sábado, maio 28, 2005

Já ia me esquecendo

Dom Fernando, o Desejado dos Trópicos, disse esta semana que o país está sem rumo como um “peru bêbado em dia de carnaval”. É isso aí, haute culture neles!

quinta-feira, maio 26, 2005

Terra da garoa, modo de dizer.

Não era piada?
Circulava um e-mail tempos atrás sobre como seria noticiado um eventual fim do mundo, segundo o estilo de cada veículo. O Estadão publicaria a seguinte manchete: PT e CUT envolvidos no fim do mundo.
Pois bem, o editorial de hoje (26/05) a respeito das chuvas traz a seguinte preciosidade da isenção jornalística nativa: “Em vias movimentadas, como a Avenida 9 de Julho, as galerias são as mesmas de 50 anos atrás. Na administração Marta Suplicy,a 9 de Julho foi reformada e apresentada como a avenida mais moderna de São Paulo. Semanas depois da inauguração, a velha galeria de tijolos construída nos anos 50 se rompeu, abrindo grande brecha na pista de asfalto.”

Pérola
O prefeito José Serra disse que nada poderia ter sido feito diante de um “minitsunami” que se abateu sobre a cidade.
Governo de torneiro mecânico não dá, não dá.

E no meio de tanta desgraça
Duas frases muito boas:
“É o que dá fazer cidade em cima de brejo!”, Frank Jones, baiano de Itabuna.
“O pessoal está reclamando do quê? Vai dizer que não vieram para São Paulo de pau-de-arara? Só que a gente pegava o pau-de-arara para fugir da seca. Agora é para fugir da chuva”. José Gomes dos Santos, pernambucano, ao ultrapassar trecho alagado a bordo da caçamba de um caminhão.

Oliver Sacks

O neurologista e escritor Oliver Sacks esteve no Brasil para uma palestra e concedeu entrevista publicada no Estadão, domingo passado. Trechos...


A maioria das síndromes e doenças sobre as quais o senhor trata em seus livros é incurável. Onde o senhor busca forças para continuar a dar apoio a essas pessoas sem acreditar numa força sobrenatural capaz de ajudá-las? A ciência lhe dá estímulo suficiente para continuar a luta?
São três perguntas numa só. Em primeiro lugar, sendo doenças incuráveis, é nossa obrigação lutar para melhorar a qualidade de vida desses pacientes. A situação, hoje, é bem melhor que há 20 anos, quando se sabia pouco sobre síndromes incomuns. Não vejo como Deus possa ajudar nisso. De qualquer modo, trabalho com religiosos, católicos e judeus, e respeito suas crenças, mas eu, particularmente, não sinto necessidade de acreditar numa entidade sobrenatural. Para mim, o natural basta.
O senhor se considera um misto de cientista e poeta? Que papel tem a literatura em sua ciência?
Não sei como me autoclassificar, mas não seria pretensioso a ponto de dizer que sou poeta. A linguagem literária é muito importante para mim. Não consigo separar o ato de escrever do de pensar. Às vezes não sei o que estou sentindo até colocar no papel minhas impressões. (...)
Há um filme chamado Pi, dirigido por Darren Aronofsky, que parece ter como modelo o senhor, um inveterado fã da tabela periódica. É a história de um homem afogado em combinação numérica e periodicidade.O senhor acredita que o mistério do universo possa ser desvendado com a ajuda de uma tabela periódica de elementos relacionados uns com os outros?
(Tirando a carteira do bolso e mostrando a cópia de uma tabela periódica) Bem, em se tratando de matéria, é natural que essa tabela faça algum sentido. Naturalmente, estamos falando de matéria visível e não de antimatéria. Imagino que nem o melhor dos computadores possa desvendar esse mistério em trilhões de anos, mas isso não me faz desacreditar da ciência. Não creio que vamos chegar um dia à solução de todos os problemas ou esgotar nossa curiosidade. Tampouco que nossa criatividade chegue ao fim. Não, não vamos nos transformar em vacas. Pelo menos é o que espero.

sábado, maio 21, 2005

Estréias

1. Gosto de Star Wars e pretendo assistir ao novo filme, juro. Por todas aquelas coisas que vêm sendo repetidas à exaustão: os heróis de infância, os vilões, a história, por isto, por aquilo. Mas confesso, ando com os nervos abalados devido a infernal campanha publicitária e o onanismo espacial dos fãs que tomaram conta dos meios de comunicação nessa semana. Em casa, tenho medo de abrir o leite pela manhã e ouvir a marcha Imperial.

