segunda-feira, outubro 02, 2006

Outubro sem fim

Respire fundo! Fale um palavrão! Isso! Melhorou? Não? Fale outro! Mais alto! E agora? Ótimo! Então relaxe, sente-se, aproveita que a Lei Seca já terminou e peça uma para o garçom. Tem fósforo?
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Tarso Genro diz que a "refundação" do PT é uma necessidade. Comecemos pelo bordão do João Ferrador: "Hoje eu não tô bom!"
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Como disse o Renato Janine na Folha de ontem, eleição não é a luta do bem contra o mal. Não se deixe abater. Desânimo, não! Ainda estamos melhores que as crianças, que por causa do segundo turno vão continuar sem televisão mais um mês.
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O Chico de Oliveira deu uma entrevista há cerca de dois meses na TV Cultura (que hoje mais parece um puleiro de tucanos), quando Heloísa Helena havia alcançado seu maior índice nas pesquisas, e disse que com ressentimento não se faz nada em política. Claro que se referia principalmente ao PSOL, mas também à boa parte dos petistas que insistiam em algumas críticas um tanto desonestas contra a mulher - e concordei com ele. Conversando com meu irmão nesta tarde, cheguei a conclusão de que essa eleição será decidida pelos ressentidos, o que não é um prognóstico animador.
Para ganhar a eleição, Lula, o PT e seus militantes precisam conquistar os votos dos eleitores do PSOL e de Cristovam Buarque que se ressentiram com o governo pelos motivos corretos. O governo deve buscar acordo e assumir determinados compromissos se quiser continuar governo. Falta de humildade e auto-sabotagem já custou o primeiro turno. Quanto aos que se ressentiram com o governo pelos motivos menos louváveis, pode esquecer. Já estão contabilizados para o adversário.
Vai ser uma tarefa difícil.
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Texto para o eleitor de outro Estado que inadvertidamente passar por aqui:
Piedade! Aqui na província já temos o PFL na prefeitura, o PSDB no governo do Estado... Não permita que Alckmin seja o próximo presidente, por favor! Sei que nós não estamos em condições de exigir nada. Fomos maus e agora o país inteiro terá que conviver com Maluf, Clodovil, Celso Russomano e Enéas na Câmara dos Deputados. Confio em seu discernimento; o nosso já perdemos. Impeça a "locomotiva do Brasil" de nos levar e imploda os trilhos, eleitor brasileiro! Perdão! Seja magnânimo!
Muito bem, todos de pé.

domingo, outubro 01, 2006

Leituras no domingo de eleição

Mais importante do que a apuração e o resultado das eleições amanhã, quando saberemos se haverá segundo turno na disputa presidencial, será a entrevista coletiva do delegado Edmilson Bruno.
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Independente do que ocorrer, Lula consolida seu papel de figura política mais importante desde a chamada redemocratização. De 1989 até aqui, as campanhas presidenciais foram o embate entre Lula e o anti-Lula, com ampla vantagem para esse último. A Era Lula representa um período muito maior do que seu mandato. Nem que seja pelo negativo.
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Hoje, os jornalões da província tentam o desfibrilador na campanha pelo segundo turno. Resta saber se funciona.
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Na faculdade, tive a oportunidade de ouvir o professor Leonel Itaussu algumas vezes. Além de observador extremamente lúcido, suas colocações costumavam ser muito bem humoradas. O professor concedeu entrevista ao Terra Magazine hoje:
Como as denúncias de corrupção durante o mandato de Lula afetaram a imagem do presidente?
As denúncias de corrupção atingiram setores expressivos do PT, mas não respingaram na imagem que a opinião pública faz do presidente. Em nenhum momento se registrou queda da popularidade dele. O PT, como filho do Lula - o presidente ajudou a fundar o partido - acabou assumindo uma outra cara, a do filho mal-educado que vive fazendo traquinagem, batendo o carro do pai, chegando em casa depois da meia noite, bebendo mais do que deve e cantando a mulher do vizinho.
A entrevista completa aqui.
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Minha escolha para melhor leitura sobre eleições é O dia de um escrutinador, de Italo Calvino.

