro na barriga ou a manifestação divina para que haja a condenação dos responsáveis pela barbárie não faz parte dos meus ideais de justiça. Preferia ele preso. Agora ele está morto, é só.
E tivemos o dia mais quente do inverno nesta província do país onde tudo está tão miseravelmente fora de lugar.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Campanhas

  • Alguns slogans da atual campanha política primam pela imbecilidade completa. E não estou falando dos pequenos candidatos cretinos que utilizam o espaço que têm para fazer uma graça e conquistar simpatizantes desatentos. Estou me referindo aos grandes candidatos que por vezes, talvez contagiados pelo baixo nível da campanha, queiram competir também em termos de estupidez.
  • Já recebi uma série de santinhos de candidatos citando salmos, se Deus é por nós, quem será contra?, entre outras mensagens de esperança e fé. Mas se Deus é por eles, por que precisam do meu voto?
  • O programa do Lula pode ter sido gravado ainda em 2002. O candidato já contava com a vitória naquele ano e provavelmente decidiu usar a equipe e o dinheiro para adiantar a gravação da campanha para a reeleição. CPI nele.
  • Cristovam Buarque parece estar fazendo campanha para o PT. A cenografia continua a mesma da campanha do Lula em 2002. O céu azul claro, as nuvens, a graminha verde. Só faltou a estrelinha.
  • Heloísa Helena fala sorrindo o tempo todo. Incomoda um pouco, principalmente quando ela se refere aos banqueiros, aos políticos corruptos, aos mensaleiros e aos sanguessugas. Parece sadismo. Além disso, para quem estava acostumado com a senadora sempre algumas oitavas acima, dá a impressão que ela está blefando.
  • O estilo "bate, doutor" de Alckmin é de um amadorismo abissal simplesmente porque consolida os votos já consolidados. Não é medida totalmente inócua porque contagiou o Eymael. Mas o Eymael também não vai votar no Alckmin.
  • Alguém também ouviu Luciano Bivar falando "hetacombe social" ou eu já estava delirando?
  • segunda-feira, setembro 04, 2006

    Falta de assunto

    Sem desmerecer a opinião de ninguém, o que o Paulo Betti, o Wagner Tiso ou a Regina Duarte têm a dizer sobre a política nacional não me interessa. Alguém pergunta para o Lula o que ele acha de Páginas da Vida? Claro que não. Porque não interessa. Pergunta para o Alckmin? Não. Pergunta para a Heloísa Helena? Não. Porque não interessa.
    E levando em conta as últimas declarações de lavra udenista, ninguém pergunta para FHC porque tem medo dele querer censurar a novela.

    Gunter Grass

    Gunter Grass não esperou pela posteridade e optou por admitir em vida sua participação na SS nazista. Como a hipocrisia também tem suas formalidades, a confissão veio acompanhada das sutilezas de praxe (muito jovem, apenas 17 anos, etc.).
    Ninguém pretende ou quer julgar o jovem Grass, mas criticar a decisão de um adulto que convenientemente esperou tanto para reconhecer um erro.
    PS: Gianni Carta escreveu um artigo preciso sobre o assunto na Carta Capital da última semana.

    Atualização

    Leia, leia
    Like David Bowie
    Meio-Bossa-Nova
    Terapia Zero

    Clica e vai
    Franklin Martins tem página nova.
    Mino Carta agora também tem blog!

    segunda-feira, agosto 21, 2006

    Atos falhos

    O presidente apresenta uma série de dados a respeito do crescimento econômico, do aumento da oferta de empregos, e do volume das exportações. O sindicalista observa que “a única coisa que cai é o salário”. O presidente se defende e diz que o que caí são os juros e a inflação, mas acabou de ser desmentido em cadeia nacional por um sindicalista inconformado com o discurso macroeconômico. O problema para ambos é que são a mesma pessoa.
    * * *

    O candidato aponta as migrações como a causa da má qualidade do ensino no Estado. Nenhuma seqüela grave. A brigada de incêndio é muito eficiente.

    quinta-feira, agosto 17, 2006



    Verissimo, jazz, arte do Baptistão, futebol...
    Quanta alegria!