2. Se não me engano, O Retorno de Jedi foi o primeiro filme a ser exibido na Tela Quente, da Globo. Só não lembro quem surgiu antes, se os Ewoks ou Roberbill e Roberbella dos Thundercats.

3. Algumas críticas apontam o Episódio III como uma alegoria da Era Bush. Não estão levando o filme a sério demais? Deve ser alguma coisa no leite.

4. Nesse final de semana, Terra em Transe reestréia em cópia restaurada. Assim como na estréia de Star Wars, a platéia também deve aparecer fantasiada como os personagens do filme. Com a diferença de que ela não muda de roupa quando volta para casa.

5. Poderia dizer que o mesmo se aplica para Quanto vale ou É por quilo?, o novo filme de Sérgio Bianchi que também estréia nos cinemas. Mas aí estaria exagerando. É o leite! É o leite!

terça-feira, maio 17, 2005

De um marcador de página

“Não existe nada mais profundo e poderoso do que este livro. Se o mundo acabasse e no Além nos perguntassem: “Então, o que você aprendeu da vida?”, poderíamos simplesmente mostrar o D. Quixote e dizer: “Está é a minha conclusão sobre a vida. E você? O que me diz?”.
Fiódor Dostoiévski
Adivinhem como estou me sentindo?

domingo, maio 15, 2005

Alegria do povo

Enciclopédia

O caderno de Esportes do Estadão desse domingo traz uma reportagem sobre o Nilton Santos. A matéria me deixou muito contente porque, além das curiosas histórias que o homem tem para contar (coloquei duas aí embaixo), diferentemente do que pensava, ele está vivo. E faz 80 anos amanhã!

"O campeão que ignorou, com dignidade, terem omitido seu nome na lista dos '100 mais' da Fifa, há dois anos - 'o Pelé esqueceu e pronto' - é o mesmo que, em 1965, deu um tapa no juiz Armando Marques em pleno Pacaembu, por causa de um dedo em riste. 'Era um jogo com o Corinthians. Ele veio pra cima de mim daquele jeito e pensei: se eu me curvar, o que é que eu vou dizer pro meu filho ao chegar em casa?' Nilton tinha cacife para fazer isso sem estragar a carreira."

"O Mané (Garrincha) era ótimo. Um dia, na Holanda, ele saiu driblando cinco ou seis e voltou pro meio campo. Gritei com ele pra chutar a gol e ele respondeu: ´O seu Zezé mandou prender a bola’."

Solução

Todo mundo sabe que mais do que um técnico, o Corinthians está precisando mesmo é de um centroavante matador. Nesse caso, a melhor contratação sem dúvida é Umbabarauma, ponta de lança africano, que segundo Jorge Ben

Pula, pula, cai, levanta
Sobe e desce
Corre, chuta, abre espaço
Vibra e agradece

Umbabarauma, homem gol, é ou não é a cara do Corinthians?

segunda-feira, maio 09, 2005

Enquete da semana

Se o Passarella não é brasileiro, por que ele não desiste nunca?

quinta-feira, maio 05, 2005

Gente que bloga

Estou ficando viciado nesse negócio. Comecei a ler outro blog. Culpa do Garatujas, para variar. Meus advogados entrarão em contato.

Direito de resposta

1.Que livro você gostaria de ser?
Se um viajante numa noite de inverno (Italo Calvino).

2. Você já ficou meio apaixonado(a) por um personagem de ficção?
Apaixonado, não. Mas a Sabina de A insustentável leveza do ser é um mulherão.

3. Qual foi o último livro que compraste?
Uma biografia do Oliver Cromwell (O Eleito de Deus, Christopher Hill)

4. Que livros estás a ler?
Ler talvez não seja o verbo mas na cabeceira da minha cama repousam A sociedade contra o social (Renato Janine Ribeiro) e O mundo assombrado pelos demônios (Carl Sagan).