quarta-feira, setembro 27, 2006

O que falta

Para o caso do dossiê se transformar no Watergate:
1) Um presidente impopular;
2) Um país onde o presidente seja considerado e respeitado como um super-herói;
3) Uma imprensa livre. Nem precisa ser progressista. Qualquer coisa como o Washington Post já serve;
4) Trabalho incansável de jornalistas como Bob Woodward e Carl Bernstein;
5) Um filme pornô famoso para servir de codinome para a fonte;
Ou seja, quase nada.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Fora de hora

O post abaixo estava pronto faz um tempo, mas sabem como é.
"Li um artigo recente do Luis Fernando Verissimo em que ele dizia que iria votar no Lula porque estava acostumado. Ele nem sabe mais por que é que vai votar no Lula, não tem argumentos para isso a não ser a rotina. Ora, o intelectual não pode se conformar com a rotina, de abrir mão da capacidade de refletir. Pode ser com relação ao PT, ao Lula ou a mim, mas você tem que refletir. Eu continuo votando porque sempre votei? Não é um intelectual, não está à altura de sera a expressão mais sofisticada de um sentimento."
(FHC em entrevista ao JT, publicada em 11/09
e republicada pelo Estado, dia 14/09)
A curta resposta do Verissimo (15/09) é a nova epígrafe do TFV.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Do sábado para domingo

Art Brut, top of the pops
Franz Ferdinand, top of the pops
Radio 4, top of the pops
Art Brut, top of the pops
Franz Ferdinand, top of the pops
Radio 4, top of the pops
Etc, etc

segunda-feira, setembro 11, 2006

É isso

De acordo com o Coringa em A Piada Mortal, todos somos loucos de alguma maneira e "apenas um dia ruim" separa um homem são de um completo lunático. Na história ele sequestra Gordon e submete o comissário às mais terríveis torturas psicológicas para comprovar sua tese. No momento em que é libertado pelo Batman, Gordon pede ao herói que vá atrás do Coringa para prendê-lo, mas pela lei. - Temos de mostrar que o nosso jeito funciona!
O exemplo é bobo, bobo, mas lembrei dele nesta manhã enquanto lia a notícia do assassinato do coronel Ubiratan. Esperar tiro na barriga ou a manifestação divina para que haja a condenação dos responsáveis pela barbárie não faz parte dos meus ideais de justiça. Preferia ele preso. Agora ele está morto, é só.
E tivemos o dia mais quente do inverno nesta província do país onde tudo está tão miseravelmente fora de lugar.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Campanhas

  • Alguns slogans da atual campanha política primam pela imbecilidade completa. E não estou falando dos pequenos candidatos cretinos que utilizam o espaço que têm para fazer uma graça e conquistar simpatizantes desatentos. Estou me referindo aos grandes candidatos que por vezes, talvez contagiados pelo baixo nível da campanha, queiram competir também em termos de estupidez.
  • Já recebi uma série de santinhos de candidatos citando salmos, se Deus é por nós, quem será contra?, entre outras mensagens de esperança e fé. Mas se Deus é por eles, por que precisam do meu voto?
  • O programa do Lula pode ter sido gravado ainda em 2002. O candidato já contava com a vitória naquele ano e provavelmente decidiu usar a equipe e o dinheiro para adiantar a gravação da campanha para a reeleição. CPI nele.
  • Cristovam Buarque parece estar fazendo campanha para o PT. A cenografia continua a mesma da campanha do Lula em 2002. O céu azul claro, as nuvens, a graminha verde. Só faltou a estrelinha.
  • Heloísa Helena fala sorrindo o tempo todo. Incomoda um pouco, principalmente quando ela se refere aos banqueiros, aos políticos corruptos, aos mensaleiros e aos sanguessugas. Parece sadismo. Além disso, para quem estava acostumado com a senadora sempre algumas oitavas acima, dá a impressão que ela está blefando.
  • O estilo "bate, doutor" de Alckmin é de um amadorismo abissal simplesmente porque consolida os votos já consolidados. Não é medida totalmente inócua porque contagiou o Eymael. Mas o Eymael também não vai votar no Alckmin.
  • Alguém também ouviu Luciano Bivar falando "hetacombe social" ou eu já estava delirando?
  • segunda-feira, setembro 04, 2006