    terça-feira, agosto 15, 2006

    Reunião de condomínio

    Não fossem algumas perguntas mais incisivas dos jornalistas no penúltimo bloco do debate presidencial de ontem e poderíamos tê-lo confundido com uma cordial reunião de condomínio. Todos foram elegantes no trato, poucas acusações, muitos elogios, eventuais reminiscências, nenhum inconveniente ou pergunta constrangedora e naturalmente críticas duras ao condômino ausente. Até Eymael arriscou um gracejo bem sacado e arrancou algumas risadas. Tudo muito descontraído.
    Como Lula provavelmente não aparecerá para nenhum dos encontros programados, não se espante se nos próximos os candidatos combinarem de levar alguns refrigerantes e sanduíches de metro que serão servidos pelos mediadores durante o debate.
    PS: A Surya gentilmente me lembrou que eu não disse que o Renato Janine Ribeiro é o autor do texto sobre Cuba listado abaixo. Mas espero que tenham sido tão corajosos quanto ela e enfrentado o desconhecido.

    segunda-feira, agosto 14, 2006

    Tá esperando o quê?

    Cláudio Lembo ainda não colocou Saulo Abreu no olho da rua por motivos estratégicos ou por dó. Os motivos estratégicos - uma vez que a demissão do secretário eliminaria um boquirroto polêmico que convenientemente desvia o foco das críticas ao modelo de segurança adotado no Estado e até aqui conseguiu apenas conquistar corações boquirrotos e polêmicos, ou seja, nada - são compreensíveis.
    Mas se Lembo não o demitiu por temer que o secretário amargue uma difícil recolocação no mercado de trabalho nesses tempos bicudos, embora reconheça a louvável preocupação com um companheiro de administração, gostaria de garantir ao governador que não há porquê se preocupar. Temos uma revista semanal que adora colunistas boquirrotos e polêmicos.

    domingo, agosto 13, 2006

    Truque sujo

    Uma semana sem publicar nada e vir aqui colocar um link para texto alheio não é muito bonito, mas é uma forma de mostrar que as leituras também estão atrasadas. Esse artigo sobre Cuba, por exemplo, saiu dia 04/08 no Valor.

    quarta-feira, agosto 02, 2006

    Notas

    "Sob a democracia, um partido devota suas principais energias à tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar - e ambos conseguem e ambos estão certos".
    H.L. Mencken
    * * *
    Sou contra o voto nulo. Questão de princípios, para não dizer que acho bobagem mesmo. É um voto tão democrático quanto qualquer outro, mas tenho medo das pessoas que anulam. Elas não tem senso de humor.
    * * *
    Lançaram ontem a política do "café-com-leite do século XXI". Como se precisasse.
    * * *
    TFV Serviço: tem texto do Verissimo na Carta Maior.

    segunda-feira, julho 31, 2006

    Mulheres são da Terra, Super-Homens são de Krypton

    Esqueça Lex Luthor. O coitado quer apenas dominar o mundo. O verdadeiro duelo do novo filme do Super-Homem ocorre entre Lois Lane e o kryptoniano. O filme todo é uma grande DR.
    Já no início ficamos sabendo que o Super-Homem esteve fora cinco anos, tentando descobrir o que houve com Krypton. Foi embora e não se despediu de ninguém, nem da Lois. Mas ela não deixa barato. Quando ele volta para a Terra, descobre que ela ganhou um Pulitzer por um artigo intitulado ‘Por que não precisamos do Super-Homem’, que está casada com o sobrinho do chefe e tem um filho.
    Ele salva a vida dela, ela não dá a mínima. O mundo celebra a volta do herói, ela não se interessa. Ela pergunta pelos motivos do desaparecimento. Ele responde que buscava suas origens e outros sobreviventes de seu planeta tristemente destruído para aplacar um sentimento de solidão num Universo em constante expansão, mas ela não quer nem saber. Ela pergunta porque ele voltou, ele explica que estender a mão para as pessoas desesperadas que necessitam de ajuda nesse mundo cada dia mais cruel e intolerante é o verdadeiro papel do herói, mas ela diz que está muito bem sem ele, obrigada.
    Ele salva a vida dela novamente. Ele salva o mundo. Ela também salva a vida dele. Mas gostaria de salvar mais uma para não ficar devendo nada.

