sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Scorsese
É verdade que o Oscar tem sido ingrato com Martin Scorsese. Mas as injustiças da Academia são nada comparadas aos verdadeiros crimes contra ele. Eis os dois maiores que deveriam figurar na lista de grandes barbaridades cometidas contra o cinema da Convenção de Genebra. Em 1977, Taxi Driver não foi indicado ao prêmio de melhor diretor e ainda perdeu o prêmio de melhor filme para Rocky. Ironicamente para uma turma que adora o tema da segunda chance, em 1981, a Academia não se redimiu e Touro Indomável perdeu os dois prêmios para Gente como a gente.
Depois disso Scorsese recebeu mais 4 indicações para o prêmio de diretor. Em 1989, A Última Tentação de Cristo perdeu para Rain Man e, em 1991, Os Bons Companheiros perdeu para Dança com Lobos. Nenhuma tragédia comparável ao que fizeram contra Touro Indomável, mas Os bons companheiros consegue ser visto mais de uma vez. Somente nas indicações mais recentes que recebeu (em 2003, concorreu aos prêmios de direção e filme com Gangues de Nova Iorque, vencidos respectivamente por O Pianista e Chicago. Agora em 2005, concorreu com O Aviador e perdeu ambos para Menina de Ouro), seus filmes perderam para outros indiscutivelmente melhores.
E toda essa divagação para dizer obviedades. Caso perca novamente, Scorsese se tornará o maior não-ganhador da história da Academia. Se vencer, será principalmente um reconhecimento pela carreira e não por Os Infiltrados - que é seu melhor filme desde Vivendo no Limite, mas não merece levar ambos os prêmios. Como fã gostaria que ele ganhasse bonito que nem o Clint Eastwood fez em duas ocasiões e levasse melhor filme e direção para casa. Duvido muito. Mas se acontecer dessa vez desconfio que será mais uma injustiça do Oscar com Scorsese.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Pelo menos
A vantagem da derrota no amistoso é que obriga a Seleção e o Dunga a manterem os pés no chão. Outra vitória com o Elano em campo e talvez Ronaldinho Gaúcho tivesse realmente que provar sua condição de titular. Melhor assim. Mas perder justo para o Felipão?
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Coisa nossa
Ninguém se responsabiliza pelo acidente. Aguardemos os laudos e viva a técnica! Como pegou mal com S. Pedro, o consórcio desisitiu de responsabilizar as chuvas e apontou uma falha geológica. Ah, a natureza... sempre atrapalhando nossos planos. O Estado por sua vez não se dá sequer ao trabalho de fiscalizar, resultado do modelo mais avançado de liberalismo. Laissez-faire total e salve-se quem puder. Cidades inteiras cobertas de lama Brasil a dentro, mas como drama de classe média rende mais, a questão era saber se com a marginal fechada o rodízio municipal de veículos seria antecipado. Espertinhos de plantão transformaram-se em engenheiros e vereadores por um dia, levando consigo uma parte da imprensa sempre disposta a espremer sangue e verter lágrimas da audiência. Até energéticos foram distribuídos. Sensibilidade zero.
A cratera do Metrô é a cara de São Paulo.
sábado, janeiro 13, 2007
Um país admirável
Enquanto no país do "tá tudo certo" os crimes praticados pelo Estado durante a ditadura militar são vistos como excessos e as tentativas de investigação são desdenhadas como revanchismo, os processos contra os responsáveis por crimes de Estado cometidos durante a ditadura na Argentina são conduzidos com firmeza.
Não contente, a Justiça argentina passou a investigar as graves violações aos direitos humanos durante o governo civil que antecedeu a ditadura e ontem emitiu um pedido internacional de captura, solicitando a detenção de Isabelita Perón em Madri. Ela é acusada de terrorismo de Estado durante o período em que esteve na presidência(1974-1976).
A louvável medida, seguida pela tradicional 'invejinha', reafirma a disposição do país em ajustar contas com seu passado recente. Mas o que também me deixou bastante admirado foram as circunstâncias em que Isabelita Perón chegou ao poder e as características do seu governo.