    Falta de assunto

    Sem desmerecer a opinião de ninguém, o que o Paulo Betti, o Wagner Tiso ou a Regina Duarte têm a dizer sobre a política nacional não me interessa. Alguém pergunta para o Lula o que ele acha de Páginas da Vida? Claro que não. Porque não interessa. Pergunta para o Alckmin? Não. Pergunta para a Heloísa Helena? Não. Porque não interessa.
    E levando em conta as últimas declarações de lavra udenista, ninguém pergunta para FHC porque tem medo dele querer censurar a novela.

    Gunter Grass

    Gunter Grass não esperou pela posteridade e optou por admitir em vida sua participação na SS nazista. Como a hipocrisia também tem suas formalidades, a confissão veio acompanhada das sutilezas de praxe (muito jovem, apenas 17 anos, etc.).
    Ninguém pretende ou quer julgar o jovem Grass, mas criticar a decisão de um adulto que convenientemente esperou tanto para reconhecer um erro.
    PS: Gianni Carta escreveu um artigo preciso sobre o assunto na Carta Capital da última semana.

    Atualização

    Leia, leia
    Like David Bowie
    Meio-Bossa-Nova
    Terapia Zero

    Clica e vai
    Franklin Martins tem página nova.
    Mino Carta agora também tem blog!

    segunda-feira, agosto 21, 2006

    Atos falhos

    O presidente apresenta uma série de dados a respeito do crescimento econômico, do aumento da oferta de empregos, e do volume das exportações. O sindicalista observa que “a única coisa que cai é o salário”. O presidente se defende e diz que o que caí são os juros e a inflação, mas acabou de ser desmentido em cadeia nacional por um sindicalista inconformado com o discurso macroeconômico. O problema para ambos é que são a mesma pessoa.
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    O candidato aponta as migrações como a causa da má qualidade do ensino no Estado. Nenhuma seqüela grave. A brigada de incêndio é muito eficiente.

    quinta-feira, agosto 17, 2006



    Verissimo, jazz, arte do Baptistão, futebol...
    Quanta alegria!

    terça-feira, agosto 15, 2006

    Reunião de condomínio

    Não fossem algumas perguntas mais incisivas dos jornalistas no penúltimo bloco do debate presidencial de ontem e poderíamos tê-lo confundido com uma cordial reunião de condomínio. Todos foram elegantes no trato, poucas acusações, muitos elogios, eventuais reminiscências, nenhum inconveniente ou pergunta constrangedora e naturalmente críticas duras ao condômino ausente. Até Eymael arriscou um gracejo bem sacado e arrancou algumas risadas. Tudo muito descontraído.
    Como Lula provavelmente não aparecerá para nenhum dos encontros programados, não se espante se nos próximos os candidatos combinarem de levar alguns refrigerantes e sanduíches de metro que serão servidos pelos mediadores durante o debate.
    PS: A Surya gentilmente me lembrou que eu não disse que o Renato Janine Ribeiro é o autor do texto sobre Cuba listado abaixo. Mas espero que tenham sido tão corajosos quanto ela e enfrentado o desconhecido.

    segunda-feira, agosto 14, 2006

    Tá esperando o quê?