    quinta-feira, julho 20, 2006

    Outra vez

    Justificando as investidas contra o Líbano e criticando as acusações de que os ataques de Israel são desproporcionais, Shimon Peres disse em entrevista ao Global Viewpoint (publicada pelo Estado) que "existem quatro organizações imunes a qualquer consideração diplomática ou política: Irã, Síria, Hamas e Hezzbollah - dois países e duas organizações terroristas". Nas contas deveria ter incluido também Israel e os EUA, sem esquecer o próprio Líbano, já que o apreço diplomático pelo país é nenhum.
    Israel tem um salvo-conduto concedido pelo Texas de mais uma semana para arrebentar todo o Líbano à procura dos foguetes e membros do Hezzbolah. Resultado até agora: quatro membros do Hezzbolah mortos e 500 mil libaneses refugiados segundo a UNESCO. Talvez não seja a forma mais apropriada de "devolver a esperança aos libaneses" ou impedir a escalada de violência no Oriente Médio.

    quinta-feira, julho 13, 2006

    Onda

    Quem diz que os ataques do PCC servem para desestabilizar a campanha tucana é débil mental ou cínico.

    domingo, junho 11, 2006

    Informe

    Para ninguém dizer que sou um alienado, estou postando textos sobre a Copa lá no Q2I.

    quarta-feira, junho 07, 2006

    Irrelevância

    Vira e mexe a turma interessada em enterrar de vez as universidades públicas do país cita o eficiente modelo chileno de financiamento do ensino. O que os estudantes chilenos pensavam a respeito era irrelevante. Hoje nós já sabemos a resposta.
    * * *
    Outra questão irrelevante no Brasil, a social, continua sendo tratada como caso de polícia. É o mantra. Ao comparar o PCC ao MLST, Artur Virgílio está apenas recitando o rare-rama nacional.
    * * *
    O funcionário da Câmara que tomou uma pedrada e foi internado em estado grave com traumatismo craniano tem pai, irmão e esposa grávida do segundo filho. Dos manifestantes ninguém sabe qualquer coisa. Ou não se lembrou de perguntar. Por irrelevância.
    * * *
    Depois da declaração do ACM exigindo uma reação das Forças Armadas para impedir que o país se transforme numa "ditadura sindical" liderada pelo "homem mais corrupto que já chegou à Presidência da República", é bom averiguar se ele também não tomou alguma pedrada na cabeça também.

    domingo, junho 04, 2006

    Anrã

    Entre os dias 13 e 20 de maio foram registrados nas delegacias 28 casos de resistência seguida de morte (mortes em confronto com policiais). Das 28 pessoas mortas nesses confrontos, 20 foram atingidas por disparos efetuados de cima para baixo e o ângulo dos disparos indica que as vítimas poderiam estar ajoelhadas ou deitadas no chão.
    Os defensores públicos que analisaram os laudos afirmaram que não se pode fazer um julgamento apressado a respeito da ação da polícia e a conclusão (se ocorreram ou não execuções) depende de outros fatores.
    A Defensoria Pública está fazendo o seu trabalho com responsabilidade e numa atitude serena e louvável preferiu não dar declarações que soariam levianas nesses momento tão delicado. Mas se não ficar comprovado que os homens da corporação são muito mais altos que a média nacional, haja física para explicar o que aconteceu nesses casos.