5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
- Dom Quixote – porque vivendo numa ilha deserta não haveria mais desculpa para não ler;
- Moby Dick – para pensar duas vezes antes de tentar sair da ilha;
- O Príncipe – porque eu gosto;
- contos de Machado de Assis – sirva-se com o melhor;
- crônicas do Verissimo – para não enlouquecer;

6. A quem vais passar este testemunho e por quê?
Tudo começou no Garatujas & Garapas. Fui acusado de ter bom gosto e por isso vim a público me defender. Muito obrigado.

Espírito nacional

Era o Drummond quem achava bunda a palavra mais bonita da língua portuguesa? Não lembro. Mas a esfinge brasileira é mesmo a bunda. Se entendermos o que é a bunda e exatamente em que circunstâncias funciona, descobriremos a essência da brasilidade. Estou falando da bunda nacional, claro.
Nossa ligação com a bunda, para variar, tem origem colonial. Um país dessa dimensão e com as costas que temos logicamente teria uma bunda proporcional. Esse superlativo anatômico do país foi cobiçado por outras nações européias até a independência.
Quando nos transformamos numa nação, ela deixou de ser um predicado físico e transformou-se num atributo moral. Momentos de ímpeto nacional necessitam de virtudes compatíveis – bunda mole, não. Aos poucos, tornou-se um símbolo nacional exibido nos rostos de cada um dos brasileiros.
Há alguns anos, o Ziraldo editou uma revista chamada Bundas justamente para fazer graça e oposição à revista Caras. Infelizmente, Ziraldo talvez não tenha percebido que bunda no Brasil é situação e talvez por isso a revista acabou cedo. Música brasileira para vender também tem que falar dela senão encalha.
Por isso, quando o Lula diz que o brasileiro é “incapaz de levantar o traseiro da cadeira” e mudar de banco que cobra juros escorchantes, por meio de um eufemismo (traseiro), o presidente procura despertar o país. E para isso volta a falar de bunda. Aquela que nos é sempre requisitada nos momentos de crise.

Nova classe trabalhadora

Reportagem do JN Especial 40 anos Globo sobre o primeiro emprego. Segundo um especialista, as qualidades necessárias para os candidatos aos novos postos de trabalho são o espírito de equipe e a criatividade.
Exemplo: programas de incentivo, metalúrgica, peão de fábrica, jovem, 19 anos, efetivado depois de um ano, 600 reais, feliz, “quase o triplo do que eu ganhava no período de adaptação”.
Outro exemplo: multinacional, jovem, 19 anos, criativo, espírito de equipe, webmaster, aprovado em seleção (26000 candidatos, 20 vagas), 3 paus por mês. Na matéria, o distinto aparece jogando futebol no PC. Espírito de equipe ele tem. Jogava com a seleção brasileira. Criatividade também: tabela pelo meio, cara a cara com goleiro, golaço.
Na famosa cena de Tempos Modernos, em que Chaplin repete incessantemente o movimento de apertar parafusos, acreditávamos que a alienação era causada pelo trabalho repetitivo feito no chão da fábrica. Hoje, ficar sentado na frente de um computador testando jogos, por exemplo, pode ser considerado um trabalho criativo. Para aqueles que ainda não se conformaram por serem governados por um ex-torneiro mecânico, anunciam-se os novos líderes: ex-desenvolvedores de jogos para PC. Progresso é isso.

domingo, maio 01, 2005

Que ninguém nos ouça

E voltamos a falar de música. Quem disse que música sertaneja não é engajada? Apesar de ter sido composta em 1983, ela bem que poderia se transformar na trilha sonora deste primeiro quarto do ano. Reparar nas rimas ricas e no tom solene do refrão. O importante é manter o bom humor.
Burro que fugiu do laço tá debaixo da roseta
Quem fugiu de canivete foi topar com baioneta
Já está no cabo da enxada quem pegava na caneta
Quem tinha mãozinha fina, foi parar na picareta
Já tem doutor na pedreira dando duro na marreta
A coisa tá feia a coisa tá preta
Quem não for filho de Deus tá na unha do capeta