    Cláudio Lembo ainda não colocou Saulo Abreu no olho da rua por motivos estratégicos ou por dó. Os motivos estratégicos - uma vez que a demissão do secretário eliminaria um boquirroto polêmico que convenientemente desvia o foco das críticas ao modelo de segurança adotado no Estado e até aqui conseguiu apenas conquistar corações boquirrotos e polêmicos, ou seja, nada - são compreensíveis.
    Mas se Lembo não o demitiu por temer que o secretário amargue uma difícil recolocação no mercado de trabalho nesses tempos bicudos, embora reconheça a louvável preocupação com um companheiro de administração, gostaria de garantir ao governador que não há porquê se preocupar. Temos uma revista semanal que adora colunistas boquirrotos e polêmicos.

    domingo, agosto 13, 2006

    Truque sujo

    Uma semana sem publicar nada e vir aqui colocar um link para texto alheio não é muito bonito, mas é uma forma de mostrar que as leituras também estão atrasadas. Esse artigo sobre Cuba, por exemplo, saiu dia 04/08 no Valor.

    quarta-feira, agosto 02, 2006

    Notas

    "Sob a democracia, um partido devota suas principais energias à tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar - e ambos conseguem e ambos estão certos".
    H.L. Mencken
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    Sou contra o voto nulo. Questão de princípios, para não dizer que acho bobagem mesmo. É um voto tão democrático quanto qualquer outro, mas tenho medo das pessoas que anulam. Elas não tem senso de humor.
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    Lançaram ontem a política do "café-com-leite do século XXI". Como se precisasse.
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    TFV Serviço: tem texto do Verissimo na Carta Maior.

    segunda-feira, julho 31, 2006

    Mulheres são da Terra, Super-Homens são de Krypton

    Esqueça Lex Luthor. O coitado quer apenas dominar o mundo. O verdadeiro duelo do novo filme do Super-Homem ocorre entre Lois Lane e o kryptoniano. O filme todo é uma grande DR.
    Já no início ficamos sabendo que o Super-Homem esteve fora cinco anos, tentando descobrir o que houve com Krypton. Foi embora e não se despediu de ninguém, nem da Lois. Mas ela não deixa barato. Quando ele volta para a Terra, descobre que ela ganhou um Pulitzer por um artigo intitulado ‘Por que não precisamos do Super-Homem’, que está casada com o sobrinho do chefe e tem um filho.
    Ele salva a vida dela, ela não dá a mínima. O mundo celebra a volta do herói, ela não se interessa. Ela pergunta pelos motivos do desaparecimento. Ele responde que buscava suas origens e outros sobreviventes de seu planeta tristemente destruído para aplacar um sentimento de solidão num Universo em constante expansão, mas ela não quer nem saber. Ela pergunta porque ele voltou, ele explica que estender a mão para as pessoas desesperadas que necessitam de ajuda nesse mundo cada dia mais cruel e intolerante é o verdadeiro papel do herói, mas ela diz que está muito bem sem ele, obrigada.
    Ele salva a vida dela novamente. Ele salva o mundo. Ela também salva a vida dele. Mas gostaria de salvar mais uma para não ficar devendo nada.

    quinta-feira, julho 20, 2006

    Outra vez

    Justificando as investidas contra o Líbano e criticando as acusações de que os ataques de Israel são desproporcionais, Shimon Peres disse em entrevista ao Global Viewpoint (publicada pelo Estado) que "existem quatro organizações imunes a qualquer consideração diplomática ou política: Irã, Síria, Hamas e Hezzbollah - dois países e duas organizações terroristas". Nas contas deveria ter incluido também Israel e os EUA, sem esquecer o próprio Líbano, já que o apreço diplomático pelo país é nenhum.
    Israel tem um salvo-conduto concedido pelo Texas de mais uma semana para arrebentar todo o Líbano à procura dos foguetes e membros do Hezzbolah. Resultado até agora: quatro membros do Hezzbolah mortos e 500 mil libaneses refugiados segundo a UNESCO. Talvez não seja a forma mais apropriada de "devolver a esperança aos libaneses" ou impedir a escalada de violência no Oriente Médio.

    quinta-feira, julho 13, 2006

    Onda

    Quem diz que os ataques do PCC servem para desestabilizar a campanha tucana é débil mental ou cínico.

    domingo, junho 11, 2006

    Informe

    Para ninguém dizer que sou um alienado, estou postando textos sobre a Copa lá no Q2I.