Quando conheceu Perón, Isabelita era dançarina de cabaré. Casou-se com Perón na Espanha e em 1973 tornou-se vice-presidente da Argentina. Com a morte do presidente-marido, em 1974, assumiu a presidência e durante os 20 meses em que ficou no poder o governo deu uma guinada à direita. Contou com a inestimável ajuda do mordomo de Perón nos tempos de exílio, astrólogo, ministro da Ação Social e fracassado cantor de ópera, José Lopéz Rega, conhecido como "O Bruxo". Lopéz Rega liderava o grupo paramilitar Tríplice A responsável pelas perseguições e assassinato de mais de 900 pessoas. Segundo a Justiça que agora investiga os crimes, o grupo seguia autorização de Isabelita Perón para a "aniquilação" dos chamados movimentos subversivos.
Apesar de toda essa história e nunca termos corrido sério risco de termos, sei lá, a Virginia Lane na presidência, é o Brasil que continua não sendo um país sério.
terça-feira, janeiro 09, 2007
A Companhia das Letras publicou recentemente para a coleção Jornalismo Literário um livro com perfis e reportagens feitas por David Remnick para a revista The New Yorker. Como o preço é proibitivo, leio homeopaticamente alguns artigos sempre que visito alguma grande livraria.
O perfil de Philip Roth, feito por ocasião do lançamento de A marca humana, é excelente. Na reportagem, Remnnick cita um parágrafo do romance que decidi transcrever abaixo (copiei da edição do livro de Roth que tenho em casa). Se levarmos em consideração que o tema Cicarelli e YouTube domina o noticiário, o parágrafo se revela bastante oportuno.
* * *
"Nos Estados Unidos, foi o verão em que a náusea voltou, em que as piadas não paravam, em que as especulações e teorizações e hipérboles não cessavam, em que a obrigação moral de explicar aos filhos como é a vida adulta foi ab-rogada em nome da necessidade de conservar-lhes todas as ilusões a respeito do assunto, em que a pequenez das pessoas se tornou esmagadora, em que uma espécie de demônio estava à solta por toda a nação e em que as pessoas, tanto as pró como as contra, se perguntavam: "Por que somos tão malucos?"; em que homens e mulheres, quando acordavam de manhã, constatavam que, durante a noite, num estado de sono que os levara além do alcance da inveja e da repulsa, haviam sonhado com a desfaçatez de Bill Clinton. Eu, em particular, sonhei com uma faixa gigantesca, envolvendo dadaisticamente, como numa instalação de Christo, a Casa Branca, cobrindo-a por completo, com a legenda: AQUI MORA UM SER HUMANO. Foi um verão em que - pela bilionésima vez - o caos, a brutalidade, a bagunça se revelaram mais sutis do que a ideologia e a moralidade. Foi o verão em que o pênis de um presidente esteve na cabeça de todos, e a vida, com toda a sua impureza desavergonhada, mais uma vez confundiu todo um país."
(Philip Roth, A marca humana. trad. Paulo Henriques Britto. Cia. das Letras, p. 11-12.)
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Hoje estive em dois lugares onde ocorreram blecautes. Num deles, um hipermercado, as pessoas gritaram alucinadas ou como se estivessem apanhando da mãe nos poucos segundos em que faltou energia e até que o gerador do lugar normalizasse a situação. Fiquei imaginando o que ocorreria numa situação semelhante àquela mostrada no filme Esperança e Glória sobre o cotidiano inglês durante os bombardeios nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Para um exército inimigo que quisesse espalhar o pânico entre os paulistanos bastaria treinar um chimpanzé para desligar o interruptor.
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Ainda o The Heart of Saturday Night: é impressionante como Tom Waits consegue interpretações profundas em San Diego Serenade e Shiver me Timbles e outras aparentemente descompromissadas como Diamond on my windshield e Fumblin' with the Blues.
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Perry, um alfajor Havanna é maná para quem gosta de doce.
domingo, janeiro 07, 2007
Descobertas
Nesse final de semana ouvi o soberbo The Heart of Saturday Night do Tom Waits, experimentei o primeiro alfajor Havanna da minha vida e ainda tento reorganizar a diagramação do Tutti depois de descobrir que perdi alguns links. 2007 promete.
sábado, janeiro 06, 2007
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Cadafalso
A grande notícia do período em que estive fora foi a execução de Saddam Hussein. Não deve ter sido muito agradável acordar no dia 31 e ver fotos dele com a corda no pescoço. Até o Human Rights Watch condenou o julgamento. O governo Bush cumpre a promessa de levar a democracia para o Iraque. Começando pelo Velho-Oeste.