Criança na mamadeira já está fazendo careta
Até o leite das crianças virou droga na chupeta
Já está pagando o pato até filho de proveta
Mundo velho é uma bomba girando neste planeta
Qualquer dia a bomba estoura é só relar na espoleta
A coisa tá feia a coisa tá preta
Quem não for filho de Deus tá na unha do capeta

Quem dava caixinha alta já está cortando a gorjeta
Já não ganha mais esmola nem quem anda de muleta
Faz mudança na carroça quem fazia na carreta
Colírio de dedo duro é pimenta malagueta
Sopa de caco de vidro é banquete de cagueta
A coisa tá feia a coisa tá preta
Quem não for filho de Deus tá na unha do capeta

Quem foi o rei do baralho virou trouxa na roleta
Gavião que pegava cobra já foge de borboleta
Se o Picasso fosse vivo ia pintar tabuleta
Bezerrada de gravata que se cuide e não se meta
Quem mamava no governo agora secou a teta
A coisa tá feia a coisa tá preta
Quem não for filho de Deus tá na unha do capeta

domingo, abril 24, 2005

Os sertões de Suassuna

O Cultura do Estadão de hoje traz uma entrevista com Ariano Suassuna aproveitando o relançamento de algumas de suas obras em edições de luxo. O autor discute o alcance de seu trabalho e tece comentários sobre Os Sertões.
Como o acesso ao conteúdo on-line do Estadão é restrito, Tutti funghi venenosi, cumprindo seu papel de disseminar cultura e resolver o problema da falta do que fazer de seu modesto autor, orgulhosamente transcreve abaixo a parte da entrevista em que Suassuna aborda a obra de Euclides da Cunha:

E literatura nacional, você tem vontade de ler ou reler alguma coisa ultimamente?
A última obra que reli foi Os Sertões, que é outra de minhas obsessões. Tenho uma enorme admiração por Euclides da Cunha. Reconheço seus defeitos, especialmente a influência funesta que recebeu do positivismo de Augusto Comte e do evolucionismo de Herbert Spencer, algo realmente racista. Ele até viveu um drama pessoal ao acreditar que a mestiçagem brasileira era um defeito.Mas, apesar disso, sua força como escritor é tão grande que todas essas influências já envelheceram e a força da linguagem e da própria história que ele conta ainda está muito viva. Leio Os Sertões como se lê a Ilíada. Leio não com os olhos de um sociólogo mas com os que buscam um épico. Meus críticos habituais até se admiram e dizem: Gilberto Freire não escreveu os mesmos erros que o Euclides da Cunha e, mesmo assim, você prefere o Euclides. Eu digo: é isso mesmo. Prefiro Euclides da Cunha com todos os seus defeitos. Como também prefiro Euclides da Cunha a Machado de Assis. Acho Machado um excelente escritor, mas ele não tem uma qualidade que me toca muito e que eu vejo no Euclides. É aquele galope épico - a literatura de Machado de Assis é muito cravada. Em suas histórias, por exemplo, os homens nem quintal têm em suas casas! Tudo se passa entre quatro paredes. Isso me faz lembrar de um compositor, que foi parceiro de Manuel Bandeira e se chamava Jardel Valle. Pois bem, ele fazia observações ótimas. Jardel reconhecia que Machado de Assis era um gênio, não havia como negar.Mas era um gênio míope. Faltava a ele aquela amplitude que, em Euclides, sobrava.