    sexta-feira, maio 19, 2006

    Vices


    Não é fácil ser vice no Brasil. No esporte isso é quase compreensível, uma vez que de acordo com Nelson Piquet, o vice é o primeiro dos perdedores. É um truísmo que funciona perfeitamente para o simplificado mundo competitivo do perde-ganha.
    Em política, o vice é o segundo dos ganhadores. Talvez aí resida a sua miséria.
    O Brasil é cruel com seus vices porque o propósito de sua existência é cruel. O vice entra em cena nos momentos de morte, renúncia, oportunismo político ou qualquer outra desgraça institucional. Desconfiou-se do vice desde o início. O artigo 42 da Constituição de 1891 afirmava que o vice-presidente assumiria o cargo apenas se já houvesse transcorrido metade do mandato do presidente. Caso contrário, o vice assumiria e convocaria eleições imediatamente. Pois não deu outra: Deodoro renunciou com quase nove meses de mandato, Floriano assumiu e ao invés de convocar eleições, levou o mandato até o fim de maneira muito truculenta. Vices não são confiáveis!
    Dali em diante, nenhum dos vices que assumiram o governo tiveram sossego. Café Filho ficou doente e foi impedido; João Goulart quase não tomou posse, assumiu o governo e sofreu um golpe; Pedro Aleixo sofreu um golpe dentro do golpe. Até hoje os teóricos da conspiração acreditam na participação de José Sarney na morte de Tancredo. O caso de Itamar Franco foi pior. Na impossibilidade de concederem um impedimento para ele também, resolveram ridicularizá-lo durante o resto do mandato. Marco Maciel foi discreto o tempo todo sabendo da aversão nacional ao cargo que ele ocupava. Os eleitores de Lula têm sérias restrições ao José Alencar. Aquele jeito bonachão não engana ninguém.
    Aqui na Província, como não poderia deixar de ser, temos seguido a tradição. Alckmin era vice-governador e muitas das pessoas que torciam pela recuperação de Mário Covas não gostavam tanto assim dele. Gilberto Kassab é tão discreto que muitos paulistanos crêem não haver mais prefeito e vivem um parlamentarismo municipal. Claúdio Lembo entraria facilmente para a longa lista de vices discretos que apareceram na recente história política brasileira. Nove meses de mandato, talvez ninguém o notasse. Mas o caldo entornou justamente quando ele estava tomando conta da panela.
    Nas duas entrevistas relacionadas abaixo, Lembo aborda uma série de questões do episódio(negociou ou não?) e outras estruturais (desigualdade social) de um ponto de vista surpreendente para alguém em sua posição e de seu partido. Tanto é que algumas pessoas acreditam que ele ficou louco. Pode ser. Mas talvez ele esteja tentando redimir uma categoria historicamente acuada e partiu para a ofensiva.

    Entrevistas

    Cláudio Lembo, na Folha de ontem e na Terra Magazine de hoje.
    Comento outra hora.

    quinta-feira, maio 18, 2006

    Clica e vai

  • Terra Magazine: dirigida pelo Bob Fernandes, com Antonio Luis M. C. Costa, Jorge Furtado, Milton Hatoum entre outros. E mais: toda segunda uma nova tirinha das Cobras do Verissimo - a melhor notícia do ano até aqui!
  • Zica: bastou elencar a coluna do Franklin Martins aí ao lado e pouco tempo depois a TV Globo o dispensou. Se está relacionado ou não com a acusação do parajornalista, não sei, Dona Pureza, mas no Observatório tem toda a cobertura do caso.
  • Para não sentir que estou fazendo a mesma coisa e simplesmente tirar o link da página (que ainda é muito boa apesar de não ser mais atualizada), resolvi relacionar a página da CBN. E antes que digam "ih, ó o cara", me deixem explicar: além do Franklin Martins, também se pode ouvir os comentários de Juca Kfouri, Armando Nogueira, Xexéo e Cony, Arnaldo Jabor, Lucia Hippolito e Carlos Sardenberg, bastando para isso clicar no lugar certo. Lugar certo aí no sentido de "por sua conta e risco".
  • Dá até vergonha de falar, mas só descobri nesta semana que o Ivan Lessa publica textos na página da BBC Brasil. A vantagem é que podemos ler suas colunas desde 2002!
  • Mais ainda do que uma vergonha, esse sim um crime: descobri que a expressão "Clica e vai" é um plágio grosseiro e descarado da página do Millôr, outra que já deveria estar aqui ao lado. Como homenagem e para nos lembrar de que sou apenas um farsante, a expressão "Clica e vai" continuará ali onde nunca deveria ter entrado.
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