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Algumas mudanças feitas no Tutti saíram do controle. Vai demorar para ajeitar tudo.
terça-feira, dezembro 26, 2006
Personalidade do ano
Por tudo que não deveria ter sido e que foi, Cláudio Lembo é minha personalidade do ano.
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"É possível."
(Cláudio Lembo respondendo se era verdade que
havia se casado virgem, no programa do Jô.)
sábado, dezembro 23, 2006
domingo, dezembro 17, 2006
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Farra
Via lei de incentivo, uma empresa consegue abatimento no imposto de renda sempre que patrocine atividades culturais, o que na prática permite que ela recupere o dinheiro gasto. Ou seja, quem paga é o poder público. Mesmo no caso de um evento proibitivo para a maioria dos contribuintes, exemplos não faltam, quem paga o espetáculo é o poder público e quem posa de mecenas é o poder privado.
Como lembra a Anna, os atletas que lutam por leis de incentivo para estimular o patrocínio ao esporte nacional estão com a razão e os artistas que reagiram preocupados também. Resta saber quais serão os critérios estabelecidos para investimento. Não custa lembrar que os bingos continuam fazendo fortuna enquanto o esporte mendiga. E os clubes de futebol resistem a duas temporadas na série C, mas não a uma auditoria da receita.
terça-feira, dezembro 12, 2006
Destino
O Inferno não me parece adequado para Pinochet. Talvez ele se sinta confortável demais por lá.
segunda-feira, novembro 27, 2006
Tédio, mau humor...
Duas semanas de ausência quase justificadas. Com o fim da Copa, das eleições e do campeonato - não necessariamente nessa ordem, visto que o título do São Paulo correu mais seguramente do que os outros dois eventos - 2006 acabou e vai nos entediando porque não sabe que já é tempo de ir embora.
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Se Lula é um líder messiânico, Michel Temer e a ala oposicionista do PMDB comportam-se como São Tomé.
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Revistas: a Piauí é mesmo muito boa! A Rolling Stone é mesmo muito ruim!
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O culto à interdisciplinaridade continua fazendo vítimas. Até a FUVEST embarcou na onda esse ano. Mas de onde venho questão sobre reprodução de bactérias que o aluno resolve fazendo uma progressão geométrica ainda é questão de matemática.
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A partir da próxima semana em São Paulo, ônibus= R$ 2,30 (15% de aumento), integração ônibus-metrô= R$ 3,50 (16,7% de aumento). Depois perguntam por que não dou a mínima para o caos nos aeroportos.
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Gostaria de conhecer os ilustríssimos brasileiros e seus cérebros avantajados que propuseram o comércio de pães por quilo. Além de não ser possível saber se o dinheiro levado para a padaria/supermercado é suficiente para a compra, a medida decretou a extinção do pão francês, que agora pesa como o italiano.
Proposta de ação direta contra a medida (idéia do meu irmão):
- R$ 0,50 de pãezinhos, por favor.
segunda-feira, novembro 13, 2006
Novidade
É fato que hoje somos/fomos governados por um comunista, ou o mais próximo que já pudemos chegar disso. Mas é bom não esquecer que durante oito anos fomos governados por um acadêmico de formação marxista.
sábado, novembro 04, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
Choque de gestão
Os jornais da província decidiram usar a mesma foto e a mesma legenda nas edições de hoje. Como também costumam publicar semelhantes pontos-de-vista e as matérias não trazem mais qualquer diferença, sugiro a união das redações. As empresas dariam exemplo de eficiência ao governo cortando gastos, economizando matéria-prima e ampliando participação no mercado. As medidas permitiriam a liquidação das dívidas das antigas empresas e aumentariam a capacidade de investimento do setor. Evidentemente, tais medidas deveriam ser acompanhadas por um amplo programa de demissões. Como a redução do número de funcionários elevaria os índices de desemprego, de saída o novo jornal já teria uma semana de matérias garantidas para descer o sarrafo no governo.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Mal das asas
No ano de centenário do vôo do 14 Bis ocorreu de tudo. Pane e queda de helicópteros, queda de porta de avião, falência da Varig e o maior acidente da história aérea brasileira. De desgraça em desgraça, agora o colapso do sistema aéreo: atrasos, as longas filas e os suspeitos de sempre, que nesse caso atendem pelo nome de controladores. Santos Dumont merecia homenagem melhor.
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