Você prefere a terceira parte de Os Sertões em relação às duas primeiras?
Não. Leio a obra como quem lê um poema. Acho maravilhosas as discussões de paisagem, a forma como descreve a vegetação - parece que as pedras conversam com as plantas. Só não gosto daquelas besteiras que ele herdou da falsa ciência social européia, ali ele tropeçou. Costumo dizer que sempre é mais fácil observar mais longe quando se está nos ombros de gigantes. Euclides foi formado (e deformado) no Brasil oficial, o que tornou sua conversão rápida e brusca demais quando se viu diante do Brasil real. Por isso, ele cometeu uma injustiça com o Brasil real ur3.4.bano e eu também, influenciado por ele, caí nessa cegueira - como a primeira vez que viu o Brasil real foi no sertão, Euclides não notou, por exemplo, que na cidade havia a favela, que não era chamada dessa forma. Ele tratava o povo sertanejo de Canudos como a rocha viva da raça brasileira. Mas os soldados do Exército que cercaram o povoado também eram do Brasil real e estavam recrutados a serviço do Brasil oficial para matar seus irmãos. Assim, chamavam de favela o que eles viam em Canudos. Quando voltaram para o Rio, eles passaram a usar a mesma denominação para os casebres mais pobres. Euclides da Cunha se converteu ao Brasil real mas, a princípio, só conheceu esse Brasil real no sertão, daí seu texto maravilhoso sobre a base da nossa nacionalidade. Pois bem, ele percebeu aquele defeito de um Brasil oficial e a conversão foi brusca demais, especialmente para quem5. ainda tinha a cabeça perturbada pela falsa ciência social. Por isso que considero Euclides da Cunha antes de mais nada um grande escritor, apesar da visão dos sociólogos. Aliás, vi uma observação agudíssima de Walnice Nogueira Galvão, que me chamou a atenção para um fato importante: a Guerra do Contestado foi muito maior em termos reais que a de Canudos, mas só falamos hoje de Canudos.

E por quê?
Porque foi escrito a respeito de Canudos uma grande obra literária e o Contestado não teve essa sorte. Euclides da Cunha, por meios literários, fez do acontecimento local de Canudos um fato universal. Em minha opinião, não se pode entender o Brasil sem entender Canudos. E não é possível entender Canudos se o observador não fizer duas coisas: primeiro, restringir a imagem para depois ampliá-la. Ou seja, é preciso começar da nossa vida pessoal. Na casa de um brasileiro branco e privilegiado, a empregada doméstica, negra e pobre, é oprimida e explorada, ou seja, o Brasil oficial está acabando com o Brasil real. É o Brasil dos que arrasaram Canudos que está atacando um pequeno arraial de Canudos que tem dentro de casa. Quando os Estados Unidos invadem o Oriente Médio, é a supremacia de uma poderosa tecnologia. Quando o homem invadiu Cartago, era o arraial de Canudos sofrendo um ataque do império poderoso. Quando os Estados Unidos invadem, é a Roma moderna atacando o arraial de Canudos.Então é por isso que Os Sertões é um livro universal. Euclides imortalizou e universalizou. Assim, qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo entende o que é aquilo.Porque aquela história acontece, quando não no coletivo, dentro da casa de uma pessoa. ?

sexta-feira, abril 22, 2005

Leitura Dinâmica II

Visite o perfil da maioria dos adolescentes que estão no orkut: o item livros, quando aparece, é geralmente preenchido com odeio. Que ninguém me entenda mal. Não acredito que seja responsabilidade das crianças e dos adolescentes sua falta de interesse por livros. Culpados são os adultos que lêem pouco e mal.
As escolas tiram da reta e costumam culpar a família, a televisão e a Internet pela falta de interesse pela leitura. Ou pior, aderem ao modelo imbecilizante. Com a desculpa de enfrentar uma geração multimídia, decidiram “facilitar” a vida do aluno de tal forma que são poucas as que investem em bibliotecas. Qualquer colégio furreca tem sala multimídia. Livro, leitura? Ih, tem letra, atrapalha.
E esse relativismo cultural predominante (Cada um lê o que quiser. O importante é que o aluno leia! Ou Ah, ele está lendo Paulo Coelho? Bom, pelo menos ele está lendo alguma coisa, né? – seguido de um sorrisinho amarelo conivente) nada mais é do que sintoma de nossa preguiça mental e descaso com essa molecada que, segundo as vovós da educação, não tem jeito mesmo.

Leitura Dinâmica I

Os dois relatos à seguir foram feitos por dois amigos e tratam do envolvimento com livros. São muito parecidos, por sinal.
1) Quando tinha doze anos, um amigo leu Capitães da Areia de Jorge Amado. As primeiras relações sexuais dos personagens coincidiram com suas primeiras descobertas sexuais. O espanto que algumas passagens lhe imprimiam (o envolvimento homossexual entre alguns personagens) e o pânico de ser surpreendido com o livro naquelas páginas deram à leitura o caráter de grande desafio.
2) Já uma amiga, filha de professora, tinha permissão de ler todos os livros da estante, exceto O Cortiço de Aluísio Azevedo. Obediente, ela leu todos os livros da estante antes de pegar o livro proibido. E leu escondida, claro.
Lembrei dessas histórias subversivas por causa de outras duas, também sobre livros, mas de outra geração:
1) Expressões chulas, como pênis ereto, contidas num livro indicado para alunos do Ensino Fundamental têm causado indignação e horror em algumas mães.
2) Algumas adolescentes consideraram Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, um livro pornográfico por causa da forma como ele narra sua trajetória sexual até o acidente.
Hoje em dia, os pais podem deixar o Kama Sutra na mesa de centro que ninguém pega.

terça-feira, abril 19, 2005

Música II

Ouvi essa música na voz da Maria Rita (não sei se existe outra versão) e gostei. Acho que eu ia gostar muito mais se eu fosse mulher. Pronto, falei.


Pagu
(R. Lee e Z. Duncan)

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá

Música I

Quase não escrevo sobre música porque não entendo de música. Música que eu gosto é boa, música que eu não gosto é ruim não vale como parâmetro. Minhas maiores descobertas musicais do ano passado foram Os Mutantes e Secos e Molhados. As dez mais que ouço foram feitas há pelo menos 15 anos. Ou seja, sou a pessoa menos indicada para tocar no assunto.
Ah, mas isso não quer dizer que ando completamente por fora. A onda funk, por exemplo, ganhou um espaço significativo em publicações importantes (Bravo e Carta Capital) o que mostra que está sendo levada à sério. O que podemos fazer quando até o Caetano diz que é bom?
Com medo dessa tendência perniciosa, as pessoas estão apurando seus conhecimentos musicais e procurando as antigas referências. Daí o resgate de Sidney Magal, Gretchen, Trio Los Angeles, entre outros. Música de raiz!

quinta-feira, abril 14, 2005

Coincidência

Eu andava às voltas com um tema sobre a educação e a quantidade de professores medíocres e/ou picaretas que andam por aí, quando ouvi Flakes do Frank Zappa e desisti de escrever qualquer coisa. A letra da música não se refere exatamente à professores mas a comparação é válida.


Flakes: trabalhadores incompetentes que costumam fazer um serviço bem porco e cobram uma fortuna, incluindo encanadores, mecânicos, carpinteiros, advogados, contadores, etc. (Professores, por minha conta).

quarta-feira, abril 06, 2005

Bateu aquela fome?

Já notaram que todos aqueles biscoitinhos recebem nomes em inglês e relacionados a sociabilidade ou a idéia de tempo? E nos valemos deles porque na maioria das vezes não temos companhia e tempo para comer?

sábado, abril 02, 2005

Parece mentira

Quem leu as manchetes do jornais de ontem, desconfiou que o bom humor havia tomado conta da imprensa brasileira e ela havia decidido fazer como aquele jornal inglês (esqueci o nome dele, claro) que todo ano no 1º de abril publica falsas notícias na primeira página. E se enganou!

  1. Mundo. A lenta agonia do Papa e sua morte iminente tem algo de surpreendente, mesmo para um ateu. João Paulo II representava o catolicismo mais autêntico: conservador, anticomunista e carismático. A duração de seu pontificado (poucas pessoas que lêem este blog conheceram outro) transformaram João Paulo II em sinônimo de Papa, o que lhe concedeu uma quase imortalidade. Maior do que a comoção mundial é a incredulidade.
  2. Brasil. Como acertaria em cheio o bolso de empresas prestadores de serviço (leiam, trabalhadores terceirizados que acham Carteira de Trabalho coisa de pobre), o governo decidiu esquecer a MP 232. Todos (eu disse todos) os partidos alegam que ouviram o clamor da sociedade contra o aumento de impostos. Ah, tá!
  3. Esportes. Quem diria: com a derrota do São Paulo para a Portuguesa (risos) e o empate do Santos, o Corinthians continua no páreo (risos) no Campeonato Paulista. Tudo bem, ninguém pleno das faculdades mentais acredita que o São Paulo perderá o titulo, mas o fracasso no Pacaembu naquelas circunstâncias pode ser qualquer coisa, menos resultado normal.